Alisson hoje é inquestionável, mas já foi titular para lá de ameaçado na seleção

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Ele já foi terceira opção no Inter, sombra do irmão, e tinha vaga questionada ao assumir o principal posto da seleção brasileira antes de se provar

Alisson assumiu a titularidade da seleção brasileira na segunda rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Hoje pode até ser incompreensível, mas na época a escolha do técnico Dunga foi polêmica: ele optou por barrar Jefferson após a estreia com derrota por 2 a 0 para o Chile, em 2015, um duelo em que nenhum dos gols sofridos contou com falhas do então camisa 1 – hoje aposentado. A forma como Jefferson perdeu sua oportunidade segue criticável, mas cinco anos depois não há dúvidas de que a aposta por Alisson foi mais do que acertada.

Uma escolha tomada especialmente por Taffarel, ídolo da seleção sob as traves e que segue como treinador de goleiros do Brasil agora sob o comando da comissão técnica liderada por Tite. Naquele 2015, Alisson tinha garantido a titularidade no Internacional havia pouco menos de um ano e, antes mesmo daquilo, era conhecido no Beira-Rio como “irmão do Muriel” – goleiro que era a segunda opção, já que Dida ainda era titular. Sim, o atual melhor e mais valorizado goleiro do mundo era a terceira escolha do Inter tempos atrás.

Isso ajuda a explicar a desconfiança, mas foi também quando Alisson passou a demonstrar a capacidade de protagonizar ascensões meteóricas. Deixou o Internacional na metade de 2016, e enquanto o Colorado sofria no Brasileirão – que terminaria com rebaixamento inédito – o arqueiro o chegava na Roma. Em sua primeira temporada não foi titular, mas assim que assumiu o posto no ano seguinte, 2017-18, teve desempenho decisivo para que o clube da capital italiana voltasse a uma semifinal de Champions League pela primeira vez após a década de 80! Precisando de goleiro, uma vez que a falha de Loris Karius custou o título europeu naquela temporada, o Liverpool desembolsou cerca de 75 milhões de euros para ter aquele que já era considerado um dos melhores guardiões da temporada.

Alisson Jefferson 2015 seleção BrasilAlisson foi alçado à titularidade, em 2015, bastante questionado na seleção (Foto: Getty Images)

O alto valor pago ficou sob desconfiança, para alguns, após a queda da seleção brasileira nas quartas de final do Mundial de 2018, contra a Bélgica. Pois se não falhou nos dois gols sofridos, não fez os milagres protagonizados por Courtois do outro lado. A resposta, Alisson daria de forma impressionante e inquestionável em sua primeira temporada a serviço do novo clube: ajudou o Liverpool a ter a melhor defesa dentre os gigantes europeus em 2018-19 e foi além ao estabelecer recordes e ser decisivo na caminhada que terminaria com o título da Champions League sobre o Tottenham.

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Na Premier League, igualou e depois superou a marca de jogos sem sofrer gols (as chamadas ‘clean sheets’ em inglês). Foram 21 duelos sem ter as redes balançadas, mas foi no torneio europeu onde demonstrou maior protagonismo. Se os Reds conseguiram avançar da fase de grupos, foi graças a Alisson – autor de uma defesa espetacular nos últimos minutos da partida contra o Napoli, vencida por 1 a 0 e cujo empate desclassificaria a sua equipe.

“Se soubesse que o Alisson era tão bom, teria pago o dobro”, disse um sorridente e aliviado Jurgen Klopp após aquele 1 a 0.

Alisson avançou com o Liverpool nas oitavas, quartas e teve grande desempenho no épico 4 a 0 sobre o Barcelona nas semis, revertendo um revés por 3 a 0 no Camp Nou em que o brasileiro não teve culpa em nenhuma das vezes nas quais foi vencido. Na finalíssima contra o Tottenham, teve recorde de defesas feitas e foi um dos grandes nomes do título da Champions League. Terminou a temporada como melhor de sua posição no mundo e, segundo o último relatório do Observatório do Futebol, hoje é o mais valioso jogador de sua posição (€ 107 milhões).

Dentre os goleiros da Copa América, o melhor no pós-Mundial

Taffarel Alisson Brasil seleção 13 06 2019Taffarel e Alisson, durante treinos da seleção (Foto: Getty Images)
Jogador Amistosos Gols sofridos % Defesas
Alisson 5 1 92,31

Não é apenas o desempenho pelo Liverpool que lhe dá destaque. Considerado os amistosos das seleções participantes desta edição de Copa América, que terá início em 14 de junho, é o que menos sofreu gols [ao lado do companheiro Ederson e do japonês Daniel Schmidt], o que mais acumulou ‘clean sheets’ [as mesmas quatro do equatoriano Alexander Domínguez] e, disparado, o que teve melhor aproveitamento em defesas realizadas: interceptou 92% das finalizações que foram em sua direção nas partidas disputadas após o Mundial de 2018.

Alisson saiu da sombra do irmão no Inter, provou que poderia ser titular de seleção brasileira e tornou-se o melhor de sua posição nesta temporada europeia. Mas como vida de goleiro, dizem, costuma a ser a mais ingrata dentre as 11 posições em campo, o gaúcho chega para esta Copa América com a obrigação de manter este alto nível.

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