Bando de Loucos: Ah, a Altitude, essa mal compreendida

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FRANCK FIFE/AFP/Getty
"A posse será a grande aliada do Corinthians em Bogotá. Não podemos deixar o Millonarios jogar. Nem que a altitude dê o ritmo de nossa velocidade."


Por Luís Butti, de São Paulo


Na América Latina, quando se fala em Libertadores da América e Copa Sul-Americana, existem muitos adversários e perigos traiçoeiros.

Os times tradicionais mas que andam sumidos, como o Peñarol e o Colo Colo, os estádios cancha, como o La Fortaleza do Lanús e o Luis Franzini, do Defensor do Uruguai, os favoritaços brasileiros, argentinos e uruguaios (embora estes não vençam a Libertadores desde 1988 com o Nacional), as viagens longas como o México (ufa ! Essa não tem mais) e a Venezuela, e é claro, a altitude. 

Eu queria falar um pouquinho dela. A temível altitude.

Tive a infelicidade de encará-la em 2016, quando viajei para o Santa Fe x Corinthians, no empate em 1 a 1 em Bogotá. E olha que Bogotá não é tão alto quanto a Bolívia, por exemplo. Eu, que nem sou atleta, tive sérios problemas. Meu pai, ainda mais.

A respiração cessa até para falar. Agora, imagine para correr. Alguns casos de soltar o intestino de forma repentina e urgente também são frequentes. 

Santa Fe vs Corinthians Copa LibertadoresFoto: GUILLERMO MUNOZ/AFP/Getty Images

Jurei para mim mesmo que eu nunca mais reclamava de time brasileiro morrendo na altitude. No meu caso, o Corinthians. 

Para os atletas, o problema maior é a velocidade da bola e o cansaço. Tudo isso aumenta quando a gente lembra que o Corinthians vai enfrentar um Millonarios de Miguel Angel Russo (embora hospitalizado e fora do banco de reservas nesta quarta) que possui três volantes.

Os três tem boa saída para o ataque. Os três dão combate como um cão de guarda. E já estão acostumados com a maldita da altitude. Para eles, é normal. 

O time de Carille vai precisar ser mais inteligente do que sábado no Derby, quando vencemos o Palmeiras por 2 a 0 povoando o meio-campo. Confesso que não sei se povoar o meio campo numa situação de altitude é um bom negócio. Estou em dúvida.

Clayson e Marcos Rocha - Corinthians x Palmeiras - 24/02/2018Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

A posse será a grande aliada nesta quarta em Bogotá. Não podemos deixar o Millonarios jogar. E o principal: não deixar que a altitude dê o ritmo de nossa velocidade. 

É jogo de paciência. Se entrar para matar o jogo com milhares de metros acima do nível do mar, eles é que irão nos matar. É jogo para levar mais do que no banho-maria. Fingir que está satisfeito com o empate e tentar matar em uma bola.

Se, por um acaso der errado, você volta aqui no Goal antes de crucificar algum atleta. Certamente vai entender que a situação de jogar na altitude não é brincadeira. 

Palavra de torcedor, colunista e corneteiro (risos).

Luís Butti é redator publicitário, compositor e corintiano das antigas. Adora música, polêmica e redes sociais. É a favor do mata-mata e vê na Arena Corinthians o seu "Jardim do Éden"...

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