Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt

Esta página tem links afiliados. Quando você compra um serviço ou um produto por meio desses links, nós podemos ganhar uma comissão.

+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento
Cristiano Ronaldo 2:1Getty Images Sport/AI

Traduzido por

Ele não pode parar os ponteiros do tempo: a ousadia de Postecoglou coloca Cristiano Ronaldo diante da pergunta indesejada

A saída de Cristiano Ronaldo no intervalo do confronto entre Al-Nassr e Al-Ettifaq não foi apenas uma decisão técnica passageira. Em um momento em que sua equipe parecia precisar virar a partida, o técnico Ange Postecoglou optou por tirar o capitão do Al-Nassr das contas e lançar mão de outras peças em busca de equilíbrio e de uma reação, em uma cena que reabre uma pergunta que por anos esteve mais próxima do proibido: será que o tempo começou a impor sua lógica a Ronaldo?

A cena em Dammam trouxe de volta à memória o que aconteceu há menos de dois meses em Houston, quando Ronaldo disputou sua partida de estreia na Copa do Mundo de 2026 diante da República Democrática do Congo. Ronaldo não deixou sua marca habitual naquele jogo. Terminou a partida sem marcar, depois de tocar na bola apenas cerca de 20 vezes e finalizar três vezes sem balançar as redes.

O problema era maior do que uma única partida. As estatísticas apontavam, na época, que Ronaldo, desde o pênalti que marcou diante de Gana na estreia do Mundial do Catar de 2022, havia disputado 10 partidas em grandes torneios e finalizado 33 vezes sem marcar.

  • Pontos de interrogação cercam Cristiano Ronaldo

    A crítica não foi discreta. O ex-craque francês Thierry Henry resumiu o problema com uma frase dura durante sua análise das partidas da Copa do Mundo: "É a equipe que precisa marcar, não o indivíduo", citando um momento em que Ronaldo recuou em vez de avançar para abrir espaço para seu companheiro, num instante em que o time precisava, mais do que nunca, arrancar em direção ao gol, e não se afastar dele.

    Mais do que isso veio de dentro do próprio campo, quando o meio-campista do Congo Ngalayel Mukau foi questionado se havia um plano específico para marcar Ronaldo, e respondeu com franqueza: "Sabemos que ele não é mais o jogador que já foi, e que envelheceu, mas continua sendo um dos melhores jogadores da história".

    Apesar de tudo isso, Roberto Martínez, ex-técnico de Portugal, não teve coragem de tirá-lo de campo. Pelo contrário, defendeu sua decisão abertamente: "Não faz sentido tirar o maior artilheiro histórico em uma partida na qual precisamos muito marcar", acrescentando que a experiência de Ronaldo na grande área "é insubstituível".

  • Publicidade
  • Dammam: a ousadia de Postecoglou

    Cerca de dois meses depois, e em um contexto completamente diferente – uma equipe jogando com dez jogadores e perdendo por 2 a 0 –, Postecoglou tomou a decisão que o técnico da seleção de Portugal evitou: tirar Cristiano Ronaldo completamente da equação e passar a apostar em Al-Khaibari e depois em Al-Hamdan na tentativa de recuperar o equilíbrio. E o resultado veio para reforçar a decisão: uma virada completa, com dois gols de Sadio Mané e um de Al-Omari, e vitória por 3 a 2.

    Aqui a pergunta se torna, de certa forma, legítima: Postecoglou foi realmente mais ousado do que Martínez, ou os dois cenários são essencialmente diferentes, de modo que a comparação não é válida? Em Houston, Portugal precisava de um gol e a única solução apresentada era apostar no histórico goleador de Cristiano Ronaldo.

    Em Dammam, o Al-Nassr precisava primeiro de um equilíbrio numérico, algo que não tem relação direta com a capacidade goleadora de Cristiano Ronaldo, mas sim com o seu posicionamento em campo como um jogador que não participa das fases de pressão e transição.

    Mas, mesmo com essa explicação, a observação permanece: esta é a primeira vez nesta temporada, especificamente, em que um técnico decide – em um momento de crise real – que o caminho para voltar ao jogo não passa por Cristiano Ronaldo, mas sim completamente sem ele.

  • Números impressionantes: uma decisão que vai abrir o debate

    Cristiano Ronaldo não fez o suficiente no primeiro tempo para mudar a decisão de Postecoglou, limitando-se a apenas duas finalizações, uma delas no alvo, e o valor de gols esperados de suas tentativas foi de apenas 0,05, segundo estatísticas do Sofascore.

    Mais significativa foi sua participação limitada na construção do jogo, tendo tocado na bola apenas 7 vezes e completado 3 dos 5 passes tentados, entre eles um único passe para o terço ofensivo, sem criar qualquer chance para os companheiros nem registrar um passe decisivo. Com o Al-Nassr perdendo por dois gols e jogando com um a menos desde o minuto 12, a necessidade era ainda maior por um jogador capaz de influenciar continuamente a partida, algo que Cristiano Ronaldo não demonstrou durante os primeiros 45 minutos.

    Por isso, a decisão de Postecoglou de substituí-lo no início do segundo tempo pareceu lógica sob a ótica dos números, ainda que o resultado final dessa decisão permaneça em discussão depois de o Al-Nassr conseguir, mais tarde, virar a partida.

  • GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

    Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

    Siga a GOAL no Google
  • Chegou o capítulo final? Uma resposta indefinida

    Cristiano Ronaldo está com 41 anos, sofre bastante no ambiente desorganizado do Al-Nassr e, após um desempenho aquém das expectativas na Copa do Mundo, parece se aproximar de uma fase em que o fator tempo não pode mais ser ignorado.

    Mas afirmar que o fim já começou seria precipitado. Uma única partida, ou uma única decisão de substituição, não bastam para julgar um jogador que construiu sua carreira desafiando as expectativas. Da mesma forma, a capacidade de Ronaldo de marcar e de fazer a diferença não pode ser reduzida a um momento passageiro.

    Mas uma coisa mudou: a própria pergunta deixou de ser inconcebível. Durante longos anos, falar em deixar Ronaldo de fora ou tirá-lo de uma partida parecia uma afronta ao seu status. Hoje, tornou-se natural que os treinadores discutam decisões relacionadas ao seu papel e à sua influência, e que se levantem pontos de interrogação sobre sua capacidade de apresentar o mesmo nível que o mundo se acostumou a ver.

    Os ponteiros do tempo não param, nem mesmo diante dos maiores craques. E Ronaldo, por mais que se prolongue sua vida dentro dos gramados, não consegue detê-los.

    E a pergunta mais precisa agora não é se ele chegou ao fim, mas quando o futebol começará a obrigá-lo a aceitar a realidade de que a versão que o mundo conheceu dele já não é mais a mesma.