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Diniz quebra silêncio sobre saída de Memphis e admite frustração no Corinthians

O empate sem gols entre Corinthians e Rosario Central, na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores, ficou em segundo plano durante a entrevista coletiva de Fernando Diniz. Pela primeira vez desde o fim das negociações, o técnico falou sobre a saída de Memphis Depay e admitiu ter ficado frustrado com a decisão do presidente Osmar Stabile.

Diniz revelou que esperava trabalhar com o atacante e afirmou que, do ponto de vista do departamento de futebol, a renovação estava praticamente acertada.

"Fiquei muito triste e decepcionado com o desfecho. Tinha uma vontade muito grande de trabalhar com ele. Meu contato com ele foi de muita qualidade, entendimento e fazer coisas boas juntos. Naquele estágio que estava era uma impossibilidade", disse.

"Estava praticamente fechado, para nós estava fechado. Faltavam detalhes pequenos. Uma pena para mim e para o Corinthians. Eu tinha muito gosto de poder trabalhar com o Memphis, poderíamos fazer uma dupla interessante. Infelizmente não foi dessa vez", lamentou.

A decisão também repercutiu dentro do elenco. Segundo Diniz, jogadores e integrantes do departamento de futebol sentiram o desfecho, principalmente pela relação construída por Memphis durante os quase dois anos no clube.

"Todo mundo sentiu no departamento de futebol. O Marcelo Paz, o Julio Manso e todos os jogadores. O Memphis ficou dois anos aqui. Além dos títulos, ele criou relações com todo mundo. De repente, ele até viria para a viagem, estava tudo certo", explicou.

Apesar da frustração, o treinador fez questão de valorizar a postura dos jogadores que enfrentaram o Rosario Central. Para Diniz, o momento negativo fora de campo serviu como combustível para o grupo buscar um resultado importante na Argentina.

"Teve uma frustração. Os jogadores foram mais uma vez fora de série, como têm sido comigo. Entrega e doação. Eles conseguiram fazer de um evento triste uma motivação para ter uma entrega maior", afirmou.

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    Pressão após desfecho

    A decisão de não renovar com Memphis ainda pode ganhar novos capítulos. Segundo o Uol, a pressão sobre Osmar Stabile aumentou nos bastidores, principalmente diante da possibilidade de o atacante cobrar valores relacionados ao contrato que não foi cumprido.

    A dívida e as pendências envolvendo os acordos anteriores podem levar a uma cobrança de aproximadamente R$ 180 milhões. O cenário aumentou a preocupação dentro do Corinthians e abriu espaço para a discussão de uma eventual retomada das negociações.

    O estafe de Memphis mantém conversas com os departamentos financeiro e jurídico do clube, responsáveis por tratar das pendências. Stabile, por sua vez, admite internamente a possibilidade de voltar à mesa caso o jogador aceite reduzir a pedida.

    Uma eventual nova proposta poderia manter os cerca de R$ 54 milhões referentes a salários e direitos de imagem por dois anos, mas retirar valores ligados a ações de marketing e ajuda de custo. Juntos, esses itens ultrapassariam R$ 20 milhões durante o período.

    Outra alternativa seria buscar patrocinadores dispostos a participar diretamente do financiamento do novo contrato, permitindo ao Corinthians utilizar recursos externos para reduzir o impacto da operação no caixa.

    Até o momento, porém, nenhuma dessas possibilidades avançou para uma nova rodada oficial de negociação. Internamente, o cenário ainda é considerado difícil.

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    Caso não deve servir como desculpa

    Apesar de ter lamentado a saída de Memphis, Diniz não quer que a ausência do holandês seja utilizada como justificativa para eventuais dificuldades do Corinthians na sequência da temporada.

    O treinador concentra suas cobranças no departamento de futebol e entende que o clube precisa criar condições para que os jogadores que permaneceram no elenco possam desempenhar seu melhor futebol.

    Nesse contexto, Diniz considera o cumprimento dos compromissos financeiros com os atletas um ponto importante para manter o ambiente adequado no grupo. A ideia é que o Corinthians encontre soluções internamente e não transforme a saída de Memphis em explicação para possíveis resultados negativos.

    Na entrevista após o empate com o Rosario Central, o treinador deixou claro que esperava contar com o atacante, mas também indicou que a equipe precisará seguir em frente sem ele.

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    Satisfeito com desempenho

    Sobre a partida na Argentina, Diniz comparou a atuação com os jogos recentes contra o Internacional, pela Copa do Brasil, e destacou a evolução defensiva do Corinthians.

    "Contra o Inter pecamos no comportamento. Faltou, na ida, o que tivemos na volta, em Bragança e hoje: se defender bem e, quando tiver a bola, acelerar o jogo. Foi um erro estratégico. O time soube aprender com aquilo", avaliou.

    O Corinthians teve poucas oportunidades ofensivas, mas conseguiu limitar o Rosario Central durante boa parte da partida. Mesmo depois da expulsão de Allan na reta final, o time alvinegro manteve a organização defensiva e garantiu o empate sem gols.

    Com o resultado, o Corinthians precisa de uma vitória simples no jogo de volta, na Neo Química Arena, para avançar às quartas de final da Libertadores. Um novo empate por 0 a 0 leva a decisão para os pênaltis, enquanto qualquer igualdade com gols favorece o time argentino.

    O confronto decisivo está marcado para a próxima quinta-feira (20), às 21h30 (de Brasília), em São Paulo.

    Antes disso, o Timão volta a campo pelo Campeonato Brasileiro. O Corinthians recebe o Cruzeiro neste domingo (16), às 19h30 (de Brasília), na Neo Química Arena.

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