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William Rogatto depoimento CPIJefferson Rudy/Agência Senado

Quem é William Rogatto e o que ele disse à CPI de Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas

A CPI de Manipulação de Resultados, que investiga irregularidades no futebol brasileiro, recebeu um depoimento para ligar ainda mais os alertas. O empresário William Rogatto fez revelações chocantes sobre seu envolvimento em esquemas de manipulação de jogos.

Durante a audiência, em Brasília, Rogatto afirmou ter atuado diretamente no rebaixamento de 42 times ao longo de sua carreira. E deu razão às acusações feitas por John Textor, dono da SAF do Botafogo, em relação à manipulação de resultados no futebol brasileiro ao afirmar que "pessoas que trabalharam para mim também trabalharam contra ele".

Segundo ele, os esquemas do qual fez parte envolveram desde manipulações de resultados até negociações de bastidores, envolvendo jogadores e técnicos. O empresário admitiu que essas práticas lhe renderam um lucro de aproximadamente R$ 300 milhões, conforme relatado ao Senado. Sua fala reforçou as preocupações sobre a extensão da corrupção no futebol nacional. Confira, abaixo, o que disse o empresário em seu depoimento.

  • Quem é William Rogatto

    William Rogatto, de 34 anos, é um empresário do ramo de apostas esportivas, conhecido como o "Rei do Rebaixamento". Morando em Portugal, ele é apontado como o principal mentor de um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasiliense 2024, o Candangão. Seu nome já havia surgido em uma investigação anterior, em 2020, por tentativa de manipular jogos da Série A3 do Campeonato Paulista. Atualmente, Rogatto é alvo de ordens de prisão preventiva e busca e apreensão, mas segue foragido fora do Brasil.

    "O esquema não é pequeno, há pessoas que já ganharam muito dinheiro comigo. Tenho muitos anos nisso, trabalhei em todos os estados do Brasil e trabalhei fora, é muito além disso daí que vocês estão buscando. Se eu não fui o maior, fui um dos maiores; se não fui o maior do Brasil, fui o mais organizado do Brasil. Tem outros grupos, não vou ficar falando deles. São pessoas perigosas. Só resolvi falar hoje porque estou pensando que tem que acabar com isso aí. Eu vejo torcedor se matando, hoje a gente vê torcida do Corinthians, o torcedor sofre pelo time e mal sabe do que acontece nos bastidores. Eu pago muito bem por um gol. Não estou protegido para mexer com os caras que estão acima de mim. Se eu mexer, eu vou cair. Eu sou grande até um ponto", disse.

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  • John Textor não é louco

    "Vocês falaram do John Textor, não é? Não sei as provas que John Textor tem, tá? Mas uma coisa eu posso falar: as pessoas que trabalharam para mim também trabalharam contra ele nesse campeonato, e as pessoas falam que não. Não estou aqui para enfrentar… Leila [Pereira, presidente do Palmeiras], não quero te enfrentar jamais, não estou falando que você fez ou não, está bom? Mas eu te garanto que o John Textor não está totalmente errado. Mas, enfim, é só pra você entender a dimensão em que está o futebol, cara. Entende? O que o chamam de louco, ele não é tão louco assim".

    Perguntado se participou de jogos citados por John Textor em sua acusação, como São Paulo x Palmeiras e Palmeiras x Vasco de 2023, Rogatto se esquivou: "Vou falar mais uma vez, vou deixar entre linhas… Esses são grandes, literalmente. Não posso vir aqui e enfrentar a Leila, não vou, isso é loucura da minha cabeça. Não vou enfrentar o presidente do São Paulo, não tem lógica", afirmou, dizendo ainda que as denúncias feitas por Textor "Tem fundamento, total…"

  • Manipulação no futebol é coisa antiga

    "O sistema é muito além disso, os grandes não vão cair nunca. Estamos falando de dentro da CBF, de dentro das federações, tenho provas e vídeos. Isso não vai dar em nada, vai fazer vítimas do sistema e, no final, não vai acabar porque não é de agora. Isso existe há mais de 40 anos, eu fiz parte do sistema. Se eu tiver que pagar, vou voltar para o Brasil e pagar. Eu sou só apenas uma ferramenta, o mundo do futebol é muito mais do que a gente pensa. Não vai dar em nada, a gente vai passar por isso, nunca vai acabar, a maior máfia está dentro da federação".

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  • Como funciona?

    "Basicamente, eu engano o presidente do clube. Vou pagar ele para colocar os meus atletas. Aquele time vai perder, ele vai me beneficiar nas minhas apostas. Alguns presidentes sabiam e aceitavam. Eu rebaixei 42 clubes no Brasil. Eu só posso ganhar dinheiro com eles caindo. Peguei dinheiro demais com os caras. Quando eu comecei, eu comecei sozinho, mas a ganância me dominou. Para isso eu tinha que colocar mais algumas pessoas no sistema, as pessoas viam que era lucrativo e centenas e centenas de empresários investiram em meu negócio. Eu tinha meus jogadores, meus atletas e entrava nos clubes, enganava alguns presidentes e alguns compactuavam comigo. O modus operandi é complexo, mas o básico é isso".

  • Árbitros no esquema?

    "Tinha árbitros também, dos dois. Um árbitro hoje oficial ganha em torno de R$ 7 mil por jogo, eu pagava R$ 50 mil para ele, o árbitro ganha pouco, o gatilho do futebol está na máfia, que é a confederação, é a CBF, que tem recursos e não passa. É tão simples, é uma matemática tão perfeita, não vê quem não quer. Está tão feio que, como não acontece nada, o sistema não faz nada, você vem e oferece um dinheiro fácil. Isso é um gatilho da corrupção que temos no Brasil. Eu sou uma máquina que estou oferecendo para o atleta dinheiro fácil e dando dignidade para ele oferecer comida ao filho dele".