A eliminação do Vasco para o Boca Juniors, na última terça-feira, no Maracanã, encerrou o sonho de conquistar a Copa Sul-Americana. Após vencer por 1 a 0 na Bombonera, o Cruz-Maltino perdeu por 3 a 1 no Rio de Janeiro e se despediu da competição. Apesar da frustração, o técnico Pedro Emanuel evitou o clima de terra arrasada, demonstrou orgulho pela campanha e saiu em defesa de Léo Jardim, que falhou no terceiro gol argentino.
O gol de Puma Rodríguez, aos 20 minutos do segundo tempo, levou o confronto para a disputa por pênaltis. No entanto, pouco antes dos 45 minutos, Leandro Paredes acertou um chute de fora da área que enganou Léo Jardim e recolocou o Boca em vantagem no placar agregado, frustrando a reação vascaína.
Mesmo com a queda, Pedro Emanuel ressaltou a evolução do time desde sua chegada, há três meses. Segundo o treinador português, a Sul-Americana era uma competição desacreditada naquele momento, mas o Vasco conseguiu recuperar a confiança e chegar à semifinal com chances reais de avançar.
“Eu acho que vocês começam a me conhecer. Não dou respostas emocionais, e sim racionais. Em razão da minha racionalidade, analisarei esse jogo de uma forma autocrítica. Mas temos muitos jogos ainda, muito trabalho pela frente. Levo dessa competição uma coisa que essa equipe conseguiu: quando chegamos há três meses, essa era uma competição desacreditada, descartada. E hoje essa equipe mostrou algo que deve deixar nossa torcida, nosso clube e a mim, principalmente, orgulhoso”, afirmou.
O comandante também reconheceu o peso da expectativa criada em torno do confronto com o Boca, um dos clubes mais tradicionais do futebol sul-americano. Para ele, a vitória na Argentina aumentou a esperança da torcida de voltar a disputar uma final continental, mas a equipe não conseguiu repetir o desempenho no Maracanã.
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“Hoje enfrentamos o Boca, que tem muitas competições ganhas internacionalmente na América do Sul. O fato de termos ganhado na Bombonera não é nada. Chegamos a esse jogo com uma expectativa enorme, e compreendo a torcida, porque estávamos envolvidos nesse espírito. Tínhamos a expectativa que voltaríamos a uma final”, destacou.
O principal gesto de apoio de Pedro Emanuel foi direcionado a Léo Jardim. Apesar de reconhecer que o goleiro poderia ter feito mais no lance que definiu a classificação argentina, o técnico garantiu que não pretende afastá-lo e confirmou sua presença na próxima partida do Vasco.
“Quando nós chegamos, a moral estava baixa, sequência de derrotas. Ainda bem que o nosso torcedor ficou desiludido quando estamos nessa semifinal com essa importância. Podem criticar os jogadores, mas sei que o erro individual pode ser superado com ajuda coletiva. Isso vamos ter que fazer. Sofremos um gol aos 88 minutos, em que Léo poderia fazer mais. Estamos aqui para apoiar. Já nos salvou muitas vezes. Não vou abandonar o Léo, e digo que é quem vai jogar no sábado”, declarou.
O treinador reforçou que os erros fazem parte do futebol e defendeu a união do grupo para superar a eliminação. Além de Léo Jardim, Sosa e Saldivia também tiveram participação negativa no segundo gol do Boca, marcado por Merentiel. Pedro Emanuel apontou ainda o gol de Di Lollo, logo aos dois minutos de jogo, como um fator que comprometeu o planejamento vascaíno.
“Isso faz parte do jogo. Protegemos uns aos outros. Ele é um grande profissional, um grande homem, um dos capitães da equipe, uma referência que tem correspondido. Junto com o Léo, temos todos os outros que cometeram erros e tiveram força de dar a volta e mostrar uma segunda fase que poderíamos ter feito um resultado épico, com uma remontada. Tiveram coragem e vontade contra um adversário que tem uma história muito rica que não fomos capazes de superar”, completou.
Na avaliação do português, os erros técnicos e emocionais foram determinantes para a eliminação. O gol sofrido no início obrigou o Vasco a mudar sua estratégia, enquanto as falhas defensivas deram ao Boca a oportunidade de construir a vantagem necessária para avançar.
“Sofremos um gol com dois minutos, fruto de erros individuais, que faz parte do futebol. Por isso esse jogo é tão interessante, feito de erros. Sei que na primeira parte fomos quem mais erramos, e fomos penalizados. O Boca não fez uma partida extraordinária, mas aproveitou nossos erros técnicos, nossas falhas emocionais. Um gol aos dois minutos altera a estratégia. No minuto seguinte tivemos uma oportunidade clara para empatar o jogo e não conseguimos concretizar. Tudo isso pesa. O Boca teve o trabalho facilitado na primeira parte. Nos três erros que cometemos, foram dois gols. Vimos que o Boca ganhou outro jogo com dois erros de transição”, analisou.
Sem tempo para lamentar a eliminação continental, o Vasco volta a campo neste sábado (24), às 18h30, para enfrentar o Corinthians. No confronto, válido pelo Campeonato Brasileiro, o Cruz-Maltino terá pela frente um duelo importante na luta contra o rebaixamento.






