Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt
imago-sport-1085112860.jpgPRESSE SPORTS
Traduzido por

Uma ironia que abre o debate: a Bola de Ouro foi injusta com David Raya após seu brilho no Arsenal?

Os números podem parecer suficientes para encerrar o debate sobre quem é o melhor goleiro do mundo, mas a disputa da Bola de Ouro provou que o quadro nem sempre se resume ao número de gols sofridos ou de partidas sem levar gols.

Entre uma temporada excepcional feita por David Raya com o Arsenal e um feito histórico alcançado por Unai Simón com a seleção da Espanha, surge um paradoxo que abre espaço para o questionamento: a votação fez justiça ao goleiro do Athletic Bilbao, ou Raya merecia o prêmio depois do que apresentou com o clube londrino?

Na cerimônia da Bola de Ouro realizada em Londres na noite de segunda-feira, Simón venceu a disputa pelo prêmio de melhor goleiro, superando Raya e outros oito indicados, sendo eles o marroquino Yassine Bounou, o belga Thibaut Courtois, o espanhol Joan García, o suíço Gregor Kobel, o argentino Emiliano Martínez, o senegalês Édouard Mendy, o russo Matvey Safonov e o goleiro cabo-verdiano Vozinha.

Mas a comparação dos números dos dois goleiros ao longo da temporada levanta mais de um ponto de interrogação, especialmente porque Raya foi um dos principais elementos do Arsenal em sua trajetória rumo ao título da Premier League, enquanto Simón sofreu com um número maior de gols sofridos com sua equipe.

  • Raya: números excepcionais na temporada do título do Campeonato

    David Raya foi um dos principais responsáveis pela conquista do título da Premier League pelo Arsenal, após uma ausência de 22 anos, ao realizar uma temporada notável em termos de defesas e de jogos sem sofrer gols.

    O goleiro espanhol, de 31 anos, disputou 37 partidas na competição, nas quais manteve o gol invicto em 19 jogos, o maior número entre os goleiros do campeonato, enquanto sofreu apenas 26 gols, a uma média inferior a um gol por partida.

    A influência de Raya não se limitou às competições nacionais, mas ele também desempenhou um papel importante na chegada do Arsenal à final da Liga dos Campeões da Europa, antes da derrota da equipe para o Paris Saint-Germain nos pênaltis.

    Na competição continental, Raya participou de 14 partidas, terminando 9 delas sem sofrer gols, e seu gol foi vazado apenas 5 vezes, a uma média de 0,35 gol por partida.

    O goleiro espanhol não participou de nenhuma partida da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, mas encerrou a temporada com um total de 51 jogos pelo Arsenal em todas as competições, nos quais manteve o gol invicto em 28 partidas e sofreu 31 gols, a uma média de 0,60 gol por partida.

  • Simon: números menos convincentes com o Bilbao

    Por outro lado, os números de Unai Simón pelo Athletic Bilbao não parecem comparáveis aos que Raya conquistou pelo Arsenal, pelo menos ao observar o número de gols sofridos e as partidas em que manteve sua meta invicta.

    No Campeonato Espanhol, Simón, de 29 anos, disputou 37 partidas, saindo com a meta invicta em apenas 6 delas, enquanto sofreu 54 gols, a uma média de 1,4 gol por partida.

    Já na Liga dos Campeões, participou de 8 partidas, nas quais manteve sua meta invicta em apenas duas, ao passo que sofreu 14 gols, a uma média próxima de dois gols por partida.

    O goleiro do Bilbao também sofreu 5 gols em uma única partida diante do Barcelona pela Supercopa da Espanha, elevando o total de suas atuações pelo time ao longo da temporada a 46 partidas em diferentes competições, nas quais sofreu 73 gols, a uma média de 1,5 gol por partida.

    E, ao comparar esses números com os que Raya conquistou, a vantagem parece evidente para o goleiro do Arsenal, seja em relação ao número de gols sofridos ou às vezes em que saiu com a meta invicta. Mas essa comparação, por si só, não conta a história completa.

  • As defesas revelam o outro lado da comparação

    A comparação entre goleiros exige observar o nível de pressão a que cada um está exposto, e não se limitar aos gols sofridos ou ao número de partidas sem levar gol.

    O Arsenal costuma impor seu domínio da posse de bola diante de muitos de seus adversários na Premier League e na Liga dos Campeões, o que pode reduzir o número de chances que chegam à meta de Raya. Já o Athletic Bilbao enfrenta períodos de maior pressão diante de alguns de seus rivais, o que coloca Simón diante de testes diferentes.

    As estatísticas da plataforma "Sofascore" ilustram parte desse quadro. No campeonato, Raya registrou 60 defesas e salvou 70% das finalizações que enfrentou, enquanto o número de suas defesas na Liga dos Campeões subiu para 36, com um índice de sucesso de 88%.

    Por outro lado, Simón defendeu 100 finalizações no Campeonato Espanhol e salvou 65% do total de finalizações direcionadas à sua meta. E na Liga dos Campeões, registrou 24 defesas, com um índice de sucesso de 63%.

    Esses números indicam que Simón enfrentou um número maior de finalizações no campeonato, enquanto Raya se destacou no índice de defesas ao longo das duas competições. Ainda assim, a diferença no número de partidas e a natureza das chances que cada goleiro enfrentou continua sendo um fator importante na interpretação das estatísticas, e não se pode confiar em um único número isolado para julgar o desempenho.

  • GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

    Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

    Siga GOAL no Google
  • Copa do Mundo: a carta na manga no dossiê de Simone

    Se os números dos clubes concedem a Raya uma vantagem clara em diversos aspectos, a participação dos dois goleiros com a seleção espanhola oferece uma explicação importante para a escolha de Simón.

    O goleiro do Athletic Bilbao disputou as oito partidas que a seleção da Espanha realizou na Copa do Mundo de 2026 e contribuiu para a conquista do título pela segunda vez em sua história, enquanto Raya permaneceu no banco de reservas por decisão do treinador Luis de la Fuente.

    Ao longo da campanha da Espanha no torneio, Simón manteve sua meta invicta em 7 das 8 partidas, sofrendo apenas um gol, além de realizar somente 10 defesas, e recebeu o prêmio de Luva de Ouro de melhor goleiro do Mundial.

    Sua conquista não se limitou à taça, mas se estendeu ao registro da maior sequência da história da Copa do Mundo sem sofrer gol, após manter sua meta invicta por 650 minutos consecutivos.

    A sequência se estendeu desde suas duas últimas partidas na edição de 2022 até as primeiras 6 partidas e meia na Copa do Mundo de 2026, antes de ser encerrada pelo gol da seleção belga nas quartas de final.

  • A Copa do Mundo definiu a disputa pela Bola de Ouro?

    A comparação revela um claro paradoxo: Raya superou em uma série de indicadores numéricos durante a temporada de clubes, especialmente em gols sofridos e partidas com o gol intacto, enquanto Simón tinha uma carta difícil de ignorar, representada por seu papel na conquista da Copa do Mundo pela Espanha, além de ter vencido o prêmio de Luva de Ouro e registrado uma sequência histórica no torneio.

    E talvez essa conquista internacional tenha contribuído para inclinar a balança em favor de Simón entre os jornalistas que participaram da votação, apesar dos números impressionantes alcançados por Raya com o Arsenal.

    Mas isso significa que Raya foi injustiçado? Os números por si só não resolvem essa questão; eles destacam sua superioridade em aspectos importantes, mas não anulam o peso das conquistas internacionais na avaliação da temporada de um goleiro.