Foi a quarta vitória consecutiva do Madrid no campeonato, e a equipe agora está atrás do líder de La Liga apenas no saldo de gols. Federico Valverde e Guler marcaram com oito minutos de diferença no primeiro tempo. Depois, Guler deu o passe para Mbappe anotar seu 13º gol no campeonato nesta temporada, a 15 minutos do fim. O Valencia, que terminou com dez jogadores após a expulsão de Jose Gaya, segue em 19º lugar, com nove pontos, a um ponto de sair da zona de rebaixamento, depois de sofrer sua sétima derrota em 12 jogos no campeonato.
Os números mostram como o jogo foi desequilibrado. O Madrid teve 68% de posse de bola, finalizou 19 vezes contra quatro do Valencia e registrou 2,26 gols esperados (xG), contra 0,16. Foram 33 toques na área do Valencia, enquanto os donos da casa conseguiram cinco na área do Madrid. O Valencia não criou nenhuma grande chance.
O esquema tático do Valencia
Javier Aguirre escalou o Valencia no 5-3-2, com Pepelu, Cesar Tarrega, Justin de Haas, Pablo Maffeo e Gaya na linha defensiva, Javi Guerra, Guido Rodriguez e Aaron Mayol no meio-campo, e Umar Sadiq e Arnaut Danjuma no ataque. O Valencia recuou e, no início, mal conseguiu sair do próprio campo. Até os 16 minutos, a equipe não havia tocado na bola no campo do Madrid.
Quando não conseguia recuperar a bola, o Valencia cometia faltas. Foram 26, contra seis do Madrid, além de quatro cartões amarelos e um vermelho. Seis dessas faltas foram apenas em Mbappe.
O melhor momento do Valencia veio entre os 18 e os 21 minutos, a partir de um erro do Madrid. Aurelien Tchouameni perdeu a bola na entrada da própria área, e Thibaut Courtois precisou espalmar para escanteio o chute de bate-pronto de Mayol. Na cobrança, a bola foi levantada de volta para a área e Guido Rodriguez completou para o gol, mas estava impedido por cerca de um metro. Pouco depois, Marc Cucurella precisou afastar, no último instante, um cruzamento do Valencia.
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A maioria dos ataques do Valencia, 54%, veio pela direita. A chance mais clara, porém, surgiu do outro lado. Aos 66 minutos, Guerra enfiou a bola para Danjuma, que levou a melhor sobre Valverde e obrigou Courtois a fazer uma defesa rasteira, em uma finalização de ângulo fechado.
O esquema tático do Real Madrid
Jose Mourinho optou pelo 4-2-3-1. Valverde, o capitão, atuou na lateral direita, com Ibrahima Konate e Dean Huijsen no centro da defesa e Cucurella pela esquerda. Tchouameni e Bernardo Silva jogaram à frente da linha defensiva, com Guler, Jude Bellingham e Yan Diomande atrás de Mbappe.
O Madrid controlou a posse desde o início, completando 568 de seus 627 passes (91%). Desses passes certos, 343 foram no campo do Valencia. O ataque se concentrou na esquerda, por onde vieram 49% das jogadas ofensivas, contra 23% pelo meio. Era o lado de Cucurella e Diomande. Diomande passou por dois defensores aos 15 minutos e, aos 40, o Valencia já precisava colocar dois jogadores para marcá-lo. Bellingham e Cucurella também tabelaram por ali. Uma troca de passes entre os dois levou o lateral-esquerdo à linha de fundo logo aos sete minutos.
Sem a bola, o Madrid mostrou organização. Quando o Valencia iniciou um contra-ataque aos oito minutos, sete jogadores do Madrid já haviam recuado para trás da linha da bola.
O duelo tático
O confronto decisivo aconteceu pela esquerda do Madrid, contra a direita do Valencia, o lado por onde saíram a maioria dos ataques das duas equipes. Maffeo ficou sob pressão durante toda a partida. Cometeu faltas em Diomande aos 15 minutos, em Cucurella aos 21 e aos 23, e em Mbappe aos 26. Nesse último lance, uma bola lançada por cima da defesa chegaria ao atacante francês, mas Maffeo o derrubou na entrada da área. Recebeu apenas o cartão amarelo, mas a cobrança de falta resultou no primeiro gol. A batida de Mbappe voltou da barreira, e Valverde acertou um chute rasteiro de cerca de 18 metros.
O segundo gol veio de uma pressão contínua, não de um contra-ataque. Bellingham chegou à linha de fundo e cruzou para trás. A bola desviou e sobrou para Guler marcar de voleio, com o gol vazio, oito minutos depois do primeiro.
A outra arma foram os passes nas costas da defesa. Guler procurou repetidamente as arrancadas de Mbappe contra a linha de cinco do Valencia. Seu passe em profundidade aos 31 minutos saiu forte demais, e Stole Dimitrievski ficou com a bola. Aos 55, outro passe encontrou Mbappe dentro da área, mas o goleiro do Valencia defendeu a finalização. Aos 75, o passe foi perfeito. Mbappe driblou Dimitrievski no primeiro toque e, no segundo, empurrou a bola para o gol vazio. Só essa chance valeu 0,79 xG, mais de um terço do total do Madrid.
Dimitrievski impediu por muito tempo que o placar fosse mais elástico. Fez oito defesas, enquanto o Madrid acertou 11 finalizações no gol. Entre os 55 e os 68 minutos, parou Mbappe três vezes e Bellingham duas. Os gols esperados a partir das finalizações no alvo do Madrid chegaram a 3,67. Já o Valencia, que não finalizou entre os 32 e os 66 minutos, terminou com dois chutes no gol.
Os ajustes durante o jogo
Aguirre fez uma mudança no intervalo: tirou o defensor De Haas e colocou Luis Rioja. O Valencia começou bem o segundo tempo, mas Konate interrompeu um ataque promissor com um bom desarme em Sadiq dentro da área. Sadiq deu lugar a Aimar Blazquez aos 58 minutos. Quatro minutos depois, Aguirre substituiu os dois jogadores que haviam recebido cartão amarelo: Arnau Martinez entrou no lugar de Maffeo, e Filip Ugrinic substituiu Guido Rodriguez.
O espaço atrás da linha defensiva acabou com as chances de reação do Valencia. Depois do gol de Mbappe, o Madrid voltou a avançar rapidamente aos 79 minutos. Mbappe tocou a bola à frente de Gaya, o último jogador de defesa na linha do meio-campo, e o capitão do Valencia foi expulso por derrubá-lo quando ele estava prestes a sair livre. Aguirre então substituiu o meio-campista Guerra pelo defensor Jesus Vazquez.
Mourinho esperou até os 83 minutos para fazer suas primeiras substituições: Brahim Diaz, Endrick e Eduardo Camavinga entraram nos lugares de Diomande, Bernardo e Guler. As mudanças reduziram a intensidade do jogo, e o Madrid manteve a posse por longos períodos contra dez jogadores. Thiago Pitarch e Carlos Espi substituíram Bellingham e Mbappe aos 90 minutos. Cucurella quase criou a chance do quarto gol ao cabecear a bola para Brahim, cuja finalização foi abafada por Dimitrievski.
Conclusão
O plano do Valencia era defender recuado com cinco jogadores na linha de trás e interromper o jogo com faltas, mas isso não impediu o Madrid de criar chances. A equipe de Mourinho foi recompensada pelos ataques pela esquerda, onde Maffeo teve dificuldades durante toda a partida, e pelos passes de Guler para encontrar Mbappe nas costas da defesa. Apenas as defesas de Dimitrievski impediram um placar mais elástico. Com o resultado, o Madrid fica empatado com o Barcelona na liderança, enquanto o Valencia permanece na zona de rebaixamento.



