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FIFA Cristiano Ronaldo ban GFXGOAL

Torcer as regras para Cristiano Ronaldo põe a integridade da Copa do Mundo em risco

Infantino, porém, não queria correr o risco de ver o Inter Miami ficar fora da disputa pela MLS Cup. Por isso, agiu rápido para aproveitar o título da temporada regular e usou essa conquista como justificativa para escolher o clube como “anfitrião” do Mundial de Clubes — uma decisão estratégica, já que o Miami acabou eliminado logo na primeira rodada dos playoffs da MLS.

Todo mundo sabia o verdadeiro motivo da presença do Miami no torneio: Lionel Messi. Infantino estava tão preocupado em gerar interesse no novo Mundial de Clubes que encontrou uma forma de incluir o maior nome do futebol atual.

Na época, as críticas foram bem mais brandas, muito por causa do calendário do Mundial de Clubes e do fato de ele ser visto, por muitos, como um torneio de pré-temporada. Mas a Copa do Mundo é outra história — é especial, é tratada quase como sagrada. Por isso a reação agora é muito mais dura: a Fifa estaria novamente contornando regras para garantir que outra superestrela mundial, Cristiano Ronaldo, possa atuar em todos os jogos de Portugal, inclusive na fase final do torneio no próximo verão na América do Norte.

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  • Republic of Ireland v Portugal - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    "Vou ser um bom menino"

    Antes do jogo de Portugal contra a Irlanda, em Dublin, no dia 13 de novembro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo disse que ia “tentar ser um bom menino”. Mas, pouco depois de uma hora de partida — com Portugal perdendo por 2 a 0, ambos os gols marcados por Troy Parrott — o atacante acabou acertando uma cotovelada nas costas de Dara O’Shea, claramente frustrado. Ele recebeu cartão amarelo, mas o lance foi revisto e corretamente transformado em cartão vermelho após a análise do VAR.

    Como costuma acontecer, Ronaldo não assumiu culpa. Ainda no gramado, fez um gesto ironizando O'Shea, como se o defensor tivesse exagerado ao cair. Logo depois, em uma discussão acalorada à beira do campo, o português chegou a culpar o técnico da Irlanda, Heimir Hallgrimsson, pela sua expulsão.

    “Ele me elogiou por pressionar o árbitro”, contou Hallgrimsson, que antes da partida já havia dito que Cristiano Ronaldo tentava influenciar a arbitragem — algo que, segundo ele, também tinha acontecido no duelo entre as seleções no mês anterior, em Lisboa. “Mas não teve nada a ver comigo. A não ser que eu tenha entrado na cabeça dele. Foi só um momento de bobeira dele. Sua própria ação em campo foi o que causou o cartão vermelho.”

    Pelo regulamento, aquilo deveria ter rendido a CR7 dois jogos de suspensão na Copa do Mundo do ano que vem.

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  • Republic of Ireland v Portugal - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    O cotovelo que “não era cotovelo”…

    Normalmente, uma expulsão por conduta violenta gera suspensão automática de três partidas. No caso de Ronaldo, isso significaria ficar fora do último jogo das Eliminatórias, contra a Armênia, e das duas primeiras partidas da Copa do Mundo. O lance foi claro e grave — em qualquer cenário, o gancho de três jogos seria uma formalidade.

    Mas Portugal tentou amenizar a situação. Primeiro, argumentou: “A ação parece pior do que realmente foi. Não achamos que tenha sido uma cotovelada — a câmera é que dá essa impressão.”

    Depois, mudou a estratégia. A federação portuguesa passou a defender que CR7 deveria receber “crédito” por nunca ter sido expulso pela seleção antes. E, inacreditavelmente, esse argumento colou.

  • Republic of Ireland v Portugal - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    Sem precedentes

    O comitê disciplinar da Fifa anunciou que os dois últimos jogos da suspensão de três partidas de Cristiano Ronaldo foram “congelados” por um ano — a menos que ele cometa outra infração semelhante nesse período. Se isso acontecer, a punição volta automaticamente e ele terá de cumprir os dois jogos restantes de imediato.

    Foi uma decisão surpreendente, inédita e, ao mesmo tempo, totalmente previsível. No fundo, todo mundo já esperava por isso.

    A verdade é que a Fifa não tinha como deixar o atleta com mais seguidores do planeta fora de seu principal evento. Cristiano Ronaldo é importante demais para a imagem da organização — algo reforçado pela sua presença, na semana passada, em um jantar na Casa Branca ao lado de Mohammed bin Salman, Gianni Infantino e o presidente dos EUA, Donald Trump.

    No fim, a Fifa preferiu ignorar seu próprio comitê disciplinar, porque seria muito mais difícil fechar acordos comerciais e vender ingressos sem Ronaldo liderando praticamente todas as campanhas de divulgação.

  • Gianni Infantino Cristiano RonaldoGetty Images

    Obsessão por superestrelas

    A decisão também reflete a estratégia da entidade de lotar suas competições de estrelas. Isso explica, por exemplo, por que ficou mais fácil para países com grandes audiências de TV chegarem à Copa do Mundo, agora ampliada para 48 seleções — algo que pode diminuir o nível técnico, mas aumenta (e muito) a receita.

    Vale lembrar também da tentativa frustrada de encaixar CR7 no Mundial de Clubes, sugerindo até que ele assinasse um contrato curto com um dos participantes, tamanha era a vontade de colocá-lo ao lado de Messi no torneio.

    E, no mesmo dia em que Ronaldo recebeu essa “trégua”, a Fifa revelou que, pela primeira vez, os quatro cabeças de chave — Espanha, Argentina, França e Inglaterra — só poderão se enfrentar a partir das semifinais, caso todos avancem. Na prática, uma forma clara de evitar que seleções com gigantescas torcidas sejam eliminadas cedo demais.

    Diante disso, fica a pergunta: se não estava ruim, por que mexer?

  • Republic of Ireland v Portugal - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    Precedente perigoso

    A decisão abre margem para que seleções ou jogadores usem esse caso como argumento para tentar anular futuras suspensões por conduta violenta. Qualquer atleta expulso nas Eliminatórias pode muito bem alegar “bom comportamento anterior” para pedir redução de pena.

    Com isso, a Fifa pode ter aberto uma verdadeira caixa de Pandora, criando um precedente complicado — e que já gerou indignação entre torcedores de todo o mundo.

  • FBL-WC-2026-PLAYOFF-DRAWAFP

    Apenas foque no futebol?

    Apesar das críticas, esse debate deve perder força conforme se aproxima a preparação para o maior evento do futebol mundial, com o sorteio da fase de grupos marcado para 5 de dezembro, em Washington D.C.

    A Fifa, de fato, ignorou seu próprio regulamento para beneficiar um jogador que considera essencial. Agora, cabe a Ronaldo cumprir sua parte: manter o “bom comportamento” daqui para frente.

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