Por Bruno Guedes 
Confiança: Credibilidade ou conceito positivo que se tem a respeito de alguém ou de algo; crédito. É assim a palavra "Confiança" aparece no dicionário. Mas na Gávea ela tem outra definição: não repetição de erros passados. Foi com essa ideia que o presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, bancou o técnico Zé Ricardo no momento de maior crise, há um mês. Não querendo repetir 2013, 2014 e 2015, quando trocou um trabalho por escudos em forma de treinador, manteve o Zé. E ele correspondeu com trabalho.
Logo após a eliminação da Libertadores o ambiente para o Zé Ricardo era péssimo. Depois da derrota para o Sport, no dia 7 de junho, portanto há um mês, não havia mais clima. Internamente davam como certa a saída dele tamanha era a pressão de conselheiros e diretores, como antecipamos aqui.
Raísa Simplicio / Goal BrasilContrariando todas as suas atitudes desde que assumiu a presidência do clube, Bandeira bateu na mesa e teve coragem de manter o trabalho do técnico. Uma das memórias usadas como exemplo para garantir o treinador foi a do Tite, com o Corinthians, em 2011, quando perdeu para o Tolima. E acertou em cheio. Desde então foram 9 jogos: 7 vitórias e 2 empates.
Apesar da vexatória eliminação na Libertadores, Zé é o melhor treinador do Flamengo desde a conquista do hexa, em 2009, com Andrade. O ex-meia teve um aproveitamento de 69,3%. O atual técnico tem 67.1%*, com 47 vitórias, 22 empates e 12 derrotas. Dividido por anos, Ricardo tem 62,4% e 71,4% de aproveitamentos em 2016 e 2017, respectivamente. Seu antecessor, Muricy Ramalho, teve 57.7%. Antes dele, o melhor era Jayme de Almeida, com 62%.
Esses números não são nada baixos se lembrarmos, ainda, que o Flamengo fez 28 jogos fora do RJ como mandante. Somadas, as viagens ultrapassaram 28 mil quilômetros, atrapalhando treino e recuperação.
DivulgaçãoQuando Bandeira caiu no erro de ouvir o apelo interno e trocou de treinador, os desempenhos foram desastrosos. Em 2013, Mano teve 50% de aproveitamento. No ano seguinte, Ney Franco chegou a incrível marca de 3 empates e 4 derrotas em apenas 7 jogos. Em 2015, Cristovão alcançou 46,3% e Oswaldo de Oliveira 50%. E todos deixaram Flamengo longe dos títulos.
Mas Bandeira levou em conta não só o trabalho dentro de campo, táticos e estatísticos, mas também a opinião do grupo. Zé tem o grupo na mão. Líderes do elenco são grandes apoiadores do treinador, como Diego, Juan e Willian Arão.
Foram muitos erros na gestão do futebol em quatro anos. Faltava acertar. E Bandeira, enfim, acertou.
*Fonte: Rodolfo Rodrigues, do Blog Números do UOL.
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Bruno Guedes é músico, apaixonado por futebol e beisebol. Brasiliense por certidão e carioca de coração, acredita no futebol brasileiro e tem Romário como o maior jogador que viu dentro das quatro linhas. |






