Hossam Hassan, técnico da seleção do Egito, e seu irmão Ibrahim Hassan, diretor da equipe, entraram em um novo confronto, desta vez com a imprensa, depois que Khaled El-Balshy, presidente do Sindicato dos Jornalistas Egípcios, anunciou a solidariedade da entidade a três comentaristas esportivos, em razão de queixas apresentadas contra eles pelos gêmeos, alertando contra a transformação de divergências profissionais em perseguições judiciais que miram a liberdade de crítica.
O Sindicato dos Jornalistas divulgou um comunicado no qual declarou total solidariedade aos jornalistas Abou El-Maati Zaki, Ahmed Abdel Basset e Mohamed El-Mahdi, após a circulação de notícias sobre queixas apresentadas por Hossam e Ibrahim Hassan contra eles, em decorrência da publicação de notícias e informações relacionadas ao meio esportivo.
A entidade afirmou, no comunicado publicado por El-Balshy em sua página no Facebook, que a crítica esportiva é um direito legítimo e que avaliar o desempenho das comissões técnicas e suas decisões relativas às seleções nacionais representa parte essencial do papel do jornalismo esportivo, com o devido respeito aos princípios e códigos da profissão.
O sindicato considerou que apresentar queixas contra jornalistas por publicarem notícias ou opiniões críticas, mesmo que contrariem o ponto de vista das comissões técnicas, representa um desvio do contexto natural da relação entre a seleção nacional e o jornalismo esportivo.
El-Balshy destacou que o procedimento normal no tratamento de divergências profissionais é recorrer ao direito de resposta, e não à escalada jurídica de forma imediata, considerando que apresentar queixas antes de esgotar as etapas da resposta profissional pode configurar uma tentativa de silenciar os jornalistas, intimidá-los e impedi-los de divulgar informações e fatos que podem não agradar a algumas partes.
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O sindicato acrescentou que o mais adequado seria que Hossam e Ibrahim Hassan, caso tenham objeções ao que foi publicado ou veiculado, apresentassem sua versão e os fatos nos quais se baseiam, ou encaminhassem uma reclamação ao Sindicato dos Jornalistas, por ser a instância profissional responsável por examinar queixas relacionadas ao trabalho jornalístico.
O comunicado afirmou que quaisquer excessos profissionais, caso comprovados, devem ser tratados por meio dos canais institucionais competentes, de modo a preservar os direitos de todas as partes, sem restringir a liberdade de crítica.
Federação de futebol assume a responsabilidade
Em uma escalada marcante, o Sindicato dos Jornalistas atribuiu à Federação Egípcia de Futebol a responsabilidade pela crise, por ser a instituição encarregada de administrar os assuntos do futebol egípcio e de proporcionar o clima adequado para a cooperação entre a seleção nacional e as instituições jornalísticas e de mídia.
A entidade exigiu que a federação entre em contato com urgência com Hossam e Ibrahim Hassan, e trabalhe para convencê-los a retirar as queixas apresentadas contra os comentaristas esportivos, contendo a divergência por meio do diálogo e do entendimento, em vez de permitir o agravamento da tensão entre a comissão técnica da seleção e o jornalismo esportivo.
Liberdade de imprensa é linha vermelha
O sindicato afirmou rejeitar a existência de um jornalismo que publique apenas aquilo que agrada às comissões técnicas, enquanto os jornalistas são submetidos a perseguições judiciais por apresentarem fatos ou opiniões divergentes, destacando que a independência da imprensa é uma linha vermelha e que tomará as medidas sindicais e jurídicas necessárias para defender seus membros.
A entidade encerrou seu comunicado reafirmando que apoiar a seleção egípcia e respaldar sua trajetória não é incompatível com o direito da imprensa à crítica e à avaliação, convocando todas as partes a privilegiar a linguagem da razão e do diálogo profissional, e a preservar uma relação baseada no respeito mútuo, longe da escalada e das perseguições judiciais.
Qual a origem da divergência?
A crise remonta a queixas apresentadas por Hossam Hassan, técnico da seleção do Egito, e seu irmão Ibrahim Hassan, diretor da equipe, contra vários jornalistas esportivos, entre eles Abou El-Maati Zaki, Ahmed Abdel Basset e Mohamed El-Mahdi, em razão do que foi publicado ou levantado sobre eles no meio esportivo.
A medida provocou reações no meio jornalístico, uma vez que a divergência se refere a conteúdo crítico e jornalístico relacionado ao desempenho da seleção e às atitudes de sua comissão técnica e administrativa, o que levou Khaled El-Balshy, presidente do Sindicato dos Jornalistas Egípcios, a anunciar solidariedade aos três jornalistas.

