Zidane se tornou o primeiro homem a liderar um mesmo clube a três títulos consecutivos da Champions League, nos anos de 2016, 2017 e 2018. No ano de 2017, inclusive, ele ganhou o prêmio da FIFA de melhor técnico do mundo. Mesmo com a extensa lista de títulos e recordes, o francês é tido por muitos como um treinador de sorte, mas não um grande treinador.
E a final da Liga do Campeões de 2018, contra o Liverpool, de Jurgen Klopp, reforçou ainda mais a idéia de que Zidane tem mais sorte do que qualidade. O Madrid começou a partida mais preocupado em se defender e conter o ataque formado por Salah, Firmino e Mané. Porém, tudo mudou quando o egípcio se machucou ainda no primeiro tempo e teve que sair de campo - ele foi responsável por marcar 33% dos gols do Liverpool naquela temporada.
Além disso, Karius, goleiro dos Reds naquela partida, teve talvez a pior exibição de sua carreira e praticamente deu dois gols aos espanhóis. O terceiro gol do Real foi marcado em uma bicicleta inacreditável de Gareth Bale. Para os críticos, o jogo resumiu bem o que era Zidane como treinador. O clube merengue jogou mal, mas ganhou com três gols completamente inusitados.
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Muitos também consideram sorte o título da Champions League de 2016, que veio em disputa de pênaltis contra o Atlético de Madrid, depois de Griezmann, estrela da equipe de Diego Simeone, desperdiçar uma penalidade no tempo normal. Porém, a má atuação do francês e os frangos de Karius não podem tirar o mérito de Zidane.
É claro que o treinador pegou um elenco recheado de estrelas quando assumiu o cargo em 2016, mas é preciso lembrar que a equipe estava completamente arrasada após a demissão de Rafael Benitez. Zidane foi fundamental para recuperar o time. Com sua experiência e seu peso como ídolo do clube, ele conseguiu administrar perfeitamente um elenco que tinha fama de ser indisciplinado com Benitez e Mourinho.
“Nem todo mundo é capaz de administrar um vestiário. Ou, pelo menos, não de maneira tão natural quanto ele”, disse Ramos em entrevista ao RMC. “Independentemente de jogar mais ou menos tempo, ele deixa todos os jogadores motivados e esse é um dos seus maiores pontos fortes”.
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Mas o maior trunfo de Zidane no Real foi a gestão de Cristiano Ronaldo. Após a ida de CR7 para a Juventus, muitos dizem que o francês não teria ganhado essas três Champions sem o português, mas Ronaldo também não teria ganhado sem o treinador.
Como o próprio atacante disse, foi Zidane quem o convenceu a se poupar mais e ficar fora de mais partidas, algo difícil frente sua obsessão por recordes e prêmios individuais.
"Zidane sabe como lidar com o time de maneira inteligente. Não é uma situação fácil, porque todos os jogadores gostam de jogar muito, mas ele consegue envolver toda a equipe", disse CR7 à RMC. “Zidane me fez sentir especial, ele me ajudou muito. Eu já tinha muito respeito por ele, mas trabalhar com ele me fez admirá-lo mais. Isso é por causa de como ele é como pessoa, como ele fala, como liderou a equipe e como ele me tratou”.
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Zidane também montou a equipe de maneira muito inteligente. Deu total liberdade para Marcelo avançar, com a proteção de Casemiro. E fez o ótimo meio de campo formado por Kroos e Modric abastecer Ronaldo com extrema qualidade. Ele também decidiu sacar Bale e colocar Isco entre os titulares, saindo do tradicional 4-3-3 para um 4-4-2.
Ser treinador não é apenas montar a equipe taticamente, e Zidane sabe disso como poucos. Sua boa gestão do grupo compensa qualquer outra coisa. Ele também não precisa de Klopp, Sérgio Ramos ou Ronaldo para defendê-lo. Seus três títulos consecutivos de Liga dos Campeões já fazem isso por ele.



