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Corinthians 2026 GFXGetty Images/GOAL

Defesa sólida, ataque travado: o dilema do Corinthians de Fernando Diniz no Brasileirão 2026

O início de trabalho de Fernando Diniz no Corinthians já oferece sinais claros — alguns animadores, outros preocupantes. Em oito jogos à frente da equipe, o treinador acumulou sete partidas de invencibilidade, sequência interrompida na derrota para o Mirassol, fora de casa, pela última rodada do Brasileirão. O revés, porém, não foi apenas mais um resultado negativo: expôs, talvez de forma mais contundente, a pior atuação do time sob seu comando.

Desorganizado, pouco criativo e sem presença ofensiva, o Corinthians praticamente não conseguiu competir no ataque. O cenário preocupa ainda mais quando colocado em perspectiva: são apenas três vitórias em 14 jogos no Campeonato Brasileiro de 2026, campanha que mantém o clube na 17ª posição da zona de rebaixamento. O desafio de Diniz, portanto, vai além da proposta de jogo: passa pela urgência de fazer o time reagir na competição de pontos corridos.

A derrota recente escancarou um problema que já vinha sendo percebido: apesar de bons resultados pontuais, especialmente na Copa Libertadores 2026, onde a equipe mostra eficiência, o setor ofensivo ainda é um entrave. A falta de criatividade e contundência coloca em risco o equilíbrio da temporada e acende um alerta conhecido. Em 2025, sob o comando de Dorival Júnior, o Corinthians também brilhou em mata-matas, mas sofreu no Brasileirão — um roteiro que ameaça se repetir caso ajustes não sejam feitos rapidamente.

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  • Corinthians v Peñarol - Copa CONMEBOL LibertadoresGetty Images Sport

    Falta de referência no ataque

    Se a defesa começa a dar respostas, o ataque segue como principal dor de cabeça. O Corinthians tem o pior ataque do Brasileirão 2026, com apenas 10 gols marcados em 14 jogos, número que escancara a dificuldade ofensiva da equipe. Mais do que a baixa produção, chama atenção a ausência de protagonismo: os gols estão pulverizados no elenco.

    O artilheiro do time na competição é, curiosamente, o lateral Matheus Bidu, com dois gols. Na sequência aparecem Rodrigo Garro, Breno Bidon, Gabriel Paulista, André Ramalho, Yuri Alberto, Memphis Depay, Dieguinho e João Pedro, todos com um gol cada. A distribuição evidencia a falta de uma referência clara no ataque, alguém que o time pode contar para marcar quando o coletivo não funciona. No passado, isso existia; hoje, não mais.

    A ausência de Memphis Depay, lesionado, pesa. Já Yuri Alberto vive fase distante de seus melhores momentos, especialmente comparando com o desempenho de 2024, quando foi o artilheiro do Brasil, com 31 tentos. A chegada de Jesse Lingard surge como tentativa de dar mais profundidade ao setor, mas o inglês teve pouco tempo para provar que pode render. Kaio César, empréstimo do Al Hilal, é outro que ainda não engrenou.

    As peças estão aí, só não conseguem ser aproveitadas, e parte da tarefa de Fernando Diniz é fazer com que a engrenagem dos gols volte a girar.

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  • Corinthians v Vasco Da Gama - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    O que era carência virou certeza

    Se por um lado o ataque preocupa, a defesa mostra evolução significativa. O Corinthians tem a terceira melhor defesa do Brasileirão, com 13 gols sofridos, atrás apenas de Palmeiras (11) e Flamengo (12), empatado com o São Paulo.

    A solidez defensiva é um avanço claro em relação aos trabalhos anteriores, especialmente sob Dorival Júnior e Ramón Díaz, quando o sistema era alvo constante de críticas e visto como a principal carência da equipe.

    Hoje, Gustavo Henrique e Gabriel Paulista formam uma dupla de confiança, segura pelo alto e também em terra, enquanto Matheus Bidu, na lateral-esquerda, aparenta estar na melhor forma da sua carreira até então; na direita, Matheuzinho também estava em boa fase até sua mais recente lesão, enquanto debaixo das traves Hugo Souza vem mostrando a segurança que o torcedor corintiano já ficou habituado.

    A junção de boas peças com o conhecimento tático de Diniz transformou o Corinthians em um time difícil de ser penetrado. O problema, porém, é que o que parecia um caminho para o equilíbrio vem se revelando em um novo problema: a troca de fragilidades. Antes, o Timão compensava a defesa frágil com um ataque eficiente. Agora, o cenário se inverteu, e por isso falta alguém — ou algo — que quebre esse ciclo e permita ao time competir de forma mais completa.

  • Corinthians v Palmeiras - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Indisciplina também entra na conta

    Outro fator que tem prejudicado o Corinthians é a falta de controle emocional em momentos decisivos. O volante André foi expulso em dois jogos consecutivos: contra o Palmeiras, após pegar nas partes íntimas e receber cartão vermelho por gesto obsceno, e diante do Vasco, por uma falta dura e desnecessária em Thiago Mendes.

    O problema não é isolado. O volante Allan também já havia sido expulso por gesto semelhante ao de André contra o Fluminense, enquanto Matheuzinho recebeu vermelho no mesmo clássico contra o Palmeiras após ser punido com dois cartões amarelo. Situações como essas evidenciam falta de disciplina competitiva — algo que pode custar caro em um time que já enfrenta dificuldades ofensivas.

    Cabe a Fernando Diniz não apenas ajustar o time taticamente, mas também controlar o comportamento dos jogadores em campo. Em um campeonato de regularidade, detalhes como esses fazem diferença direta na tabela.

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  • Corinthians v Santa Fe - Copa CONMEBOL LibertadoresGetty Images Sport

    Cuidado para não repetir os mesmos erros

    O contraste entre competições é outro ponto de atenção. Na Copa Libertadores 2026, o Corinthians segue invicto, sem sofrer gols e próximo da classificação ao mata-mata, um cenário animador após três anos de ausência. Já no Brasileirão, a realidade é oposta: campanha fraca, poucas vitórias e desempenho inconsistente.

    O roteiro não é novo. Em 2025, o time de Dorival Júnior conquistou a Copa do Brasil, mas sofreu na liga. Sob Ramón Díaz, em 2024, o Timão começou muito mal no Brasileirão e chegou a ser ameaçado de rebaixamento, mas conseguiu boa sequência ao fim da temporada e terminou de cabeça erguida — tanto que, no início do ano seguinte, se sagraram campeões do Paulistão daquele ano. Agora, com Fernando Diniz, a bagagem de um time bom em copas e ruim em pontos corridos continua, assim como o risco de repetir esse padrão.

    Com investimento alto, elenco valorizado e cobrança da torcida, o Corinthians não pode se dar ao luxo de ser competitivo apenas em mata-matas. O desafio de Diniz é claro: transformar evolução pontual em consistência, antes que o Brasileirão cobre um preço alto demais.

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