Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt
+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento
ShevchenckoVoetbalzone
Traduzido por

Como um pequeno estádio se tornou um símbolo de resiliência, união e esperança

"Passando por arquibancadas destruídas, por corredores repletos de vidro e concreto, entrei em campo. Crianças corriam ao redor de um grande cratera negra; estavam jogando futebol. Era doloroso de ver, mas, de certa forma, também me comoveu. O inimigo pode ter destruído o campo, mas não a paixão das crianças pelo seu jogo favorito."

Uma história comovente e inspiradora de Andriy Shevchenko, um dos maiores jogadores de futebol ucranianos de todos os tempos. O atacante que causou furor durante anos na lendária grama do San Siro, levou os zagueiros à loucura e fez parte do que talvez tenha sido o melhor AC Milan de todos os tempos, deu ali seus primeiros passos no que acabaria se tornando uma carreira fabulosa. Ainda antes dos milhares de torcedores, dos grandes prêmios e da fama internacional, era justamente ele quem corria por ali: provavelmente com uma camisa grande demais, um calção que ia bem abaixo dos joelhos, mas com sonhos tão grandes quanto os das crianças de hoje.


“O goleiro defende o gol, mas como protegê-lo contra um foguete?” – Oleksandr Shovkovskyi, lenda do clube Dinamo Kyiv.


Esta é a história do Estádio Chempion “Campeão” em Irpin, um subúrbio da capital ucraniana, Kiev. A história de um estádio que não é apenas um estádio, mas que se tornou um símbolo de resiliência e esperança.

  • House of Culture IrpinImago

    As cicatrizes

    A guerra que assolou a cidade de cerca de 80 mil habitantes, de 24 de fevereiro de 2022 até o final de março de 2022, deixou marcas profundas. Os inúmeros buracos de bala, casas destruídas, pedaços de concreto espalhados e infraestrutura devastada podem não dominar mais a paisagem urbana — mas não desapareceram de forma alguma, consciente ou inconscientemente.

    Assim, a poucos passos do estádio, ainda se ergue a imponente “Casa da Cultura”, que por décadas foi o principal local onde as pessoas se reuniam para desfrutar de peças de teatro e concertos. O edifício já era impressionante antes da invasão, com suas colunas brancas maciças e fachada azul-clara, mas isso ficou ainda mais acentuado agora que a fachada está crivada de buracos de bala.

    Também não muito longe do estádio corre o rio Irpin, agora internacionalmente conhecido. Durante a batalha, os ucranianos explodiram uma ponte para conter o avanço dos russos — e com sucesso. Ainda hoje, mais de quatro anos depois, os escombros permanecem no mesmo lugar, ao lado da nova ponte: como uma obra-prima, uma homenagem a Irpin.

    Afinal, esses vestígios de uma página negra da história não são apenas cicatrizes de destruição e tristeza: tornaram-se também sinais de esperança, resiliência e resistência. Assim como o estádio. Pois poucos dias após o fim da batalha em Irpin, as crianças voltaram a jogar futebol. “Jogamos futebol mesmo nessas condições, porque faz bem para o nosso ânimo e tentamos não pensar na guerra”, disse Daniil Kisel, de 25 anos, técnico de uma equipe do Olymp Irpin, ao The New York Times.

  • Publicidade
  • Irpin StadiumImago

    Onde se formam os campeões

    Em 2016, o estádio multifuncional surgiu em Irpin, no mesmo local onde Shevchenko deu seus primeiros passos como jogador de futebol. O Estádio “Kampioen”: não é o maior — tem capacidade para apenas mil espectadores —, mas é o coração pulsante da cidade. Diariamente, cerca de quinhentas pessoas circulavam por lá. Desde pais que acompanhavam orgulhosamente cada movimento de seus filhos e treinadores fanáticos que, com o rosto corado, davam instruções, até crianças sorridentes que voavam pelo campo com sonhos que talvez fossem maiores do que os limites da cidade.

    Além disso, o estádio não era apenas a sede do clube juvenil Olymp Irpin, mas também da escola de futebol do Real Madrid. Ademais, torneios nacionais e internacionais conferiam ao estádio um prestígio que ultrapassava em muito seu tamanho modesto. Era um lugar onde se podia ganhar e perder, onde se faziam amizades, aprendiam-se lições importantes e criavam-se memórias. Em suma, um lugar onde se podia simplesmente ser criança.

    Até que a guerra chegou.

  • Irpin Stadiumimago

    Sozinho, mas sem desistir

    "Eu sabia o que tinha que fazer assim que vi o estádio: ele precisa ser restaurado. E é isso que vou fazer."

    Shevchenko não ficou só nas palavras. Como embaixador da UNITED24, ele arrecadou fundos para a reconstrução. Grandes clubes como o AC Milan e o Shakhtar Donetsk contribuíram, assim como vários clubes da Série A, como se o mundo do futebol compreendesse que havia algo mais em jogo aqui do que um monte de tijolos e um novo gramado artificial.

    Mas os danos causados pela guerra não se recuperam rapidamente. A renovação está muito aquém do esperado, apesar de terem sido dados passos e de o campo já ter sido recuperado. A verdadeira extensão da destruição revelou-se maior do que se estimava, os custos ascenderam a cerca de 5,5 milhões de euros e as empreiteiras se alternaram em ritmo acelerado. Mais de três anos depois, o estádio ainda não está pronto. Muito já foi restaurado, mas não há uma data definitiva para a conclusão.

    É revelador o que, entretanto, já está sendo construído: sob as arquibancadas, será construído um abrigo antiaéreo. No local onde, em breve, os pais voltarão a torcer por seus filhos, essas mesmas pessoas poderão buscar proteção quando o alarme antiaéreo soar. Sonhos e perigo coexistem na Ucrânia de hoje, e esse fato torna a reconstrução deste estádio difícil, mas também significativa.

    Pois, em algum lugar desse campo, um menino já correu com uma camisa grande demais e sonhos ainda maiores. Ele se tornou uma lenda. E as crianças que ele viu correndo ao redor daquele cratera negra também sonham. Mas os sonhos precisam de um lugar, e elas merecem ter esse lugar de volta.


  • GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

    Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

    Siga a GOAL no Google