Não se engane com hino ou gols: torcida foi fria e só esquentou para vaiar seleção

Comentários()
Brasil começou a Copa América num Morumbi em silêncio que se uniu mais para vaiar o 0 a 0 no intervalo do que para empurrar a seleção de Tite

Parecia que o estádio ia inflamar. O hino à capela parecia o indício de que a seleção brasileira teria um estádio animado a seu lado contra a Bolívia. Só parecia. Nem os gols no segundo tempo salvaram. Assim que a bola rolou, o Morumbi ficou em silêncio. No intervalo, com 0 a 0 no placar, as arquibancadas acordaram, mas para vaiar o time de Tite nesse início de Copa América. O Brasil venceu por 3 a 0, mas encontrou um estádio frio.

Em 2013, na Copa das Confederações, o hino à capela segurado pelas vozes dos torcedores se tornou um símbolo da seleção brasileira à época comandada por Felipão. Faltava um ano para a Copa do Mundo em casa, as ruas haviam presenciado as Jornadas de Junho. Na final contra a Espanha, no Maracanã, o técnico Vicente del Bosque admitiu que essa postura havia intimidado seu time.

Quer ver jogos ao vivo ou quando quiser? Acesse o DAZN e teste o serviço por um mês grátis!

Nesta sexta-feira, se uma seleção ficou intimidada foi a brasileira, com o silêncio. A torcida foi tomada pelo desânimo. No primeiro tempo, as principais manifestações foram os condenáveis gritos homofóbicos para o goleiro Lampe Porras nos tiros de meta. Também houve um ensaio de hino do São Paulo por torcedores tricolores, instigando rivais de outros times a vaiarem.

Na volta do intervalo, houve boa vontade de alguns setores do Morumbi para tentar apoiar a seleção. Aí o VAR ajudou: o pênalti marcado com ajuda do árbitro de vídeo foi convertido por Coutinho e o estádio todo comemorou. O camisa 11 fez o segundo logo na sequência. Empolgação à vista?

A festa, porém, não durou cinco minutos. Mesmo com 2 a 0 no placar, o Morumbi continuou quieto. É sabido que a torcida brasileira não tem músicas tradicionais que embalem a seleção nos estádios. Só que desta vez nem os gritos curtos apareceram.

Duas tentativas de "leleô, leleô, Brasil" não duraram um minuto. A música que ficou famosa na Copa do Mundo da Rússia, citando as cinco conquistas do Brasil (ÔÔÔÔ 94 Romáriôôô, 2002 Fenomenôôô, primeiro pentacampeão, único pentacampeão...) também foi entoada, mas não pegou.

Aos 39min, Everton Cebolinha arrancou pela esquerda, puxou para o meio e bateu no canto. Belo gol, gritado por todo estádio. E um minuto depois? Silêncio. No apito final, os aplausos para o Brasil não passaram de cinco segundos.

Mais artigos abaixo

O clima, entretanto, pouco importou na opinião de Coutinho: "Faz parte. A torcida quer que a gente ganhe, que jogue bem e por isso é uma cobrança deles. A gente quer sempre o apoio, mas aqui no campo a gente se blinda (...) O importante é só o jogo", disse para o SporTV após a partida.

A renda que superou R$ 22 milhões significou um recorde do futebol brasileiro, mas as 47 mil pessoas que contribuíram para essa bilheteria no Morumbi não se fizeram ouvir. Não houve química entre seleção brasileira e torcida paulista na abertura da Copa América.

Fechar