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Hall of Fame Ronaldinho
Traduzido por

Hall da Fama - Ronaldinho, a mais pura essência do futebol

Se perguntarmos a qualquer pessoa no mundo, mesmo àquelas que não acompanham futebol, para associar o primeiro nome que lhes vier à cabeça a esse esporte, a resposta mais óbvia seria Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo.

Provavelmente também a mais correta, porque estamos falando dos dois jogadores que, acima de todos, fizeram história. Inatingíveis para qualquer um, agora e sempre: em números, em carreira, em tudo.

No entanto, se eu tivesse que tentar fazer alguém se apaixonar pelo futebol, não mostraria as proezas de Messi e Cristiano. E posso até estar exagerando, mas tampouco mostraria as proezas de Maradona. Eu mostraria Ronaldinho.

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  • O futebol na sua forma mais antiga

    Falando com toda a sinceridade, vocês gostam do futebol de hoje? Dizem que ele é mais rápido, mais dinâmico, mais técnico. Que todos sabem tocar na bola, que é preciso ser primeiro atleta e depois jogador de futebol.

    Mas vocês se divertem? Ficam emocionados? Quantos jogadores hoje em dia causam arrepios? Quantos são únicos em seu estilo, em sua maneira de jogar, chutar ou driblar? E quantos têm liberdade para se expressar além desse "taticismo" extremo que está complicando excessivamente o que é o esporte mais simples do mundo?

    O esporte de todos, aquele que pode ser praticado em qualquer lugar. Basta uma bola, pronto. Só isso. Para o Ronaldinho, só isso bastava, desde que era criança. 

    “Em certo momento, meus amigos se cansavam de jogar futebol. Então eu treinava entre as cadeiras e com meu cachorro”.

    Ronaldinho nunca se cansou de jogar. Ele nunca se adaptou à força, nunca se limitou. Ele continuou sendo aquela criança com um sorriso estampado no rosto que pensava em uma única coisa com a bola nos pés: se divertir.

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  • Sorria, você é o melhor do mundo!

    Assim como nós fazíamos quando éramos crianças antes de jogar com os amigos, Ronaldinho também pensava sempre em qual nova finta ou drible poderia apresentar a cada vez que entrava em campo.

    Ele tinha aquela liberdade mental, quase infantil, de experimentar e depois realizar coisas que nenhum outro jogador sequer ousava imaginar. 

    Ronaldinho, por outro lado, chegava em campo, e fazia. Não importava se era no Camp Nou, no Bernabéu, no San Siro, em Old Trafford, em uma final da Champions ou da Copa do Mundo. Ele fazia, porque isso o deixava feliz. E assim deixava todos felizes.

    Você nunca se cansava de assistir a um jogo dele. Sempre que ele tinha a posse de bola, simplesmente acontecia alguma coisa. Seus olhos se iluminavam, você quase se deleitava com tanta beleza. E, pessoalmente, nenhum jogador me causou esse tipo de efeito. 

    Com aquele sorriso característico, quase como o do Coringa — mas um Coringa, diferente do personagem, que traz felicidade —, ele chegou a ser o melhor do mundo. O mais forte e o mais divertido de todos ao mesmo tempo, duas coisas que muitas vezes não se combinam. Ou você tem esse tipo de inspiração ou é prático, dizem. Ronaldinho se divertia e também ganhava jogos. Bastava pouco para ele, como contou Eto'o. 

    “Ronaldinho era um gênio, e não apenas em campo. No dia em que não se sentia feliz, ele não jogava bem. Muitas vezes, porém, ele chegava ao vestiário sorridente e feliz e me dizia: ‘Samuel, como você está se sentindo?’. Se eu respondesse ‘bem’, ele retrucava: ‘Perfeito, vamos vencer’”.

  • Sem dualismo, sem inveja

    A pureza futebolística de Ronaldinho era também um reflexo de sua humanidade. Aquele sorriso não era uma fachada, era a sua essência. E mesmo quando seu reinado estava chegando ao fim, ele usou aquele sorriso para dar as boas-vindas a quem ocuparia seu lugar. Sem inveja, sem rivalidades.

    “Lembro-me dos primeiros passos de Messi, ele era um garotinho. Fui eu quem lhe dei a assistência para o seu primeiro gol, em uma partida contra o Albacete. Ele marcou um gol extraordinário e eu pensei: este é um craque, nasceu um “craque”. Ele nunca precisou de conselhos, nem mesmo quando era criança; sempre soube o que fazer. Ele é o melhor de sua época, assim como Maradona foi da dele”.

    Ele não tinha problema em dizer que Del Piero era seu ídolo e que chutava faltas melhor do que ele. Não tinha problema em admitir que, para o “elástico”, uma de suas marcas registradas, havia se inspirado em Ronaldo, o Fenômeno. E quando dizia que não se sentia o mais forte “nem mesmo no Barcelona”, não era “burrice”. Simplesmente não lhe interessava.

    Ronaldinho sempre inspirou e mereceu respeito. Lembro-me com emoção de uma cena em particular: um jovem Neymar, antes de um Santos x Atlético Mineiro, indo até ele e fazendo uma reverência. 

    “Obrigado por tudo o que você fez pelos amantes do FUTEBOL”.

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  • Quando estiverem tristes, assistam a um vídeo de Ronaldinho

    Há alguns dias, como acontece com quase todo mundo, eu estava navegando entediado de um vídeo para outro nas redes sociais. Até que me deparei com um do Ronaldinho. Senti imediatamente a emoção e a alegria tomarem conta de mim.

    Bastou vê-lo tocar na bola, dançar em campo com aquele seu jeito único e inimitável. Vê-lo inventar jogadas humanamente inconcebíveis para outros jogadores. Vê-lo sorrir. Era contagiante, e quase sem perceber, comecei a sorrir também.

    Um pouco como quando você se apaixona. Basta vê-la sorrir. Assim como basta ver Ronaldinho sorrir para se apaixonar novamente pelo futebol. E ser mais feliz.