O que o Al-Hilal deseja com a janela de transferências de verão? É a pergunta que a torcida do clube saudita faz, sem encontrar uma resposta clara, diante de um estado de confusão vivido pela diretoria do clube, sobretudo no nível das contratações estrangeiras.
AFPA maldição do dinheiro: a tragédia de Mbappé e Vinícius vai se transferir do Real Madrid para o Al-Hilal?
Getty Images SportO Al-Hilal contratou Somerville para ser reserva?
O Al-Hilal, da Arábia Saudita, já fechou sua primeira contratação estrangeira na janela de transferências de verão, ao acertar a chegada do ponta holandês Crysencio Summerville, vindo do West Ham United, por 80 milhões de euros, segundo alguns relatos da imprensa.
De acordo com essas informações, Summerville se tornou a segunda contratação mais cara da história do Campeonato Saudita, atrás apenas do brasileiro Neymar da Silva, que se juntou ao Al-Hilal vindo do Paris Saint-Germain no verão de 2023 por 90 milhões de euros.
Logo após a conclusão do negócio envolvendo Summerville, o nome do Al-Hilal foi associado à contratação de outros jogadores para o setor ofensivo, e o curioso é que alguns deles também atuam na posição de ponta esquerda, a mesma do jogador holandês.
O maior nome entre eles era o do colombiano Luis Díaz, ponta do Bayern de Munique, além do inglês Jack Grealish, de volta ao Manchester City após o fim de seu empréstimo ao Everton.
As negociações com esses jogadores levantaram diversos questionamentos sobre a situação de Summerville, e se o Al-Hilal o contratou por essa quantia elevada para ser reserva de outro jogador estrangeiro de maior renome, como Díaz e Grealish.
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Por outro lado, o nome do Al-Hilal foi associado à contratação de outros jogadores, mais habilidosos na posição de ponta-direita ou de centroavante, a exemplo do atacante inglês Harry Kane, do ponta francês Ousmane Dembélé e do senegalês Iliman Ndiaye.
A contratação de um deste trio permanece mais compreensível, uma vez que significaria abrir mão de um dos jogadores atualmente no elenco, e não de um jogador recém-chegado.
Se o Al-Hilal for bem-sucedido na contratação de Harry Kane, pode sacrificar seu astro francês Karim Benzema, algo que não está distante, diante da maldição de lesões que o atingiu durante a segunda metade da última temporada.
Já no caso da contratação de Ndiaye, o mais próximo de deixar o clube seria o ponta brasileiro Malcom, o que também é possível, diante do desejo de alguns clubes brasileiros, cataris e emiratenses de contar com seus serviços.
Já no caso da contratação de Dembélé, a decisão caberá ao técnico italiano Simone Inzaghi, para definir sua vítima, já que o astro francês pode atuar na posição de ponta-direita, bem como de centroavante nato, como vem jogando ultimamente.
A lição não está nos nomes
De acordo com o que revelou o jornalista Sacha Tavolieri, o Al-Hilal reservou um orçamento gigantesco de 350 milhões de dólares para contratações na atual janela de transferências de verão, um valor extremamente alto para o Campeonato Saudita.
No entanto, embora essa quantia possa atrair alguns astros de primeira linha do futebol mundial, ela também pode destruir o próprio Al-Hilal, caso não seja gasta com aquilo de que a equipe precisa, sendo substituída pela busca por nomes badalados.
A contratação de Luis Díaz seria um negócio muito forte, caso se concretize, mas isso valia antes da chegada de Summerville. Agora, porém, essa transferência criaria uma grande crise, pois o ponta holandês seria obrigado a mudar de posição para jogar, ou a se contentar em ficar no banco de reservas.
O próprio Al-Hilal seria o maior prejudicado, pois, em vez de o elenco contar com 8 jogadores estrangeiros que poderiam todos atuar como titulares em suas posições, ele seria obrigado a deixar alguns deles no banco de reservas, ou a colocá-los em posições que não são de sua preferência no campo.
A tragédia de Mbappé e Vinícius
E não há melhor exemplo disso do que o Real Madrid, que possui uma constelação de nomes brilhantes, mas fracassou em conquistar qualquer título, com exceção da Supercopa da Europa e da Copa Intercontinental de Clubes, nas duas últimas temporadas.
O fator comum nessas duas temporadas foi a chegada do astro francês Kylian Mbappé, em uma transferência gratuita, após o fim de seu contrato com seu antigo clube, o Paris Saint-Germain.
E desde a chegada de Mbappé, todos os treinadores do Real — Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa — tentaram uni-lo ao astro brasileiro Vinícius Júnior em campo, seja mudando a posição de um deles, seja escalando ambos na mesma posição.
E o resultado foi o mesmo: os treinadores fracassaram nessa ideia no aspecto técnico, e a equipe sofreu com as consequências, tanto no aspecto ofensivo quanto no defensivo.
Além disso, a série de problemas nos vestiários nunca chegou ao fim, e alguns deles vieram a público, como a contrariedade de Vinícius Júnior com a decisão de Xabi Alonso de substituí-lo no clássico do Campeonato Espanhol.
Esse é o dilema que o Real Madrid tenta resolver no momento, por meio da venda de Vinícius Júnior, caso ele não aceite a renovação, para provar que o que importa não são os nomes dos astros nem seu valor financeiro, mas sim sua produção dentro de campo.
E no momento em que o Real Madrid aprende a lição da maneira mais difícil, após duas temporadas praticamente em branco, o Al-Hilal está prestes a cometer o mesmo erro, esperando um resultado diferente, algo em que não deve cair.
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