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Real Madrid

Atleti e a Juventus de Buffon. O Real Madrid é o maior vilão do futebol?

08:17 BRT 04/06/2017
Gigi Buffon Juventus
Pela terceira vez nos últimos quatro anos, a equipe de Cristiano Ronaldo bateu os azarões na Champions League e provou o seu poder


Por Tauan Ambrosio 

Se você, fã de futebol, não estava na turma dos fanáticos torcedores de Real Madrid e Juventus, muito provavelmente a sua torcida pendeu mais para o lado da equipe italiana na final da Champions League realizada no último sábado (3), em Cardiff.

Essa leve simpatia muito provavelmente é causada por um nome específico: Buffon. Afinal de contas, o mítico goleiro italiano poderia enfim levantar pela primeira vez a única grande taça que falta ao seu vitorioso currículo.

Não foi o que aconteceu.

Depois de sofrer no primeiro tempo, o Real Madrid voltou do vestiário pronto para mostrar uma das melhores performances em uma decisão europeia. Os espanhóis não tiveram dó nem piedade. Golearam por 4 a 1. Um roteiro diferente em relação às decisões anteriores contra o Atlético de Madrid, mas com o mesmo desfecho.

O Real Madrid destroçou a Juve no 2º tempo (Foto: Getty Images)

Em 2014 e 2016, o Atleti era o queridinho da grande maioria dos ‘isentões’. E por muitas razões. A principal delas, a chance de ver uma equipe escrever uma história que muito provavelmente não se repetiria em décadas por vir.

Porque embora estivesse louco para conquistar a Décima em 2014, todo mundo sabia que o Real Madrid voltaria a subir no ponto mais alto do futebol europeu alguma vez. É natural. Porque se Cristiano Ronaldo não conseguisse o título que lhe ajudaria na corrida individual com Messi, em algum momento o português seria capaz de fazê-lo.

Ou pelo simples fato de querer ver outros clubes ganharem força e se aproximarem dos Blancos na coleção das taças Orelhudas. Até porque se as nove que viraram 10 em 2014 e se transformaram em 11 em 2016 já eram um exagero, o que falar de 12 troféus? Você pode não gostar, mas o Real Madrid é o chefão da Europa quando o assunto é futebol de clubes.

E é sempre bom ver alguém desafiar tal poderio.

Pelo simples fato de ver alguém que está mais embaixo diminuir a distância em relação ao mais poderoso. Jogo é bom quando é equilibrado, cá e lá, seja isso dentro dos gramados ou no somatório de uma longa história esportiva. Quando se tem como personagens uma paixão que é eterna mesmo quando sofrida ou um personagem como Buffon, o peso emocional parece dobrar a favor do oponente madridista.

(Foto: Getty Images)

Mas o Real Madrid não tem pena, não quer nem saber o que é viver um jejum de títulos ou, muito menos, nunca ter o conquistado. Ele simplesmente está no topo da pirâmide e faz o seu papel. Porque é o Real Madrid, e não conhece um outro modo de viver que não seja gastar os milhões nos melhores jogadores e estar sempre no lugar mais alto.

(Fotos Getty Images)

Ao vermos um Juanfran entregue, como uma criança que só pensa em vencer com o seu time, ou um Buffon imaginando qual a razão que lhe tirou três títulos europeus – e ciente da dificuldade de somar, depois dos 39 anos, a Orelhuda às várias taças italianas e ao mundial conquistado com a Azzurra – é impossível não pensar por um segundo se o Real Madrid seria o grande vilão do futebol mundial.

Talvez o Real Madrid poderia ser uma versão ‘merengue’ de Darth Vader.

Mas embora tenha roteiros muitas vezes melhores às principais histórias do cinema, literatura e teatro, o futebol é uma história diferente. A seleção alemã chocou o mundo futebolístico em 1954, quando bateu a mítica Hungria de Puskas (e Kocsis, Hidegkuti, Czibor e outros mais), e repetiu a mesma história 20 anos depois com a Holanda de Cruyff. Mas tanto a Alemanha quanto o Real Madrid não são vilões: apenas foram melhores.

(Fotos Getty Images)

A Hungria de 1954 e a ‘Laranja Mecânica’ montada por Rinus Michels deixaram seus nomes na história do bom futebol por capacidades próprias. Mas a Alemanha foi superior, nas duas vezes, ao longo de 90 minutos. O Atleti de 2014 e 2016 sempre vai estar na memória de seus torcedores, mas é surreal dizer que o Real Madrid não fez por onde tanto em Lisboa quanto em Milão.

A Juventus que voltou à decisão europeia dois anos depois da derrota para o Barcelona, com uma equipe bastante reformulada desde então, tem vários pontos positivos. E também tem Buffon, que com ou sem Champions League será sempre considerado um dos melhores da história. Um vencedor, dono de alguns dos episódios mais inesquecíceis do futebol. E não é preciso ter, necessariamente, uma taça orelhuda para fazer isso.


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