Fábio é um dos melhores goleiros brasileiros de sua geração. E enquanto praticamente todos os goleiros de sua geração já penduraram as luvas, Fábio segue sendo um dos melhores de sua posição. Aos 42 anos, o camisa 1 do Fluminense continua a desempenhar em altíssimo nível. É algo raro um esportista tão vitorioso e decisivo conseguir flertar, nos acréscimos de sua carreira, com um novo período digno de seu auge. É o que estamos vendo em 2023, e um episódio emblemático deste diagnóstico aconteceu contra o mesmo Cruzeiro que tanto comemorou os feitos de Fábio.
No segundo reencontro com a Raposa dentro do Mineirão, após ter deixado o clube mineiro, Fábio mais uma vez saiu vitorioso – em 2022, o triunfo aconteceu com vitória do Fluminense por 3 a 0 pela Copa do Brasil. Desta vez, pelo Brasileirão de 2023, o goleiro foi ainda mais decisivo pelo lado tricolor: o Fluminense vencia o Cruzeiro por 2 a 0, em jogo válido pela quinta rodada, mas a esperança de uma reação celeste moveu expectativas dentro do estádio quando André foi expulso e o time da casa tinha um pênalti a seu favor. Bruno Rodrigues foi para a cobrança...
O atacante cruzeirense não deixou Henrique Dourado, seu companheiro de time e quase uma certeza de conversão na marca da cal, bater o penal. Bruno foi para a batida... e Fábio defendeu. Defendeu e não comemorou. A arbitragem, contudo, invalidou o 19º gol de pênalti evitado pelo goleiro dentro do Mineirão. O arqueiro se adiantou no lance. Bruno teve uma nova chance, e por ver Fábio se agigantar decidiu chutar a bola um pouco mais para o lado. O desfecho para Fábio, então, foi o melhor possível: o adversário novamente desperdiçou, mas desta vez foi a trave, e não ele, que ficou como responsável direto pela tristeza cruzeirense.
Se a vitória do Fluminense sobre o Cruzeiro veio através de gols de Paulo Henrique Ganso e Germán Cano, ela também aconteceu graças a Fábio. Foram cinco defesas realizadas pelo camisa 1, mantendo sua regularidade decisiva na atual temporada. A equipe treinada por Fernando Diniz encanta e tem passado segurança defensiva, mas Fábio também tem feito seus milagres. O cruzeirense, que hoje lamenta enfrentar o ídolo, sabe muito bem como é a sensação de comemorar os feitos de Fábio.
Ao longo de mais de 900 jogos e uma grande coleção de títulos, ele foi símbolo de segurança e alegria para a Raposa -- inclusive, teve seu nome gritado pelos cruzeirenses antes de a bola rolar. Hoje, contudo, representa isso em um Fluminense que sonha com grandes feitos.




