Em meio à sua maior crise financeira da história, o Cruzeiro teve que recorrer a empréstimos já na gestão do presidente Sérgio Santos Rodrigues para honrar compromissos do passado. O clube fez contrato de mútuo com um empresário, colocando direitos econômicos do atacante Stênio como garantia do acordo, conforme apuração da Goal. O mandatário ainda aparece como avalista da transação.
Procurado para falar sobre o caso, o Cruzeiro informou que os documentos estão declarados no Balanço Patrimonial.
Futebol ao vivo ou quando quiser? Clique aqui e teste o DAZN grátis por um mês!
"O Cruzeiro Esporte Clube confirma que possui alguns contratos de mútuo. Inclusive, os mesmos foram declarados no último Balanço Patrimonial, que está disponível no Site Oficial. No entanto, a partir de uma exigência dos envolvidos, existe um acordo de confidencialidade para que os detalhes, incluindo os nomes, não sejam publicados", informou por meio de nota.
ReproduçãoAcordo mencionado está incluído na rubrica 'Pessoa física e jurídica não financeira' em demonstrativo (Foto: Reprodução)
Hoje, o Cruzeiro deve R$ 49,1 milhões em empréstimos a pessoas físicas e jurídicas que não têm caráter de instituição financeira (conforme imagem acima) de acordo com seus demonstrativos. O valor é inferior ao apresentado em 2019, quando a dívida da mesma natureza totalizava de R$ 50,3 milhões.
O paulista Willian Barille Agatti, por meio de sua empresa (a FI1RST AGENCIA DE VIAGENS E TURISMO EIRELI), emprestou R$ 5 milhões ao clube e teve como garantia parte dos direitos econômicos em caso de venda do jovem Stênio. Os mineiros detêm 70% dos direitos do jogador de 18 anos.
Em 2015, a Fifa proibiu que terceiros fossem detentores de direitos econômicos de atletas de futebol. Desta forma, empresários e outros estavam proibidos de manter percentuais de direitos econômicos. Apenas clubes e os próprios jogadores podem ter uma fatia. As operações feitas pelo clube já haviam causado problemas na gestão do presidente Wagner Pires de Sá, quando o clube fez contrato semelhante, colocando direitos econômicos de atletas e até de uma criança como garantia de empréstimos.
Houve uma notificação extrajudicial enviada ao clube para solicitar o pagamento das pendências. A diretoria cruzeirense contornou o caso e já negocia uma forma de quitar o montante com o parceiro na negociação, sem ter que envolver uma possível venda do atleta.
O empresário também foi procurado pela reportagem para esclarecer os detalhes da negociação, mas ainda não retornou o contato.




