Por que ninguém quer James Rodríguez?

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Ele tem habilidade para deixar qualquer jogador do mundo com inveja.

Ele foi abençoado com elegância e classe com a bola, uma mentalidade vencedora e um dos pés esquerdos mais potentes do futebol.

Aos 27 anos, ele está no seu auge. Mas mesmo assim ninguém parece querer James Rodríguez.

O meia da Colômbia está atualmente preso entre dois clubes e nenhum deles parece realmente afim contar com seus serviços no próxima temporada.

Estamos chegando ao quinto aniversário daquele mês em que ele explodiu na cena global durante a Copa do Mundo de 2014 e devemos nos perguntar: o que James fez de errado para não se tornar uma super estrela no Real Madrid ou no Bayern de Munique?

James está perto do fim do seu período de dois anos de empréstimo na Allianz Arena, uma contratação fechada no verão europeu de 2017, quando se tornou claro que Zinedine Zidane não o considerava mais do que um coadjuvante no Santiago Bernabéu.

Ele foi para o Real Madrid depois da sua participação incrível na Copa do Brasil pela incrível quantia de R$320 milhões. Já sua cláusula de compra durante o empréstimo ao Bayern era de só R$240 milhões, mostrando sua queda de valor em pouco tempo. E mesmo com o preço relativamente baixo, o Bayern está relutando em finalizar o negócio.

"O futuro de James depende do técnico. Se Niko Kovac falar que ele é bom, mas não usá-lo no campo, eu não vou pagar €42 milhões para alguém que não joga", disse o presidente do clube Uli Hoeness em Fevereiro. "Se o técnico me diz que precisa dele e planeja aproveitar seu talento, então o contratamos".

O colombiano tem pelo menos um apoiador incondicional na Bavária.

"Admito que sou um de seus maiores fãs. Ele é um ótimo jogador e talvez tenha o melhor pé esquerdo de toda a Bundesliga", disse Karl-Heniz Rummenigge sobre James.

O CEO do Bayern, porém, usou o mesmo argumento de Hoeness: se a estrela não está jogando, então a transferência é menos certa.

"Acho que todos queremos ver James no campo mais vezes, mas a decisão é do técnico. Eu devo dizer, sinceramente, que amo ver ele jogando".

James tem entrado e saído do time titular durante suas duas temporadas no clube.

Em 2017-18, ele começou 19 partidas da Bundesliga, um pouco mais da metade dos jogos do time, e contribuiu com sete gols e 11 assistências. Neste ano a média caiu: ele começou em 12 das 26 partidas até aqui e só jogou quatro vezes na campanha fracassada do Bayern na Champions League, que acabou em derrota para o Liverpool.

É difícil lembrar de uma performance marcante pelo time alemão, de um momento que fez ele ser impossível de ser ignorado. Nos maiores jogos do Bayern nesta temporada, James sofreu do mesmo mal que todo o resto do time.

Ele está longe de ser o único culpado da derrota para o Liverpool, mas sua incapacidade de aparecer quando o time precisa mais explica, em parte, porque poucos o vêem como um herói no clube mesmo apesar de todo seu talento.

A instabilidade também o atrapalhou. Contando a passagem rápida de Willy Sagnol em 2017, James já jogou sob o comando de quatro técnicos diferentes em menos de dois anos, cada um com ideias diferentes sobre seu papel no time.

E o atual técnico, Niko Kovac, é outro que não se sabe se continuará em Munique em 2019-20 depois de uma campanha difícil na Bundesliga e da eliminação precoce na Champions. A decisão de manter James pode ser do técnico, mas não saberemos quem será ele ao fim da temporada.

Em Madri o futuro de James também parece difícil.

O retorno de Zidane parece ter acabado com as chances de retorno do colombiano, uma possibilidade que ele tinha mencionado semanas antes do retorno do técnico francês.

"Eu ainda estou sob contrato com o Bayern. Vamos ver em junho", ele disse ao Cadena Ser. "Tenho tudo em Madri: uma casa, pessoas que gostam de mim. Não sei, vamos ver o que acontece".

Se o Bayern eventualmente decidir exercer seu direito de compra, James será obrigado a ficar. Se eles abrirem mão da prioridade, ele irá retornar ao Real Madrid com um contrato que só acaba em 2021, mas com poucas chances de conseguir um espaço no time titular.

Jornais da Espanha sugerem que em caso de volta ele entraria diretamente no mercado para ajudar Zidane e Florentino Perez em seus planos ambiciosos de compra de novos jogadores. Seu preço deve ficar na casa dos € 70 milhões (R$ 307 milhões).

Os possíveis compradores são os grandes times de sempre da elite europeia. Juventus e Napoli na Itália, Arsenal, Liverpool e Manchester United na Inglaterra. Mas nenhum deles mostrou interesse concreto até aqui.

Por enquanto, James aproveita o único lugar onde ele é intensamente admirado.

A torcida colombiana o idolatra sempre que joga pela seleção nacional, reconhecendo o talento que os ajudou a chegar em duas quartas de final de Copa do Mundo consecutivas.

James é uma estrela do rock em seu país e mesmo agora nas viagens por Japão e Coreia do Sul ele tem sido cercado por fãs em todo evento público.

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É o tipo de tratamento que ele apenas sonharia em receber no Bayern ou no Real Madrid.

A falta de entusiasmo de um dos maiores talentos do futebol mundial é quase cruel, mas também ajuda a explicar como sua carreira estagnou desde aqueles dias mágicos no Brasil e de sua apresentação grandiosa no Santiago Bernabéu.