Assim como nós fazíamos quando éramos crianças antes de jogar com os amigos, Ronaldinho também pensava sempre em qual nova finta ou drible poderia apresentar a cada vez que entrava em campo.
Ele tinha aquela liberdade mental, quase infantil, de experimentar e depois realizar coisas que nenhum outro jogador sequer ousava imaginar.
Ronaldinho, por outro lado, chegava em campo, e fazia. Não importava se era no Camp Nou, no Bernabéu, no San Siro, em Old Trafford, em uma final da Champions ou da Copa do Mundo. Ele fazia, porque isso o deixava feliz. E assim deixava todos felizes.
Você nunca se cansava de assistir a um jogo dele. Sempre que ele tinha a posse de bola, simplesmente acontecia alguma coisa. Seus olhos se iluminavam, você quase se deleitava com tanta beleza. E, pessoalmente, nenhum jogador me causou esse tipo de efeito.
Com aquele sorriso característico, quase como o do Coringa — mas um Coringa, diferente do personagem, que traz felicidade —, ele chegou a ser o melhor do mundo. O mais forte e o mais divertido de todos ao mesmo tempo, duas coisas que muitas vezes não se combinam. Ou você tem esse tipo de inspiração ou é prático, dizem. Ronaldinho se divertia e também ganhava jogos. Bastava pouco para ele, como contou Eto'o.
“Ronaldinho era um gênio, e não apenas em campo. No dia em que não se sentia feliz, ele não jogava bem. Muitas vezes, porém, ele chegava ao vestiário sorridente e feliz e me dizia: ‘Samuel, como você está se sentindo?’. Se eu respondesse ‘bem’, ele retrucava: ‘Perfeito, vamos vencer’”.