Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt
Esta página tem links afiliados. Quando você compra um serviço ou um produto por meio desses links, nós podemos ganhar uma comissão.
Kylian Mbappe Real Madrid 2026 pre-seasonGetty
Traduzido por

Mbappé não é o primeiro: Özil, a Premier League e a NBA na lista de inimigos da China

A crise provocada pelas declarações de Kylian Mbappé sobre o líder chinês Mao Tsé-Tung voltou a lembrar o tamanho dos interesses financeiros que ligam o futebol europeu ao mercado chinês, bem como a capacidade de Pequim de usar a transmissão televisiva e o patrocínio comercial para pressionar instituições esportivas estrangeiras.

Os desdobramentos chegaram aos direitos de transmissão televisiva do Campeonato Espanhol e aos contratos comerciais do atacante francês, o que levou o Real Madrid e a La Liga a apresentarem pedidos de desculpas, numa tentativa de conter a situação.

Leia também

Bournemouth desafia: não venderemos nosso atacante nem que o Barcelona ofereça 100 milhões de euros

Barcelona se recusa a entrar em disputa financeira com Real Madrid e Paris

A crise começou após a circulação de um trecho de uma entrevista em vídeo de Mbappé, no qual ele falou sobre uma imagem satírica em que seu rosto aparecia montado sobre a imagem de uma figura política chinesa, e descreveu a figura como um ditador chinês.

Apesar de não ter citado Mao Tsé-Tung pelo nome, a imagem foi associada ao ex-líder chinês, o que provocou grande indignação nas redes sociais chinesas.

Mbappé apresentou um pedido de desculpas, lamentando ter ferido os sentimentos de pessoas na China e fora dela. O Real Madrid também se desculpou oficialmente com o povo chinês, e o presidente da La Liga, Javier Tebas, moveu-se para conter a crise, mas os pedidos de desculpas não encerraram a divergência de imediato.

Segundo informações da imprensa, empresas chinesas, entre elas o grupo de laticínios Mengniu, a Shanghai Milkground e a Dongpeng Beverage, encerraram suas relações comerciais com o jogador, num desdobramento que ameaça suas receitas publicitárias e suas oportunidades futuras no mercado chinês.

Por que todos temem perder a China?

A importância do mercado chinês está nos direitos de transmissão e no acesso a milhões de torcedores, além das oportunidades de patrocínio, publicidade e comercialização de produtos.

Em agosto de 2026, a La Liga anunciou um acordo com a plataforma Migu, pertencente à China Mobile, para se tornar a parceira exclusiva dos direitos de transmissão pela internet na China continental, durante as quatro temporadas de 2026-2027 a 2029-2030, com a disponibilização das 380 partidas de cada temporada.

Já o Real Madrid corre o risco de ter prejuízos nas vendas de produtos e camisas, de ver reduzidas as oportunidades de patrocínio comercial e de sofrer impacto no valor de mercado de suas estrelas.

O próprio Mbappé enfrenta perdas mais evidentes, depois que empresas chinesas encerraram seus contratos com ele. O jornal francês "Le Monde" citou uma estimativa que coloca o valor de alguns dos acordos encerrados em cerca de 50 milhões de yuans, ou seja, aproximadamente 6,7 milhões de euros.

Precedentes chineses

O esporte mundial viveu crises semelhantes nos últimos anos, com destaque para a crise da liga de basquete norte-americana (NBA) em 2019, quando Daryl Morey, gerente-geral do Houston Rockets, publicou uma mensagem de apoio aos protestos em Hong Kong.

A China respondeu suspendendo a transmissão dos jogos da liga, e sua ausência da televisão chinesa durou cerca de 18 meses, antes do retorno em março de 2022. Mas Morey não foi demitido para agradar à China, apesar dos prejuízos comerciais. Relatórios norte-americanos estimaram as perdas ligadas à crise em centenas de milhões de dólares, com variações nas estimativas conforme o escopo do cálculo e o período de tempo.

Em dezembro de 2019, o ex-internacional alemão Mesut Özil provocou uma crise após criticar o tratamento dado pela China à minoria muçulmana uigur. A emissora de televisão chinesa retirou o jogo entre Arsenal e Manchester City de sua grade de transmissão, em resposta às declarações do então jogador do Arsenal, enquanto o clube londrino se distanciou das declarações de seu atleta, afirmando que expressavam sua opinião pessoal.

A associação de tenistas profissionais (WTA) também entrou em confronto direto com a China, em 2021, após o desaparecimento da tenista chinesa Peng Shuai da vida pública, depois de ela acusar um alto funcionário chinês de agressão sexual.

Em dezembro do mesmo ano, a associação anunciou a suspensão de todos os seus torneios na China e em Hong Kong, exigindo a garantia da segurança da jogadora e a realização de uma investigação transparente, apesar dos grandes riscos financeiros, já que a China sediava 9 torneios da associação na temporada de 2019, entre eles o torneio final.

Relatórios da "Reuters" estimaram que a decisão poderia custar à associação centenas de milhões de dólares. Mas o boicote não atendeu plenamente às exigências da associação; em abril de 2023, ela anunciou a retomada de seus torneios na China após cerca de 16 meses de suspensão, apontando que a continuidade do boicote impunha custos financeiros elevados aos jogadores e aos torneios, apesar de não ter havido progresso suficiente em relação às suas exigências originais.

Em março de 2022, emissoras chinesas bloquearam partidas do Campeonato Inglês, durante uma rodada que registrou iniciativas de solidariedade à Ucrânia, entre elas o uso de braçadeiras com as cores da bandeira ucraniana.

Esses precedentes mostram como a China usa a arma do boicote de forma ampla no âmbito esportivo, aproveitando sua grande influência econômica e o fato de possuir um mercado gigantesco que clubes, jogadores e organizadores de torneios temem perder.


GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

Siga GOAL no Google