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Decisão sobre Memphis divide Corinthians e aumenta pressão sobre Stabile

Depois de meses de negociações, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, decidiu não renovar o contrato de Memphis Depay. A decisão foi comunicada na última terça-feira (11), durante uma passagem do dirigente pelo CT Joaquim Grava, e provocou mal-estar entre jogadores, comissão técnica e profissionais do departamento de futebol.

Stabile chegou ao CT pouco antes da delegação viajar para a Argentina, onde o Corinthians enfrentaria o Rosario Central pela ida das oitavas de final da Libertadores. Antes de a equipe deixar o local, o presidente comunicou a decisão ao técnico Fernando Diniz e ao executivo de futebol Marcelo Paz. Ao mesmo tempo, os advogados de Memphis foram informados por um funcionário do departamento financeiro. Minutos depois, o clube divulgou uma nota oficial anunciando que não seguiria com a renovação.

O elenco tomou conhecimento da saída do camisa 10 praticamente ao mesmo tempo que o restante do clube. A condução do processo desagradou parte dos jogadores e aumentou o desgaste entre o grupo e a diretoria, que já convive com problemas relacionados a atrasos de salários, direitos de imagem e premiações. Zakaria Labyad, inclusive, jogador indicado por Memphis ao Corinthians, publicou nas redes sociais uma imagem relacionada à comemoração do holandês como forma de apoio ao amigo.

A decisão também expôs uma divisão interna no Corinthians. Enquanto setores políticos do clube pressionavam pela não renovação, o departamento de futebol defendia a permanência do atacante. Marcelo Paz e Fernando Diniz eram favoráveis ao novo contrato e haviam manifestado essa posição ao presidente.

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    Divergências ao longo do tempo

    A negociação entre Memphis e Corinthians foi marcada por idas e vindas ao longo dos últimos meses. Para permanecer no clube, o atacante havia aceitado alterar diversos pontos do contrato anterior, que vigorou de setembro de 2024 a julho deste ano. O novo acordo previa redução de remunerações e mudanças nas bonificações, além de um vínculo de dois anos, em vez dos três inicialmente desejados pelo jogador. Memphis também concordou em parcelar os R$ 42 milhões que o Corinthians ainda lhe devia.

    Com o avanço das tratativas, o holandês voltou ao Brasil em 4 de agosto e passou por uma série de exames médicos. Ele foi aprovado nas avaliações realizadas pelo departamento médico do Corinthians, contrariando a expectativa de aliados de Stabile que acreditavam que os testes poderiam apontar problemas físicos.

    Os últimos detalhes do contrato foram discutidos nos dias seguintes e, segundo o estafe de Memphis, o documento estava pronto para ser assinado desde o fim de semana. Os departamentos financeiro, jurídico, de futebol e de marketing também estavam alinhados para a conclusão do negócio. Ainda assim, Stabile decidiu não assinar o novo vínculo.

    Memphis se sentiu traído pela mudança de posição. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que a renovação havia sido acordada pelo presidente e pelos departamentos esportivo, jurídico e financeiro do clube.

    "Essa renovação foi explicitamente acordada pelo presidente, assim como pelo departamento esportivo, jurídico e financeiro. Algumas pessoas decidiram, no entanto, romper esse compromisso."

    O departamento de marketing chegou a encontrar quatro empresas dispostas a ajudar no pagamento de uma verba de R$ 15 milhões prevista no novo contrato. Também havia negociações para que dois parceiros contribuíssem com uma ajuda de custo mensal de R$ 250 mil. Mesmo com os entraves jurídicos solucionados, porém, Stabile entendeu que o custo do jogador continuava alto demais para a realidade financeira do Corinthians.

    Nos bastidores, o presidente justificou a decisão com a necessidade de priorizar a recuperação financeira do clube. A avaliação de Stabile era de que o Corinthians não poderia assumir um compromisso elevado em meio à crise.

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  • Corinthians v Palmeiras - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Decisão pode parar nos tribunais

    O fim da negociação ainda pode gerar novos problemas para o Corinthians. Pessoas ligadas a Memphis entendem que existem elementos para cobrar judicialmente não apenas a dívida do contrato anterior, mas também o valor integral do novo vínculo que havia sido acordado, embora não tenha sido assinado.

    Segundo o ge, o estafe do holandês avalia cobrar cerca de US$ 20 milhões, aproximadamente R$ 103 milhões, referentes ao contrato que havia sido costurado com o Corinthians. Caso Memphis obtenha uma decisão favorável, o débito total do clube com o jogador poderia chegar perto de R$ 180 milhões.

    Memphis havia concordado em receber os R$ 42 milhões da dívida anterior de forma parcelada e sem juros ou multas. Após a reviravolta nas negociações, entretanto, o atacante não pretende mais abrir mão desses encargos. Com a incidência de juros, o valor pode chegar a aproximadamente R$ 77 milhões.

    O estafe do jogador entende que houve um acordo de boa-fé entre as partes. A presença de Memphis no Brasil para realizar exames médicos, a troca de documentos e mensagens sobre as minutas do contrato e a definição das últimas cláusulas são apontadas como indícios de que a renovação estava encaminhada.

    O Corinthians, por sua vez, está ciente da possibilidade de judicialização e entende ter respaldo para sustentar a decisão de não assinar o contrato. Memphis já indicou que pretende reagir para defender seus interesses e não descarta medidas na Fifa e na Justiça.

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    Futuro do holandês

    Mesmo com o fim da passagem pelo Corinthians, Memphis pode continuar no futebol brasileiro. O atacante está aberto a ouvir propostas de clubes do país e não descarta defender um rival do Timão.

    Ainda segundo o ge, quatro clubes brasileiros da Série A que disputam competições sul-americanas chegaram a procurar os representantes do jogador enquanto ele ainda negociava a renovação com o Corinthians. Naquele momento, as conversas não avançaram por respeito ao clube paulista. Agora, a tendência é que esses contatos sejam retomados.

    O holandês também recebeu sondagens de clubes da França, México, Turquia, Qatar e Arábia Saudita, mas os projetos não foram considerados suficientemente atrativos. Memphis pretende permanecer em uma liga competitiva e em uma equipe que ofereça visibilidade esportiva.

    A permanência no Brasil ainda é considerada uma possibilidade concreta. Memphis criou vínculos no país, possui projetos comerciais e gostou da vida no Brasil. O principal obstáculo é o salário elevado, embora o fato de estar livre no mercado possa facilitar uma negociação. Dois clubes brasileiros que já haviam feito sondagens demonstraram disposição para trabalhar com valores próximos aos que estavam sendo discutidos pelo Corinthians.

    Maior artilheiro da história da seleção holandesa, Memphis deixa o Corinthians após 79 partidas, 20 gols e três títulos conquistados: Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa do Brasil.

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