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Liga Europa

Shakhtar Donetsk e sua nova versão 'filial' brasileira que funciona na Europa

20:54 BRT 11/08/2020
Junior Moraes Shakhtar Donetsk Europa League 2020
O clube ucraniano passou a ser conhecido como o "mais brasileiro" do Velho Continente e sonha com novo título da Europa League

O Shakhtar Donetsk goleou o Basel, da Suíça, por 4 a 1 nesta terça-feira (11) e voltou a se garantir em uma semifinal de Europa League. Todos os gols do time ucraniano tiveram participação direta de jogadores nascidos no Brasil: Marlos deu assistências para Júnior Moraes e Taison abrirem a vantagem, antes de Alan Patrick praticamente sacramentar a classificação ao converter pênalti no segundo tempo. Já no final do encontro único realizado na Alemanha, Dodô transformou a vitória em goleada – com os suíços diminuindo só nos acréscimos.

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Mas pode acreditar: ainda que seja impressionante ver tantos brasileiros serem decisivos de uma só vez em um duelo europeu, isso não chega a causar tanta surpresa se estivermos falando justamente sobre o Shakhtar. Afinal de contas, já são décadas desde que o clube ucraniano passou a ser destino de alguns dos nossos melhores jogadores. O time atual, treinado pelo português Luís Castro, conta com 13 atletas nascidos no Brasil. E ainda que não seja a equipe da Europa com mais brasileiros – o Portimorense, de Portugal, destino um tanto quanto óbvio, conta com 16 – não há dúvidas que os exilados de Donetsk são os mais identificados com o verde-e-amarelo tupiniquim no Velho Continente.

Quem são os brasileiros do Shakhtar

O time atual conta com 13 jogadores nascidos no Brasil, sendo minoria apenas em comparação aos 17 ucranianos. Mas é bem verdade que o Shakhtar já está tão misturado com sua recente raiz brasuca que dois de seus jogadores são brasileiros naturalizados: Marlos, ex-São Paulo, e o atacante Júnior Moraes, ex-Santos, inclusive já entraram em campo pela seleção ucraniana.

A lista do elenco atual é completada por: Taison (ex-Internacional), Dentinho (ex-Corinthians) e Alan Patrick (com passagens por vários clubes brasileiros), além de jovens como Vitão, Dodô, Marco Antônio, Maycon, Tetê, Marquinhos Cipriano e Fernando. O veterano Ismaily, de 30 anos saiu cedo do Brasil e já veste a camisa dos “mineiros” há oito temporadas.

Como o Shakhtar virou o “clube mais brasileiro da Europa”

Willian e Luiz Adriano nos tempos de Ucrânia (Foto: Getty Images)

Como escrito parágrafos acima, já faz um bom tempo que não é novidade ver uma horda de brasileiros defendendo a camisa laranja do clube ucraniano. Brandão foi, em 2002, o primeiro a chegar ao Shakhtar, mas a revolução de verdade só começou em 2004. Foi quando Rinat Akhmetov, o milionário dono do clube, achou que a solução para levar seu time ao topo e acabar com a hegemonia do Dínamo de Kiev era apostar no talento do futebol canarinho. O romeno Mircea Lucescu, que de tão fã da forma brasileira de jogar sabia até falar português, foi o treinador escolhido para tocar o projeto. E conseguiu.

Desde então, o Shakhtar já conquistou 12 do seu total de 13 títulos ucranianos e encostou no Dínamo de Kiev (15 vezes campeão) na luta pela supremacia futebolística do país. Dentre outras taças domésticas, o ápice do Shakhtar brasileiro aconteceu na temporada 2008-09, com a conquista da Europa League sendo sacramentada através de gols de Jadson e Luiz Adriano na final contra o Werder Bremen, da Alemanha. Ilsinho, Fernandinho e Willian também foram titulares naquela decisão –  basicamente metade do time.

Jadson levanta a Europa League em 2009 (Foto: Getty Images)

Em determinado momento, quando jogadores da equipe de Donetsk passaram a ser convocados, cada vez com maior rotatividade e regularidade, para a seleção brasileira, surgiu até mesmo um apelido pejorativo. A “Cota Shakhtar” foi a expressão cunhada pelo desconhecimento e desconfiança em relação ao futebol de brasileiros que jogavam na distante e fria Ucrânia. Mas eles foram, ano a ano, provando seus pontos.

Fernandinho (hoje no Man.City), Willian (que acabou de deixar o Chelsea como ídolo), Douglas Costa (hoje na Juventus) e Fred (atual Man.United) são alguns dos nomes que ainda atuam por alguns dos principais times europeus da atualidade. Todos eles passaram antes por Donetsk e viraram ídolos, assim como Jadson (que até recentemente estava no Corinthians, onde fez história), Elano e Luiz Adriano (Palmeiras). São vários os outros nomes, mas o exemplo já se sustenta por aqui.

Nem tudo são flores na relação

(Foto: Getty Images)

A relação do Shakhtar com seus brasileiros não foi apenas de momentos felizes, é bom destacar. Em 2014, a invasão da região da Criméia – justamente onde fica Donetsk – pelos russos, e as tensões bélicas que aconteceram por lá, obrigaram o Shakhtar a jogar longe de sua casa. Sob este cenário, brasileiros como Alex Teixeira e Douglas Costa tentaram deixar o clube por medo da guerra – até serem demovidos de tal ideia. É por isso, aliás, que ainda hoje o Shakhtar manda suas partidas na cidade de Kharkiv, sendo uma espécie de exilado em território próprio.

Um outro problema que ficou cada vez mais aparente foi a desgraça do racismo. A imagem de Taison deixando o gramado, expulso por ter reagido a insultos raciais feitos por torcedores do Dínamo de Kiev em 2019, ficou marcada eternamente como uma cicatriz com efeito prático: o meia-atacante, uma das principais referências técnicas da equipe, não quer mais seguir no Shakhtar após o término do seu contrato em 2021.

Chance de repetir o feito na Europa League

Mircea Lucescu, o romeno mais brasileiro que você pode sonhar em conhecer, deixou o Shakhtar em 2016. Uma guerra e o racismo também abalaram os laços com jogadores do Brasil. Ainda assim, o Shakhtar segue como o clube mais brasileiro dentre os melhores times da Europa.

Em meio às mais diferentes tormentas, este casamento prossegue e volta a dar resultados dentro de campo. Pela primeira vez desde 2016, o Shakhtar alcançou a semifinal da Europa League e enfrentará a poderosa Internazionale de Milão na disputa (também em jogo único e sem público por conta das ações tomadas contra o novo coronavírus) por uma vaga na grande decisão. Com diferentes brasileiros, o objetivo claro é repetir o feito de 2009: ser campeão.