O sistema de controle financeiro da Premier League, chamado Rentabilidade e Sustentabilidade (P&S), foi implementado na temporada 2015/2016 para garantir a estabilidade financeira dos clubes e manter a competitividade do campeonato. Ele é semelhante ao Fair Play Financeiro da Uefa, estabelecendo limites claros para as perdas que os clubes podem ter em um período de três temporadas.
O regulamento permite um prejuízo máximo de 105 milhões de libras nesse período, com os proprietários podendo cobrir até 90 milhões de libras dessas perdas por meio da compra de ações, mas não através de empréstimos ao clube.
No entanto, esses 105 milhões de libras não são tão simples quanto parecem. Apenas 15 milhões de libras dessas perdas podem ser do “dinheiro próprio” do clube. O restante deve ser coberto por financiamento seguro, o que significa que os proprietários precisam comprar mais ações do clube. Além disso, certos custos, como investimentos em desenvolvimento de jovens, infraestrutura e projetos comunitários, podem ser deduzidos do cálculo total, tornando a regra ainda mais complexa.
O sistema P&S também é aplicado em ligas inferiores na Inglaterra, como a segunda divisão inglesa, embora com limites financeiros menores. A Premier League exige que os clubes enviem suas informações financeiras ao Conselho até o dia 1º de março de cada ano. Isso inclui não apenas as contas anuais detalhadas, como balanços patrimoniais e receitas, mas também relatórios projetando lucros, perdas e fluxos de caixa para o futuro.
Essa transparência é fundamental para que a liga monitore de perto a saúde financeira dos clubes e tome medidas preventivas contra possíveis desequilíbrios. Em casos de violação das regras financeiras, uma comissão independente é formada para investigar e, se necessário, aplicar sanções. As punições podem variar, desde a dedução de pontos até a exclusão da competição, dependendo da gravidade da violação.
A Premier League é frequentemente criticada quando o assunto envolve o Manchester City e as supostas violações financeiras. Em um caso sem precedentes, o clube foi acusado de 115 violações das regras financeiras ao longo de nove temporadas, de 2009 a 2018. Essas acusações incluem a omissão de informações financeiras precisas e supostos esquemas para burlar as regras de rentabilidade e sustentabilidade da liga.
A demora na resolução desse caso, em contraste com a rapidez na punição ao Everton, por exemplo, gera indignação entre os torcedores, especialmente considerando as complexidades diplomáticas e as alegações de corrupção envolvendo o proprietário do clube, Sheikh Mansour. O Manchester City nega veementemente as acusações.