Na América Latina, quando se fala em Libertadores da América e Copa Sul-Americana, existem muitos adversários e perigos traiçoeiros.
Os times tradicionais mas que andam sumidos, como o Peñarol e o Colo Colo, os estádios cancha, como o La Fortaleza do Lanús e o Luis Franzini, do Defensor do Uruguai, os favoritaços brasileiros, argentinos e uruguaios (embora estes não vençam a Libertadores desde 1988 com o Nacional), as viagens longas como o México (ufa ! Essa não tem mais) e a Venezuela, e é claro, a altitude.
Eu queria falar um pouquinho dela. A temível altitude.
Tive a infelicidade de encará-la em 2016, quando viajei para o Santa Fe x Corinthians, no empate em 1 a 1 em Bogotá. E olha que Bogotá não é tão alto quanto a Bolívia, por exemplo. Eu, que nem sou atleta, tive sérios problemas. Meu pai, ainda mais.
A respiração cessa até para falar. Agora, imagine para correr. Alguns casos de soltar o intestino de forma repentina e urgente também são frequentes.
Foto: GUILLERMO MUNOZ/AFP/Getty Images
Jurei para mim mesmo que eu nunca mais reclamava de time brasileiro morrendo na altitude. No meu caso, o Corinthians.
Para os atletas, o problema maior é a velocidade da bola e o cansaço. Tudo isso aumenta quando a gente lembra que o Corinthians vai enfrentar um Millonarios de Miguel Angel Russo (embora hospitalizado e fora do banco de reservas nesta quarta) que possui três volantes.
Os três tem boa saída para o ataque. Os três dão combate como um cão de guarda. E já estão acostumados com a maldita da altitude. Para eles, é normal.
O time de Carille vai precisar ser mais inteligente do que sábado no Derby, quando vencemos o Palmeiras por 2 a 0 povoando o meio-campo. Confesso que não sei se povoar o meio campo numa situação de altitude é um bom negócio. Estou em dúvida.
Cesar Greco/Ag Palmeiras/DivulgaçãoFoto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
A posse será a grande aliada nesta quarta em Bogotá. Não podemos deixar o Millonarios jogar. E o principal: não deixar que a altitude dê o ritmo de nossa velocidade.
É jogo de paciência. Se entrar para matar o jogo com milhares de metros acima do nível do mar, eles é que irão nos matar. É jogo para levar mais do que no banho-maria. Fingir que está satisfeito com o empate e tentar matar em uma bola.
Se, por um acaso der errado, você volta aqui no Goal antes de crucificar algum atleta. Certamente vai entender que a situação de jogar na altitude não é brincadeira.
Palavra de torcedor, colunista e corneteiro (risos).
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Luís Butti é redator publicitário, compositor e corintiano das antigas. Adora música, polêmica e redes sociais. É a favor do mata-mata e vê na Arena Corinthians o seu "Jardim do Éden"... |


