Mbappé brilha com protagonismo nesta Champions, mas PSG tem muitos heróis

Além do atacante francês e Neymar, Keylor Navas foi decisivo para evitar que a superioridade do Bayern se transformasse em gols na ida das quartas

Uma curiosidade que surgiu quando Maurício Pochettino foi anunciado como treinador do PSG, no decorrer da atual temporada, foi sobre como o argentino, conhecido por fazer bons trabalhos em times sem estrelas (quando chegou ao Tottenham, Harry Kane e Son não eram o que são hoje), trabalharia em um elenco conhecido notoriamente pelas suas grandes prima donnas – como Neymar e Mbappé, por exemplo. A resposta mais óbvia? O equilíbrio, é claro.

Logo em sua primeira entrevista neste retorno ao PSG, agora como treinador, Pochettino deu a sua receita: pegar a energia do indivíduo em fazer história e convergi-la para o todo. “Acho que podemos alcançar o que este clube quer e o que os jogadores querem, porque eles são competidores e querem levantar troféus (...) Nosso principal objetivo é ter certeza de que todos estão caminhando na mesma direção”, afirmou o técnico em janeiro de 2021. A excelente vitória por 3 a 2 sobre o Bayern de Munique, na ida das quartas de final da Champions League, teve toques de brilhantismos individuais... mas o triunfo se manteve apenas porque o PSG não se resume a suas duas grandes individualidades.

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Mbappé foi, sem dúvidas, o grande protagonista da noite em Munique e suas exibições nesta Champions League tendem a puxar o jovem, do alto de seus 22 anos, para os holofotes mais nobres. O atacante francês foi o nome do primeiro mata-mata, com atuação de gala no Camp Nou contra o Barcelona, e fez os dois gols que serviram como aperitivo para a sonhada revanche do PSG contra o Bayern, seu algoz na última final europeia. Já são oito tentos nesta Champions 20-21, recorde para um francês em uma única campanha (igualado com Ben Yedder em 17-18 e David Trezeguet em 01-02).

Neymar mbappe Neymar e Mbappé, dupla decisiva na Champions (Foto: Getty Images)

Neymar também foi decisivo, construindo com velocidade e assistência o lance do primeiro gol de Mbappé – contando com falha do goleiro Neuer – e também sendo garçom no 2 a 0, com um cruzamento perfeito para Marquinhos estufar as redes. O zagueiro, que vinha sendo um dos melhores em campo também por evitar que os esboços do Bayern se transformassem na imagem de gol, saiu logo depois, por causa de lesão na panturrilha, e sua ausência foi incrivelmente sentida. Em dez minutos o time alemão chegou ao empate, com Choupo-Moting, ex-PSG, cabeceando para o fundo das redes. Thomas Müller, já no segundo tempo, fez valer o volume ofensivo do Bayern e empatou a contenda na Allianz Arena.

Manuel Neuer Marquinhos Bayern Munchen PSG Champions League 07042021 Marquinhos, presença e ausência sentidas (Foto: Getty Images)

Se o PSG não fez o melhor de seus jogos demonstrando força como conjunto, teve sorte de poder contar com tantos indivíduos decisivos em partes distintas do gramado. Neymar e Mbappé, autor do terceiro gol, no qual demonstrou toda a sua habilidade para puxar e finalizar contra-ataques, vocês já conhecem. Marquinhos já teve sua importância valorizada, seja pelo gol marcado ou pela forma com que o time sentiu sua ausência... mas o desfecho deste jogo de ida poderia ter sido bem diferente se Keylor Navas não estivesse sob as traves parisienses.

Keylor Navas, PSG (Foto: Getty Images)

O costarriquenho, um especialista em títulos de Champions nos seus tempos de Real Madrid, segue fazendo a diferença nos terrenos europeus. O Bayern criou muito mais oportunidades, seja no quantitativo (12 finalizações certas) quanto no qualitativo (criou as melhores chances, como mostra a estatística de gols esperados da partida, que terminou em 4.14 a 1.54 a favor dos alemães). Mas Keylor e suas 10 (!!!) defesas também salvaram a noite parisiense.

“Estamos frustrados, merecíamos ter vencido”, disse o francês Pavard, do Bayern, à RMC Sport após o jogo. “Ainda tem um jogo de volta e vamos fazer de tudo para nos classificarmos”, completou o lateral.

Quanto ao Paris, Pochettino e seus jogadores aproveitaram a vitória para enaltecerem o comprometimento do jogo em equipe, valorizando o sucesso em ter segurado o atual campeão de tudo: “Estou muito feliz com o resultado e com a atitude da minha equipe, que se viu perante situações complicadas num jogo frente à melhor equipe da Europa e conseguiu resistir. Há que felicitar os jogadores pelo espírito que demonstraram e espero que consigamos repetir mais vezes este tipo de exibições”, disse o técnico do PSG após o confronto.

Doar-se ao máximo sempre faz a diferença no futebol, mas caso permita ao Bayern tamanha superioridade no duelo de volta, marcado para a próxima terça-feira (13), o PSG pode se ver obrigado a rezar para que as individualidades de Keylor Navas, Neymar e Mbappé voltem a pesar a seu favor.

... Pensando bem, não é uma estratégia de todo absurda – além da ausência de Lewandowski, goleador do clube alemão, também encaminhada para a volta, o que não falta ao PSG é jogador capaz de decidir uma partida. Façam suas apostas.

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