Há mais de dez anos, o Manchester City fez uma oferta de 70 milhões de euros para tirar Lionel Messi do Barcelona. A curiosa história foi contada por Garry Cook, ex-diretor executivo do clube inglês, em entrevista ao The Athletic.
O dirigente chegou ao City em 2008, pouco após Thaksin Shinawatra, ex-dono do clube, comprar o time de futebol. Na época, Messi já começava a dar mostras do futebol que viria a apresentar no período que marcou o auge do argentino e do clube catalão.
Mas a ideia de contratar Messi surgiu através de um desentendimento: em meio a uma reunião, Pairoj Piempongsant, outro dos dirigentes da época, falou algo que foi entendido como “nós precisamos ter Messi”.
“Estávamos em uma chamada de vídeo, em Londres. O Pairoj Piempongsant estava ficando nervoso. O telefone estava na mesa e ele falava com Paul Aldridge, que já tinha estado no West Ham, onde enfrentou alguns problemas (envolvendo as contratações de Tévez e Mascherano) e também fazia parte do mundo do Thaksin”.
“Então imagine a cena. Lá estava o Paul e seu acento britânico: ‘Pairoj, você precisa me dizer o que está acontecendo, as coisas estão saindo de controle’”.
Ao concordar com Paul, Pairoj falou a palavra “messy”, que em inglês tem sentido de desorganização.
“Algo se perdeu no meio da tradução e, até com minha filha de testemunha, de verdade, o que escutamos foi: ‘nós temos que ter o Messi’”.
“Esta foi a comédia duradoura do Manchester City, eu acredito. O Paul veio até a mim depois e disse: ‘Garry, isso está muito confuso, eu não sei o que estamos fazendo aqui’. E eu disse: ‘faça a oferta, vamos ver o que acontece’”.
“E aí, o Dave Richards me ligou, um dia depois, direto da Premier League: ‘Garry, você fez uma oferta por Lionel Messi? Setenta milhões de libras? Você ficou louco?’.
“Ele disse ter recebido uma ligação do Barcelona, e eles queriam saber se era pra valer. Eles disseram para o Dave que, se fosse verdade, talvez um negócio poderia ter sido feito semanas depois”.
Ao invés de contratar Messi, contudo, O Manchester City acabou estipulando um recorde de contratação mais cara do futebol britânico ao tirar o brasileiro Robinho do Real Madrid. Uma negociação que também teve uma história no mínimo interessante.
Getty ImagesRobinho, em sua rápida passagem pelo City (Foto: Getty Images)
“A verdade, e o Peter Kenyon e eu ainda falamos sobre isso, é que o Robinho achava que iria jogar no Chelsea (...) O Robinho já estava viajando de Madri para Londres, e estava indo acertar com o Chelsea. Nós conseguimos nos enfiar no meio dos detalhes do voo, colocamos ele em um avião privado e aí os deuses dos empresários precisaram trabalhar em cima dele”.
“Eu ainda não tenho certeza de que ele sabia que, no final das contas, acabaria indo para Manchester. O que ele sabia era que ganharia muito dinheiro jogando por outro clube da Premier League, já que ele não vinha jogando muito em Madri. Ele se tornaria um homem muito rico e você sabe que a motivação era esta”.
“Nós fechamos o acordo em nosso escritório de Londres, então ele sequer havia estado em Manchester antes de assinar”.
