Getty Images SportPep Guardiola brinca após Manchester City levar quatro gols: "Perdi meu cabelo"
City domina, depois desmorona, e de alguma forma se segura
Nos primeiros 55 minutos, o Manchester City esteve em ritmo avassalador. Erling Haaland comemorou seu 100º gol na Premier League, quebrando mais um recorde ao atingir a marca em apenas 111 partidas, e seus companheiros seguiram com uma enxurrada de gols que sugeria que o jogo estava decidido antes mesmo de uma hora de partida. Tijjani Reijnders marcou o segundo, Phil Foden anotou o terceiro, e Emile Smith Rowe reduziu para o Fulham antes do intervalo. Foden voltou a marcar logo após o início da segunda etapa e, quando o chute de Jérémy Doku desviou em Sander Berge para fazer 5 a 1, os torcedores visitantes relaxaram nas comemorações. Parecia rotina: outro dia, outra goleada sob o comando de Guardiola — a 41ª vez que sua equipe alcançava esse feito na Premier League.
Mas o que veio depois flertou com o caos. Alex Iwobi acertou um belo chute para diminuir a diferença e, de repente, o Fulham encontrou uma energia que não havia mostrado em toda a partida. Vindo do banco, Samuel Chukwueze transformou os minutos finais em algo próximo a um delírio. Seu primeiro gol abalou a compostura do City. O segundo, seis minutos depois, levou a torcida da casa à loucura e empurrou o time em busca de um empate improvável. Nos instantes finais, um corte desesperado de Josko Gvardiol quase em cima da linha evitou uma das reviravoltas mais improváveis da temporada.
Getty Images SportGuardiola: 'Foi sobrevivência!'
Rindo em descrença, Guardiola abriu a coletiva de imprensa com uma piada: “Vocês gostaram? Legal, né?!”
Mas quando um jornalista perguntou se ele tinha gostado, o técnico do Manchester City levantou as mãos. “Eu?! Meu Deus, eu perdi meus cabelos! Meu Deus!”, exclamou, meio brincando sobre os 90 minutos que acabara de enfrentar.
Guardiola admitiu que, nos minutos finais e frenéticos, o City estava simplesmente tentando sobreviver.
“É a Premier League, você não consegue controlar, é a Premier League”, disse ele. “Sei que vocês vão perguntar o que aconteceu, e eu não tenho uma resposta. É emoção, é futebol. Por que você faz isso, por que faz aquilo? Mas lamento dizer: fizemos coisas incríveis hoje, incríveis, porque sei como é difícil enfrentar essa equipe."
“Mostramos isso, marcamos os gols que marcamos e a qualidade com que jogamos. Erling teve uma chance para fazer 6 a 3 e, logo depois, estava 5 a 4. Quando isso acontece, é só uma questão de sobrevivência. Não me pergunte como — os jogadores também não sabem. No fim, conseguimos.”
O City está agora apenas dois pontos atrás do líder Arsenal, que enfrenta o Brentford nesta quarta, mas a vulnerabilidade defensiva levanta questões incômodas para um time que mira uma campanha longa pelo título.
“O Arsenal é muito forte e muito sólido. Então eu sei o que precisamos fazer”, acrescentou Guardiola. “Será difícil, mas, ao mesmo tempo, a Premier League é muito longa. E prometo a vocês: tenho experiência suficiente em campanhas longas, longas, para tentar brigar pelo título.”
História feita, mas preocupações defensivas persistem
A partida gerou uma série de marcas estatísticas. Foi o primeiro jogo do Fulham na elite com nove ou mais gols desde 1968, e o primeiro em casa com esse número desde 1965. Para o Manchester City, foi a primeira vez desde dezembro de 1957 que a equipe venceu um jogo da liga mesmo sofrendo quatro gols. Também se tornou o sexto jogo da era Guardiola na Premier League com nove ou mais gols — número superado apenas pelo Manchester United, com sete.
"Claro que estava preocupado (que o Fulham pudesse reagir), mas isso vai nos ajudar em partidas futuras", disse Guardiola. "Para alguns jogadores, cada jogo significa uma nova equipe. Você precisa passar por um processo para começar a corrigir as coisas. Houve muita coisa positiva no que fizemos — vir aqui, marcar cinco gols e a forma como jogamos naquele primeiro tempo."
"No fim, tudo se resumiu ao caráter, à resiliência e à defesa. Eles fizeram o que precisavam fazer."
GettyO que vem por aí para o Manchester City?
O Manchester City terá pouco tempo para se recompor após todo o caos. A equipe volta a campo já no próximo sábado, quando recebe o Sunderland no Etihad Stadium, e Guardiola certamente espera por algo bem mais tranquilo do que a loucura pela qual passou na terça-feira.



