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Mano Menezes Atlético-MG Cruzeiro Brasileirão Série A 04082019Bruno Haddad/Cruzeiro EC

De 'sardinha' a Mano Menezes: Bahia reforça lugar na elite

Em abril de 2011, a um mês do início do Campeonato Brasileiro, o técnico Joel Santana foi perguntado no programa "Bem, Amigos!", da Sportv, sobre uma suposta sondagem do Bahia, que voltava à Série A depois de sete temporadas nas divisões de acesso. Respondeu que estava esperando por peixe grande, não por sardinha.

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Em janeiro de 2017, o técnico Abel Braga, no Fluminense, foi perguntado sobre reforços do clube para a temporada quando soltou a seguinte frase. "Tinha um jogador bem encaminhado, mas que me surpreendeu. Ele poderia ter trocado uma BMW por um Audi, mas preferiu um Fusca. Não entendi". Na ocasião, reportagens citaram que era uma clara alusão ao volante Matheus Sales, trocando o Palmeiras pelo Bahia.

Agora, em 2020, a situação é bem diferente. No quarto ano consecutivo na Série A, não é novidade para ninguém que o Bahia se ajeitou e passou a ser um destino interessante para os jogadores. Clayson, Daniel, Zeca e Rossi chegaram, respectivamente, de Corinthians, Fluminense, Internacional e Vasco. Rodriguinho, reforço importante do Cruzeiro no ano passado, é outro que se mudou para Salvador.

Com a saída de Roger, abriu-se um lugar no comando técnico, e a contratação de Mano Menezes, confirmada pelo presidente Guilherme Bellintani na noite desta quarta-feira (09/09), reforça o Bahia como um time de elite. Não que o treinador seja certeza de sucesso, inclusive porque o gaúcho precisa se reerguer depois de uma temporada em que deixou o Cruzeiro no caminho da Série B e passou pelo Palmeiras para um período curtíssimo, sem destaque. Mas não deixa de ser simbólico para o novo momento do clube.

Treinadores se atentam muito ao que cada trabalho representa no caminho de suas carreiras. Quando ocupam uma determinada prateleira de clubes, custam a descer um degrau, porque sabem que a retomada é difícil. Nos últimos quinze anos, Mano construiu uma sequência (tirando um pulo na China) em que enfileirou Grêmio, Corinthians, seleção brasileira, Flamengo, Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras. Ao seguir para o Bahia, ele sinaliza que vê o clube como uma manutenção desse patamar. Em outros tempos, seria impensável, porque trocar Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte por Salvador seria visto como uma queda de nível.

É claro que o Bahia tem grandes técnicos em sua história, como Evaristo de Macedo, que dá nome ao atual Centro de Treinamento, ou a dupla Zezé e Aymoré Moreira. Por lá passaram outros tantos nomes bem conhecidos do futebol brasileiro, como por exemplo Fleitas Solich, Givanildo Oliveira, Vadão, Renato Gaúcho, Paulo Roberto Falcão, Caio Júnior, Paulo César Carpegiani e os citados no início, Joel Santana e Abel Braga. O próprio Roger, que fez um longo trabalho depois de treinar Grêmio e Palmeiras.

Também cabe reforçar que não se trata de uma superioridade regional onde muitas vezes os técnicos do Sul e Sudeste do país, apenas por serem próximos de camisas dessas regiões, soam como grandes demais, até maiores, que clubes nordestinos. Exageros do tipo "Fortaleza de Rogério Ceni" a cada citação, reforçando um estereótipo de hierarquia, como se esses personagens automaticamente elevassem a repercussão desses clubes só por serem de onde são.

No caso de Mano, se trata de uma novidade na organização do futebol brasileiro. Independentemente da qualidade do trabalho e dos gostos do torcedor, ele ainda era técnico da seleção no final de 2012, bicampeão da Copa do Brasil com o Cruzeiro em 2018, e na última temporada assumiu o então atual campeão brasileiro, o Palmeiras. Voltando à coisa da prateleira, concorde ou não: isso conta, e muito, no futebol. E o Bahia se meteu nessa elite que parecia tão restrita.

Nesse contexto, se confirma que o clube contrata um técnico de ponta, e que a circunstância é importante na consolidação do Bahia como lugar em que projeto, ambição, capacidade e engajamento dentro e fora de campo se mostram atraentes para jogadores e técnicos que teriam espaço em times que disputam o título, que jogam a Libertadores da América. Porque ainda que alguém possa dizer que o escolhido está em baixa, será mesmo que ele não poderia muito em breve ser o novo treinador de Corinthians, São Paulo ou Grêmio, como outro dia foi do Palmeiras?

Nada disso está necessariamente ligado à qualidade do trabalho de Mano a partir de agora, nem garante de véspera que o Bahia jogará melhor ou somará mais pontos que com Roger. Mas para quem há uma década era a "sardinha" em rede nacional, é um passo firme para se consolidar no topo.

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