No momento em que o Real Madrid busca sua identidade perdida no meio-campo, surgiu uma voz de dentro da própria Casa Branca para colocar os pingos nos is e apontar a única solução possível para a maior crise técnica que o time vive em anos.
"Ele conquistou seu lugar como titular indispensável". Com essas palavras decisivas, o analista esportivo e ex-jogador Álvaro Benito resumiu sua visão radical para o futuro do meio-campo merengue, colocando o jovem astro turco Arda Güler como a pedra angular de qualquer projeto futuro.
Crise crônica
Há várias temporadas o clube merengue sofre com uma lacuna evidente no meio-campo, sem conseguir encontrar uma formação confiável capaz de dar coesão à equipe e organizar as transições ofensivas e defensivas.
Após a saída da dupla lendária Luka Modric e Toni Kroos, a diretoria do clube tentou preencher o vazio com soluções remendadas e provisórias que não surtiram efeito.
Essas tentativas não funcionaram com Carlo Ancelotti, nem com Xabi Alonso ou Álvaro Arbeloa, e até o retorno de José Mourinho, no qual muitos apostaram para restabelecer a disciplina como ele fez em sua primeira passagem, não trouxe até agora a fórmula mágica esperada.
Benito encerra a polêmica
Durante sua participação no último episódio do famoso programa de rádio "El Larguero", Benito soltou uma bomba ao revelar sua escalação ideal para o meio-campo do Real com as opções atualmente disponíveis, elogiando a temporada excepcional que Arda Güler vem fazendo.
Benito afirmou, em tom que não admite interpretações: "Para mim, Güler é indispensável; acho que ele mereceu isso com todo o mérito. Ele conquistou seu lugar como jogador indispensável".
O analista espanhol justifica sua escolha dizendo que Güler é a única exceção em um sistema que depende totalmente da força física.
E acrescentou: "Ele dá calma e continuidade ao jogo. Ele lê os passes rápidos e em profundidade, e é o único jogador desse tipo no meio-campo".
A equação Bernardo Silva
Benito não se limitou a indicar apenas Güler: ao seu lado colocou outro nome que considera o único capaz de se entender com ele para criar o equilíbrio que falta.
E prosseguiu: "Há outra questão: você pode deixar Valverde de fora e colocar Bernardo Silva, mas esse é um problema relacionado ao tipo de jogadores que o Real Madrid tem em sua escalação titular".
Para Benito, o verdadeiro problema está no fato de o Real Madrid ter apenas dois ou três jogadores capazes de baixar o ritmo e controlar a posse de bola, em um momento em que os jogadores diretos predominam na equipe.
E explicou: "Bellingham não é esse tipo de jogador, ele se destaca pela pressão constante. Chego nele, derrubo e saio em velocidade. É um jogador cheio de vitalidade, e acho que é um jogador fantástico; e Mbappé é um jogador incansável e agressivo, e Diomande também, e Vinícius também. E no meio-campo, Tchouaméni e Valverde igualmente; são jogadores com força física e verticalidade".
Plano de resgate: organizar a força com calma
Além dessa quantidade de jogadores com pendor ofensivo direto, somam-se dois laterais com o mesmo perfil, o que faz com que a equipe — segundo Benito — seja impetuosa e sem controle.
Por isso, o ex-astro do Real Madrid conclui que há apenas dois jogadores capazes de transmitir calma ao jogo: Arda Güler e Bernardo Silva, e que a chave para o Real voltar a competir está em organizar sua enorme força física por meio da serenidade desses dois jogadores.
Benito encerrou sua análise com uma mensagem clara a Mourinho: "O Real Madrid é um time forte e, se se organizar e aproveitar bem sua força física, será um concorrente muito forte. Todos os jogadores têm uma força física enorme. São capazes de fazer um esforço contínuo, pressionar o adversário cara a cara, e precisam asfixiá-lo. E, para mim, esse é o melhor caminho para formar um time competitivo".




