Lamine Yamal, estrela do Barcelona, possui uma grande habilidade no drible, o que o tornou um dos jogadores mais capazes de fazer a diferença no mundo, já que a facilidade com que ultrapassa os adversários, encontra espaços que parecem impossíveis e lida com situações de confronto individual representa uma de suas características mais marcantes em campo.
O jornal Sport explicou que as raízes do talento de Yamal remontam a muito antes de ele ingressar na academia La Masia, quando era uma criança que passava boa parte do dia com a bola nos pés.
E entre seus primeiros adversários naquele período havia alguns rivais nada habituais: os "cães de sua família".
O jogador do Barcelona relembrou as memórias daqueles anos durante uma entrevista concedida a Florent Torchut para a revista France Football, publicada pela primeira vez em 2024, e que foi reproduzida também pelo site do prêmio Bola de Ouro.
Durante aquela conversa, Yamal recordou sua infância, suas primeiras experiências com o futebol e os momentos que contribuíram para o desenvolvimento da habilidade que encanta as torcidas atualmente.
Yamal disse, rindo: "Em casa, eu adorava jogar futebol com os meus cães. Meu pai me dizia que não havia nada a temer, que eles não iam me morder, então eu me divertia bastante com eles. Driblar um cachorro é a coisa mais difícil que você pode fazer."
Para Lamine Yamal, aquelas brincadeiras traziam muitas lições. Os animais se moviam de forma imprevisível, e o pequeno jogador de futebol tinha que encontrar uma maneira de evitar que lhe tirassem a bola.
Ele admitiu: "Isso fazia parte do meu processo de aprendizado e funcionava como uma sessão de treino."
Sua paixão pela bola era quase uma obsessão. Sua família lembra que ele nunca queria se afastar dela e que ficava incomodado quando alguém a tirava dele, seja na hora de comer ou de ir dormir.
Ele admitiu: "Lembro que levava a bola numa mochila quando ia para a escola. E, logo antes de entrar na sala de aula, eu a escondia dentro da mochila, porque o professor não queria que eu a colocasse em cima da mesa."
Os cães foram adversários inesperados, mas o verdadeiro aprendizado veio nas quadras de cimento da região de Rocafonda, o bairro onde cresceu na cidade de Mataró. Ali, ele costumava enfrentar crianças bem mais velhas que ele. A diferença de idade e de estrutura física o obrigava a encontrar soluções para manter a posse de bola e evitar os contatos.
Ele relembrou aquele período: "Eu sempre jogava contra adversários que eram sete ou oito anos mais velhos do que eu, e tinha que encontrar maneiras de driblá-los para evitar apanhar." Aquelas partidas o ajudaram a desenvolver um de seus pontos fortes mais marcantes no futebol atualmente: a capacidade de ler as intenções do defensor e agir antes que ocorra o contato.
Ele explicou: "Jogar no complexo esportivo me ajudou a desenvolver a inteligência futebolística que adquiri na rua e que se tornou parte do meu estilo de jogo." Ele também aprendeu a superar o medo dos adversários que o superavam fisicamente e a aproveitar as partidas mesmo quando as circunstâncias pareciam desfavoráveis a ele.
Yamal continuou aprendendo fora dos treinos também. Passava longas horas assistindo a vídeos de Neymar, que jogava na época pelo Santos, do Brasil.
Como nem sempre tinha um computador em casa, ele ia à casa de um amigo para assistir aos lances do craque brasileiro. Depois, tentava imitar aqueles movimentos dentro do quarto antes de ir dormir.
Ele também era fã de Lionel Messi, David Villa e Pedro, os jogadores que formavam o núcleo daquela geração do Barcelona que ele acompanhava pelas telas da televisão e que alimentou seu sonho de se tornar um jogador de futebol profissional.
Lamine Yamal admitiu que era um jogador bastante caótico em seus primeiros anos. Assim que recebia a bola, buscava imediatamente o drible, sem parar muito para avaliar qual seria a melhor decisão a tomar.
No Barcelona, ele aprendeu a ler o ritmo das partidas, a cooperar com os companheiros e a distinguir os momentos em que deve acelerar o jogo daqueles em que é melhor manter a posse de bola. O drible continuou sendo sua principal arma, mas ele passou a usá-lo com maior discernimento e consciência tática.





