Ninho do Urubu: Um raio X da incompetência ofensiva

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CR Flamengo
Erros de 2016 voltam a perturbar a equipe rubro-negra, e números do ataque preocupam a torcida

Por Bruno Guedes

Flamengo começou o Brasileirão sem derrotas, mas continua repetindo os mesmos erros do campeonato passado: ineficiência ofensiva. Problema crônico de 2016, que em alguns jogos custou até a vitória e a disputa mais direta pelo título, o Rubro-Negro este ano esbarra na falta de gols. E são dois os motivos: ausência de jogadores que finalizem bem e erros nas contratações.

O primeiro caso é o mesmo desde 2016, um time que finaliza muito mal ao gol adversário. Contando apenas as quatro partidas do Campeonato Brasileiro, a equipe teve mais posse de bola que o adversário em três, somente contra o Atlético-MG que foi inferior. Em todas, com exceção da vitória contra o Atlético-GO, foi a chamada posse de bola inútil. Ou como chamou o Zé Ricardo na coletiva após o empate com o Botafogo, "a posse de bola estéril".

Flamengo teve uma média de 422 passes trocados nos jogos. Sempre esbarrando na opção por passes laterais ou com pouca objetividade. E essa pouca agressividade ofensiva se reflete nos números. O time chutou em média 16 vezes contra os rivais (11 contra o Atlético-MG, 20 contra o Goianiense, 14 contra o Paranaense e 19 contra o Botafogo) porém a de acertos ou direção ao gol é de apenas cinco, provando a pouca eficiência nas finalizações. Ou seja, a equipe precisou chutar 12 vezes para marcar um gol.

Flamengo x Botafogo

Isso é obra direta das contratações erradas, focadas em jogadores de velocidade e pouca efetividade em empurrar a bola para dentro, como Berrío.  Estes números levaram o Rubro-Negro a começar o torneio com números piores que do ano passado. Em 2016 marcou 52 gols em 38 rodadas, média de 1,3 por partida. Em 2017, por enquanto, ela caiu para 1,2, com 5 gols. O Palmeiras, campeão da última edição e que também sofreu com tal crítica em parte da temporada, marcou 62 gols, fechando a média em 1,6 tentos por partida.

E a falta de bons finalizadores, muitos velocistas e ausência da criatividade no toque de bola incentiva o cruzamento intenso para a área. Flamengo cruzou um total de 77 vezes até aqui, média de 19 por partida. Porém, o mais assustador, é a de acertos desse tipo de jogada: apenas 23%. Números horríveis. 

Isso prova o quanto a diretoria errou (ou não viu?) ao não corrigir esse problema durante as contratações. Falta um atacante finalizador para ajudar Paolo Guerrero. Ter mais posse de bola não significa ter domínio do jogo. Com a entrada do Éverton Ribeiro e Conca talvez os números e médias melhorem. Mas se os passes continuarem inúteis, novamente teremos um time campeão de incompetência ofensiva.
 

 

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