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EXCLUSIVO: Goleiro da seleção fala ao GBGT, revela seus planos para o futuro e relembra a marcante defesa do pênalti cobrado por Messi

Por Nara Franco e Rupert Fryer

Jefferson está calmo e sereno. Ouve de forma quieta e concentrada as perguntas e dá respostas confiantes, seguras. Não há sinais de nervosismo ou tensão dias antes do clássico contra o Flamengo, pelo Campeonato Carioca.

"Este é o melhor momento da minha carreira", revela ao Brasil Global Tour.

O goleiro, de 32 anos, é cara do clube alvinegro. Tanto assim, que minutos depois da nossa conversa, ele volta a falar, dessa vez com um jornal do Rio. Será destaque da edição de domingo, dia do clássico e aniversário de 450 anos da Cidade Maravilhosa.

Em seis anos defendendo o gol do Botafogo, Jefferson se tornou líder e referência. Pode não ter no currículo um título nacional pelo Fogão, mas seu comprometimento com a Estrela Solitária, já fez dele capitão do time e lenda do clube.

"O Botafogo é um clube pelo qual sempre vou ter um enorme carinho. Renovei me contratto até 2017 e pretendo encerrar minha carreira aqui", diz.

Dias depois, no Maracanã, Jefferson mostrou em campo porque é tão adorado pelos torcedores botafoguenses. Com a frieza de sempre, comandou o time e fez defesas importantes, garantindo a vitória do Botafogo por 1-0. Mesmo enfrentando problemas financeiros e algumas crises, Jefferson sempre se manteve ao lodo da torcida e do time. Sua lealdade e confiança é recompensada pela arquibancada, que a cada defesa, grita: "É o melhor goleiro do Brasil!".

O técnico da seleção brasileira concorda. Reserva de Julio Cesar na Copa do Mundo, desde que o ex-jogador e capitão do Tetra Dunga assumiu a seleção nacional, Jefferson só perdeu a posição de titular devido a uma contusão. Com ele no time, o Brasil venceu quatro patidas sem levar gol.

Mãos seguras | Jefferson se manteve invicto nos amistosos da seleção

Seu melhor momento, ele conta, foi contra a Argentina no Superclássico das Américas, quando defendeu o penâlti cobrado por ninguém menos que Lionel Messi. O Brasil ganhou o jogo por 2-0.

“Foi um momento especial", ele relembra. Não que ele tenha tido muito tempo para comemorar. Mas, sem dúvida, ficou marcado. "Claro que no momento eu fiquei feliz mas não dá para comemorar como a torcida. A gente sabia que tinha um longo caminho pela frente no jogo".

“Essa defea vai ficar marcada na minha memória, na minha família, no meu currículo. Mas eu tenho que manter os pés no chão porque uma vez que você chega na Seleção o difícil mesmo é se manter lá".

"Estou na melhor fase da minha carreira, na minha melhor forma não somente dentro de campos como fora dele. Estou muito mais experiente, mais maduro", garante.

Uma nação apaiaoxnada por futebol também concorda. Assim como Dunga, a quem Jefferson impressionou.

"O Dunga eu estou conhecendo", o goleiro comenta. "Ele é uma pessoa que aspessoas acham que é muito dura, mas pelo contrário: ele é um cara quieto, uma ótima pessoa. Aqueles que estão com ele, ele abraça de todo coração".

Jefferson é um dos remanescentes da Copa do Mundo de 2014. Eleito o melhor goleiro do Campeonato Brasileito por duas vezes, ele sabe que a seleção brasileira está em um caminho de reconstrução. Sabe ainda que precisa se manter o topo por um período de três anos.

 “Minha intenção é jogar a Copa do Mundo na Rússia e acredito que chegarei lá mais forte do que estou hoje".

O jogador viu do banco de reservas o Brasil sofrer a pior derrota de sua história ao ser eliminado pela Alemanha por 7-1 no Mineirão, em Belo Horizonte. Do jogo tirou lições e mantém o foco para reverter a imagem ruim que pesa sobre o futebol brasileiro.

Mesmo falando da derrota, mantem-se frio como seu herói de juventude, Dida, ex goleiro da seleção brasileira, conhecido por esboçar em campo poucas reações. Jefferson conheceu Dida no Cruzeiro, quando ainda era um adolescente.

"Quando terminava o treino eu ficava no campo olhando tudo o que o Dida fazia. Como ele alongava, como ele corria. Eu tentava imitar tudo", conta rindo.

Jefferson estreou no time profissional do Cruzeiro pelas mãos de Luiz Felipe Scolari, técnico que ele reencontrou anos depois na seleção brasileira. Mesmo não tendo um contato constante com Felipão - os dois se encontram em aeroportos ou em jogos de seus clubes - o goleiro ainda é muito grato ao treinador gaúcho.

Lealdade |Mesmo com o time rebaixado, Jefferson permaneceu no Botafogo

“Uma coisa que nunca vou esquecer foi o primeiro jogo como profissional. Eu tinha 17 anos e todas as pessoas, os repórteres diziam: "Você tá maluco?’ Vai colocar um goleiro de 17 anos para jogar?" E o Fdlipão dizia: "Eu confio no guri".

“Eu estava um pouco nervoso e ele veio até mim e disse: ‘Guri, vai lá e faz o que tu faz nos treinos. É só não inventar. E se você levar cinco gols, não importa porque você tem a minha confiança’. Ele estava lá por mim e isso eu nunca vou esquecer."

Entre os títulos conquistados, Jefferson tem um Mundial Sub-20, a Copa das Confederações de 2013 e dois títulos Cariocas, além do Superclássico das Américas contra a Argentina. A essas conquistas, Jefferson quer somar mais uma: a Copa América de 2015, que será disputada no Chile. Um torneio que o brasil. mais uma vez, entra para ganhar. Embora o técnico Dunga insista em dizer que sua prioridade são as Eliminatórias para a Copa de 2018.

"Toda vez que o Brasil entra em uma competição, entra para ganhar. A pressão é normal e os jogadores que estarão lá têm que sentir essa pressão. Mas não há uma obrigação de ser campeão.

"Como o Dunga mesmo diz, a seleção brasileira está passando por um período de mudança. Estamos olhando para a Copa do Mundo de 2018. Claro que não vamos esquecer as demais competições, mas temos que ir passo a passo".


"A defesa do pênalti do Messi ficará na minha memória para sempre"

- Jefferson

Quando ele fala em reconstrução, logo vem a cabeça o fraco desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Mas, como sempre, Jefferson mantem a mesma calma de sempre para falar de uma experiencia que ele considera triste não só para os jogadores. Nove meses depois da deerota, ele se torna filosófico ao falar sobre o que aconteceu com o Brasil.

"Acho que a gente talvez - e não estou só falando dos jogadores mas também do povo brasileiro - criou uma responsabilidade de que tínhamos que ganhar. Minha lição é essa: não temos que criar para a gente mesmo tanta pressão, tanto pesopara carregar. Criamos uma responsabilidade grande e não estávamos preparados para ela".

Enquanto explica, Jefferson dá a entender que esse é um assunto do passado: "Espero continuar mantendo um bom trabalho na seleção brasileira".

“Joguei as últimas seis partidas e graças a Deus não levamos gol. Espero manter essa sequencia e para isso sei que tenho que me destacar no Botafogo".

Mesmo jogando na Série B?

“O Botafogo tem grande visibilidade em todos os torneios que participa, não somente no Campeonato Brasileiro. Basta manter o foco que as oportunidades irão aparecer".

E foco nunca foi mesmo um problema para Jefferson. Dunga pode descansar que o gol da seleção brasileira está em boas mãos.