A temporada de 1994 não vinha sendo das mais fáceis ao tricampeão, já que aquele carro da Williams não vinha correspondendo às suas expectativas. Ainda assim, no dia 20 de abril, o piloto viveu uma noite marcante.
Em Paris, no Estádio Parque dos Príncipes, um 'mistão' entre Paris Saint-Germain e Bordeaux fazia um amistoso contra a seleção brasileira. Ayrton foi quem deu o pontapé inicial do jogo, saindo de campo sob ensurdecedores aplausos franceses, brasileiros e de qualquer outra nacionalidade dos presentes no estádio.
O episódio serviu como mais uma comprovação do quão universal era a sua adoração pelos fãs.
Ayrton, porém, viria a falecer apenas 11 dias depois.
Em seu podcast, o PodFalar, Galvão, Galvão Bueno, que estimava grande proximidade com o piloto, lembrou que o piloto estava relutante, inicialmente, em aceitar o convite para iniciar o jogo em Paris. "Ele não queria ir porque era o país do Alain Prost, mas foi ovacionado", recordou.
À época, Senna buscava o tetracampeonato mundial, na Fórmula 1, assim como a seleção brasileira. "No momento, acho que a seleção está com mais chances do que a Fórmula 1", brincou Senna, entrevistado no intervalo da partida, que terminaria em um 0 a 0 chocho. "Vocês aceleram de lá, e eu acelero daqui", afirmou o piloto à comissão e aos jogadores brasileiros, antes da bola rolar.
Assim, quando a seleção enfim conquistou o tetra, mais tarde naquele ano, Senna obviamente foi lembrado. A seleção, no Rose Bowl, na Califórnia, carregou uma mensagem que transmitia aquilo que um país inteiro queria falar: "Senna, aceleramos juntos, o tetra é nosso!"