Calleri, enfim, é jogador do São Paulo. A tradicional ilusão do torcedor tricolor nas redes sociais a cada nova janela de transferências se tornou realidade em agosto de 2021, cinco anos depois da primeira passagem de sucesso pelo Morumbi, em 2016. O argentinou assinou por empréstimo até o fim de 2022. O que mudou dessa vez para que a negociação fosse concretizada? A Goal conta os bastidores.
Desde o início da primeira tentativa de compra definitiva a estratégia do São Paulo tinha um grande trunfo como pilar: a proximidade do fim do contrato de Calleri com o Deportivo Maldonado, clube uruguaio gerido por empresários e dono dos direitos econômicos do atacante. O vínculo válido até 2022 dava vantagem de pressão para o Tricolor na negociação. O clube do Morumbi sabia que o Deportivo Maldonado tinha pouco tempo restante para tentar buscar uma venda para recuperar o investimento, sob risco de ver o atacante sair de graça e assinar um pré-contrato seis meses antes do término do vínculo.
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Diante desse cenário, o São Paulo fez propostas de compra com valores reduzidos e na intenção de começar a pagar por Calleri apenas em 2022 e de forma parcelada até 2024. Propositalmente o clube fez uma oferta inicial abaixo das expectativas, na qual ainda condicionava parte dos pagamentos à produtividade. A intenção era dar um sinal. Colocar um "bode na sala". O Deportivo Maldonado recusou essa e uma outra oferta com condições ligeiramente melhores, na expectativa por propostas melhores ao longo da janela de transferências internacional. Àquela altura, no meio de julho, havia tempo para ter esperança nesse sentido.
O problema para os uruguaios é que as semanas se passaram e uma oferta não chegou. Houve, inclusive, uma promessa dos agentes a Calleri de uma proposta do Valencia que nunca se confirmou. A situação causou incômodo e abriu a brecha que o São Paulo precisava. A estratégia do Tricolor tinha como pano de fundo a confiança de que não chegariam ao jogador opções europeias melhores do que o São Paulo, diante das últimas transferências feitas pelo atacante. Ele rodou por Osasuna, Espanyol, Alavés, Las Palmas e West Ham, sempre por empréstimo, nos últimos anos.
Com a janela na reta final e sem a confirmação de propostas europeias, São Paulo e Calleri retomaram a conversa na semana passada. Dessa vez em moldes diferentes do inicial: antes a tentativa era uma compra definitiva dos direitos e agora o modelo de negócio mudou para empréstimo. Nos últimos dias, Calleri buscou informação sobre quando fecharia a janela internacional para o Brasil.
Paralelamente à Calleri o São Paulo tentou Dario Benedetto, antes do Olympique de Marseille e agora no Elche, da Espanha, clube do empresário Christian Bragarnik. Houve um acordo entre clubes, mas a negociação emperrou na falta de acerto salarial com o jogador e nas comissões para o agente. O desejo do Tricolor nas últimas semanas era ter um novo centroavante para a disputa das quartas de finais da Libertadores contra o Palmeiras, na qual o time acabou eliminado.
Sem conseguir concluir a transferência nesse prazo, o São Paulo agora terá Calleri para a disputa do Brasileirão, pois ele não pode atuar na Copa do Brasil, cujo prazo de inscrições se encerrou. A ideia nessa contratação é aproveitar o rendimento técnico e esportivo de Calleri. Por isso, para além dos direitos econômicos, o clube queria ter os direitos federativos para poder usá-lo o quanto antes.
O Tricolor não enxerga Calleri como um estrangeiro, mas quase como um jogador são-paulino dada a identificação com o torcedor e a não necessidade de adaptação a um clube desconhecido, como seria o caso de alguma outra opção de mercado.
O São Paulo pagará 300 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão) por Calleri, com opção de compra de 2,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 12,9 milhões), cláusula que poderá se tornar obrigatória caso algumas metas sejam batidas pelo atacante.


