Relação de Maradona com Pelé terminou como começou: com admiração

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Da admiração do argentino pelo brasileiro, passando pelos atritos até o último grande abraço - ainda que virtual - em outubro de 2020

Maradona ou Pelé? A pergunta que buscava responder quem era o maior jogador de futebol de todos os tempos passou a ser feita especialmente a partir de meados da década de 1980, quando o argentino alçou status de lenda pelos seus feitos em campo e, em especial, na Copa do Mundo de 1986. A resposta para esta pergunta, que hoje em dia ainda inclui Lionel Messi, pouco importa neste momento em que nos despedidos fisicamente de Diego, que faleceu neste 25 de novembro de 2020. A certeza é que El D10s foi o mais humano de todos os deuses da bola.

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Ou seja, Maradona está no mais alto panteão sagrado de craques do futebol. Mas antes de ser comparado a Pelé, de levantar polêmicas em relação ao brasileiro, antes de se reconciliar para depois voltar a alfinetar o Atleta do Século, Diego começou como um dos inúmeros fãs do santista. Conhecer Pelé, para o jovem de 18 anos que encantava o seu país ainda vestindo a camisa do Argentinos Juniors, era um sonho. E um sonho que Diego viveu em 1979.

Foi somente anos depois que a admiração virou rivalidade. Algo que, nas palavras de Pelé, foi mais alimentado pela imprensa do que por ambos. No livro “Yo soy el Diego de la gente”, biografia oficial de Maradona, datado dos anos 2000, o argentino exalta o brasileiro, mas também tece críticas.

“Eu queria ter visto ele se propondo, como eu fiz, a presidir alguma associação que defenda os direitos dos jogadores, que tivesse ajudado o Garrincha para não o deixar morrer na ruína, que lutasse contra todas as ações dos poderosos que nos prejudicam. Eu não me comparo a ele, sempre disse isso e volto a repetir. E quando digo que não me comparo, não falo apenas de questões futebolísticas. Tive a oportunidade de cruzar com ele várias vezes. A primeira, em 1979, quando (a revista) El Gráfico me levou para conhecê-lo no Rio. Depois, em alguns jogos de homenagens e coisas assim. A última, quando houve a possibilidade de fazermos negócio juntos em 95” relatou. “Nós tínhamos muitas discordâncias; quando nos encontrávamos, saía faísca”, completou.

La Noche del Diez: a noite histórica

O “quase negócio” retratado por Maradona foi quando Pelé tentou o levar, em 1995, para o Santos. Anos depois da publicação de sua autobiografia, Maradona e Pelé tiveram, em 2005, um encontro público no programa de TV então apresentado por Diego na TV argentina. Em “La Noche del Diez”, eles conversaram sobre quase tudo, com Pelé inclusive abrindo o coração para falar sobre os problemas de dependência química de seu filho; fizeram embaixadinhas com a cabeça e se abraçaram.

"Quem sou eu, Maradona? Quem é você? Você quer ser eu. E eu quero ser você”, cantou Pelé, dedilhando um violão, para o então apresentador do programa.

Mas outras polêmicas volta e meia retornavam, quase como em um morde-e-assopra.

“Acho que o melhor (jogador da história) foi Di Stéfano. Ele foi superior a todos, incluindo eu mesmo. Pelé não queria reconhecer Di Stéfano. Os amigos de Pelé inventaram para ele um troféu como uma lenda viva do futebol. Mas eu o bati até no Rio de Janeiro quando fizeram uma eleição sobre os melhores jogadores da história”, disse Maradona, em dezembro de 2019, ao TyC Sports.

O ciclo se completa

Maradona Pelé juntos evento abrazo 09062016 (Foto: Getty Images)

Curiosidade do destino que, nos últimos meses de sua vida, Maradona tenha ido às redes sociais para chamar Pelé, mais uma vez, de Rei. Aconteceu nas comemorações de 80 anos do brasileiro, no mesmo mês de outubro em que também faz aniversário.

“Quero me somar a esta homenagem universal, muitos felizes 80 anos de vida, Rei Pelé”, escreveu Maradona, com uma imagem em que as lendas já apareciam juntas, mais velhas e sorridentes. Juntos. Um ciclo que ficou completo desde a idolatria como adolescente, passando pelo vai-e-vem de críticas até a última reverência.

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Dias depois, foi a vez de Pelé retribuir a gentileza: “Meu grande amigo, Maradona. Eu vou sempre te aplaudir. Eu vou sempre torcer por você. Que a sua jornada seja longa e que você continue sempre sorrindo, e me fazendo sorrir também! Feliz aniversário!”.

E foi Pelé, neste 25 de novembro, quem escreveu uma das mensagens mais emocionantes de todas para se despedir de Maradona. Emocionante pelo fato em si, pelos personagens envolvidos... e pelo pensamento no reencontro com Diego.

“Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu”, escreveu Pelé.

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