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Marcos Guilherme retoma confiança com Diniz no Santos: "Falou que ia extrair muito do meu futebol"

Fernando Diniz foi fundamental para Marcos Guilherme se transferir do Internacional ao Santos por empréstimo. Depois da segunda final do Gauchão, o jogador recebeu a ligação do técnico, de quem é fã, e rapidamente aceitou a transferência. A escolha pelo Peixe se deu em meio a sondagens de outros clubes da Série A (de nomes não revelados). 

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"Não pensei duas vezes pela imensa admiração que tenho e sempre tive pelo trabalho dele. Essa oportunidade não quis deixar passar", disse Marcos Guilherme, em entrevista exclusiva para a Goal.

Eles poderiam ter trabalhado juntos no São Paulo (2019/2020) e no Athletico (2018), se dependesse da vontade do treinador.

"Quando ele trabalhou nesses clubes tivemos um contato, mas nessas situações não dependiam unicamente de mim, da minha vontade. Mas agora no Inter foi diferente: dependia muito mais de mim do que de outras pessoas. Acho que por isso facilitou o negócio".

Marcos Guilherme, do SantosIvan Storti/Santos FC

O contato entre técnico e jogador começou em 2017, quando Diniz frequentava os treinamentos do São Paulo do amigo Dorival Junior, no CT da Barra Funda. De lá começou a relação que hoje rende parceria na Vila Belmiro. 

"Ele sempre me falou que com ele ia extrair muita coisa boa do meu futebol, que muitas vezes alguns treinadores não viam. Isso ele sempre falou e tem demonstrado a cada dia nos treinos e para quem está acompanhando. É difícil dizer que sim ou não (se concorda com Diniz de que ele foi subutilizado na carreira). Depende muito da forma como o treinador enxerga e pensa o jogo. O meu jogo é esse: muita entrega e doação ao time, tanto atrás quanto no ataque. A forma que o Dinz pensa o jogo ele me vê de uma outra forma, atuando muito melhor do que em outros clubes. Acredito muito nisso e estou 100% focado para evoluir mais com ele", disse Marcos Guilherme.

"Ele preza por jogar futebol mesmo. Gosta do cara que tenha coragem, pega a bola e não tenha medo de errar, que arrisque. Constrói desde lá de trás. Sem a bola pressiona muito o adversário. Ele ama estar com a posse de bola. Gosto desse estilo de jogo. Acho que por isso sou muito fã do trabalho dele", afirmou.

Além do fator Fernando Diniz, o momento ruim no Colorado também pesou na transferência. Marcos Guilherme fez quatro gols nos 51 jogos em toda a temporada de 2020. No Peixe, marcou três gols em nove partidas e rapidamente virou titular na vaga do então lesionado Lucas Braga (já recuperado).

Fernando Diniz, técnico do SantosIvan Storti/Santos FC

"No Inter infelizmente os gols não saíram. Não consegui atuar da forma como sei. O Marcos Guilherme não fluiu no Inter. Poucos sabem e acho que nunca falei, mas se profissionalmente pode ter sido meu pior momento, pessoalmente foi o lugar onde vivi minhas melhores experiências pra vida. Sou muito grato ao Inter e a Porto Alegre pelo que me proporcionaram. Quando as coisas não acontecem no trabalho afeta a nossa vida. Você fica triste, chateado e sem viver da forma como gosta. Isso foi uma forma de aprender e evoluir. Em Porto Alegre e no Inter infelizmente em campo não consegui render, porém aprendi muito fora. Trabalhei coisas que precisavam ser trabalhada. Profsisionalmente pode não ter sido um bom lugar, mas pessoalmente foi o lugar que mudou a minha vida".

"A palavra-chave para mim é confiança. No Inter estava um pouco sem confiança pelo momento. Você muda de ares e é recebido de uma forma muito importante. Voltei a ter confiança, a atuar da forma que gosto. Essa soma de fatores que me fez chegar bem. Gosto de jogar mais solto, livre e correndo o campo todo. É uma característica minha. Gosto de correr e ajudar tanto na marcação quanto no ataque. Quando tenho mais liberdade consigo render mais", disse.

Emprestado ao Santos até junho de 2022, Marcos Guilherme diz ter como primeira meta retomar a confiança e depois buscar títulos na Vila Belmiro.

"Primeira e mais importante é retomar a confiança, aquilo que sou de verdade, minha essência. Esse é meu primeiro objetivo e a partir daí tudo vem naturalmente. A consequência é jogar ebm, vencer jogos e ser campeão. A história do Santos não por acaso tem uma camisa muito forte. Sempre buscando títulos. No ano passado, com toda dificuldade, quase foi campeão da Libertadores (vice diante do Palmeiras). Por um detalhe não foi. Esse ano vamos forte para levar alguma coisa, algum título, e o mais importante é retomar a confiança, porque os outros objetivos vêm naturalmente".

Marcos Guilherme Internacional Atlético-GO Brasileirão 19082020SC Internacional

Fase ruim no Internacional

Marcos Guilherme teve acredita que a maneira como foi escalado no Internacional prejudicou seu jogo, embora não coloque isso como único motivo para a fase ruim. Aos poucos, o atacante perdeu a confiança e espaço no time.

"Comecei muito bem com o Coudet e fiz bons jogos. Após a pandemia dei uma caída. Vejo como natural, mas a partir dali comecei a atuar não da forma que estou acostumado. Minha forma é jogar leve, solto e em velocidade. No Inter alguns jogos atuei mais atrás, no meio de campo. Não estava tão aberto como extremo. Jogava pela direita. Não é uma desculpa, longe disso, mas acho que a falta de confiança é porque entrava em alguns jogos e não conseguia fazer o que estava acostumado. Começa a errar coisas muito simples e a confiança acaba indo embora. Em alguns jogos nao consegui atuar bem e isso foi tirando minha confiança. Não consegui mais atuar. Também saí um pouco do time e ficava na reserva. Nesse final em alguns jogos nem era convocado. Acabava que minha autocobrança também me atrapalhava um pouco", disse.

Essa autocobrança, aliás, é uma característica antiga da personalidade de Marcos Guilherme. No São Paulo entre 2017 e 2018, o atacante tinha perfil parecido.

"Isso é uma coisa que confesso que algumas vezes na minha carreira mais atrapalhou do que ajudou. Me cobro muito e não me permito errar. E no futebol você está sujeito a erros. Não tem como acertar tudo. Vou errar passe, finalização, muitas vezes era difícil lidar com isso. Tive ajuda de alguns amigos e acabei mudando alguns costumes. Me vejo mais maduro e consicente, na autocobrança e confiança".

Marcos Guilherme, do SantosIvan Storti/Santos FC

Veja outros trechos da entrevista exclusiva de Marcos Guilherme para a Goal:

De onde vem a sua velocidade?

Desde criança, da época de escola. Tinha aqueles jogos escolares. Jogava futsal, futebol, mas também gostava de fazer atletismo. Desde pequeno tinha essa facilidade de correr. É lá de trás. Já é uma característica minha, mas procuro treinar muito. Tenho um fisioterapeuta que trabalha comigo desde quando fui para Arábia Saudita. Então não é só fisioterapeuta. Ajuda também nos treinamentos, inclui também meu biotipo, minha forma de correr. Ele ajuda, analista também. Tem uma equipe que costuma ajudar no meu desempenho. Isso (genética) favorece, desde a infância. Com o passar do tempo fui melhorando e treinando, mas desde pequeno nasci com isso.

Qual palavra Diniz mais usa no dia a dia: movimenta, pressiona ou coragem?

As duas que estão no topo seriam coragem e movimenta, essas são as que mais escuto (risos). Ele é muito intenso para cobrar e viver futebol. Mas no dia a dia estamos acostumados. Para vocês que veem no jogo acham que ele extrapola, passa do ponto. Mas para nós, não, temos temos consciência de que é para o nosso bem. Ele quer ajudar, incentivar a melhorar a cada dia e treino.

Como surgiu essa versatilidade tática de atuar em mais de uma posição? Estuda o jogo?

Primeiro o mais importante é a vontade de atuar e ajudar o time. Desde a base tenho isso. Gosto de me doar pelo time. Inteligência um pouco também. Gosto de ler bastante e estudar. Meu empresário tem uma fearramenta e fazem um compilado das minhas jogadas e de outros jogadores para poder estudar o que pode melhorar. Posicionamento... procuro estudar muito para estar na melhor versão. Livro de esportista foi o do Agassi, o tenista. O Paulo André me deu de presente no Athletico. Foi o que mais me marcou e ajudou pela história do Agassi. Tudo o que ele passou na carreira, fiz um paralelo do que ele passou e do que eu estava passando. Foi um livro muito interessante e que ajudou bastante.

Como é jogar no Santos, clube onde Neymar, o melhor brasileiro na atualidade, foi nascido e criado? 

Esse é um ponto importante. Todos têm sonhos. Eu, vocês que estão vendo essa entrevista. Para nós que sonhamos em jogar futebol desde criança poder vestir a camisa de um clube por onde passou Neymar, o maior de todos, o Pelé, o Robinho, vários outros craques, o Rodrygo mais recente. Sem dúvida é difícil cair a ficha. Pensa atrás na infância, dificuldade, e ver que venceu e está em um grande é motivo de muito orgulho para nós e quem fez a caminhada: família e amigos. É um orgulho muito grande pisar no CT Rei Pelé e na Vila Belmiro, palco de craques, golaços, títulos. É o filme que passa na cabeça.

Você enfrentou o Santos na Vila Belmiro e joga agora com o estádio a favor. Quais as impressões antes e agora?

Quando você vem jogar contra o Santos por outro time, você lembra da história e sabe da dificuldade. Quem joga aqui sente muito, porque o Santos gosta de atacar, pressionar o tempo inteiro. É difícil vir aqui um time e vencer. Normalmente sai derrotado. Hoje do outro lado reforça o que via. É a nossa casa, nos sentimos bem. A história contagia ali. Muitas vezes acham que não conta, mas a história entra em campo. A camisa pesa. Hoje jogando do lado do Santos pra mim é muito mais fácil e gratificante.

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