A utilização do uruguaio Federico Valverde, estrela do Real Madrid, na posição de lateral-direito gerou um amplo debate, depois que o português José Mourinho se viu obrigado a recorrer a ele nessa função durante a atual temporada, apesar de o jogador ter afirmado anteriormente que não nasceu para atuar na linha defensiva, o que trouxe de volta à tona a discussão sobre qual posição se encaixa melhor em suas qualidades técnicas e físicas.
Valverde havia manifestado sua preferência por não atuar como lateral em setembro de 2025, durante sua passagem por Almaty, no Cazaquistão, em declarações que na época foram interpretadas como uma indireta ao seu ex-treinador Xabi Alonso, que o escalou nessa posição por conta das circunstâncias do plantel, depois de Carlo Ancelotti também já tê-lo utilizado como lateral.
Apesar de suas ressalvas em relação a jogar na linha defensiva, Valverde fez uma atuação de destaque diante do Villarreal, ao dar a assistência para o gol da vitória de seu companheiro Yan Diomande, confirmando sua capacidade de agregar até mesmo fora de sua posição de origem, o que levou Mourinho a esclarecer sua postura após a partida: "Temos dois bons laterais, mas a situação do Fede era excepcional".
Ídolos do Real Madrid divergem sobre a posição de Valverde
O jornal espanhol "As" deu destaque à polêmica em torno da posição de Valverde, recorrendo às opiniões de cinco ex-jogadores do Real Madrid: Fernando Hierro, Guti, Iván Campo, Rafael Alkorta e Miguel Torres, para repassar suas experiências atuando em diferentes posições e apresentar seu ponto de vista sobre a função mais adequada para a estrela uruguaia.
Fernando Hierro, um dos maiores zagueiros da história do clube merengue, entende que a versatilidade não representa uma vantagem absoluta em todos os casos, alertando que a mudança constante de posição dos jogadores pode afetar negativamente sua autoconfiança, especialmente quando o atleta se vê obrigado a cumprir tarefas diferentes da natureza de sua posição original.
Por outro lado, Miguel Torres considera que a capacidade de atuar em mais de uma posição concede ao jogador maiores oportunidades de participação, avaliando que o fato de diferentes treinadores contarem com o jogador em funções variadas reflete a confiança em suas qualidades, além de demonstrar flexibilidade tática, inteligência e compromisso com o interesse coletivo.
A experiência de Iván Campo reforça a importância da flexibilidade tática
Iván Campo relembrou sua experiência no Real Madrid e no Bolton, da Inglaterra, explicando como passou de zagueiro central a destaque no meio-campo, ainda que essa mudança não fosse esperada no início.
Campo explicou que seu treinador Sam Allardyce decidiu escalá-lo no meio-campo antes do confronto com o Arsenal, sem que ele tivesse treinado nessa função previamente, apontando que o treinador lhe deu confiança e garantiu que assumiria a responsabilidade caso as coisas não saíssem como o esperado.
Acrescentou que a partida terminou empatada em 1 a 1, mas que a experiência se transformou em um ponto importante de sua carreira, já que ele seguiu atuando no meio-campo, afirmando que ter jogadores capazes de ocupar posições diferentes representa uma vantagem relevante para qualquer equipe, especialmente diante da escassez desse tipo de jogador no futebol moderno.
Campo citou exemplos como Luis Enrique e Marcos Llorente, por serem jogadores que demonstraram capacidade de desempenhar funções variadas dentro de campo.
Fundamentos defensivos levantam dúvidas sobre o uso de Valverde
Em contrapartida, Alkorta avalia que a transição do meio-campo para a lateral não é algo simples, mesmo para um jogador com grandes capacidades físicas como Valverde, apontando que o defensor precisa de um conjunto de habilidades fundamentais que normalmente são adquiridas desde as primeiras etapas da carreira.
Alkorta, que já atuou nas quatro posições da defesa do Real Madrid, explicou que a capacidade de movimentação, cobertura e posicionamento defensivo é diferente das tarefas exigidas dos meio-campistas, afirmando que o alto nível de preparo físico de Valverde o ajuda a ocupar a lateral, mas não garante seu sucesso em todas as circunstâncias.
Ele apontou que contar com o jogador nessa posição pode ser adequado quando o Real Madrid domina o andamento da partida, mas a situação se torna mais complicada quando a equipe é obrigada a recuar e defender sob a pressão dos adversários.
Guti define a melhor posição para Valverde
Guti, ex-estrela do Real Madrid, entrou no debate afirmando que Valverde apresenta seu melhor nível quando atua pelos lados do campo, seja como ponta ou como lateral avançado, baseando-se em sua força física e em sua capacidade de passe e de progressão com a bola.
Guti entende que utilizar Valverde na posição de volante não permite aproveitar todo o seu potencial, considerando que dar-lhe maior liberdade pelos lados pode ajudá-lo a apresentar melhores desempenhos e a mostrar suas qualidades ofensivas de forma mais eficaz.
Miguel Torres concorda com essa opinião, apontando que Valverde chegou a uma etapa importante da carreira que exige pensar em seu papel no longo prazo, e afirmando que ele possui os atributos que podem transformá-lo em um dos melhores jogadores na posição de lateral-direito ou de lateral avançado caso se fixe em uma delas.
Do outro lado, Iván Campo considera que Valverde segue sendo peça fundamental no meio-campo, mas que precisa do apoio dos companheiros para não arcar sozinho com a responsabilidade de cobrir grandes espaços, tanto ao avançar para o ataque quanto ao voltar para defender.
Já Alkorta manifestou suas ressalvas quanto à ideia de considerar Valverde um lateral de classe mundial, apontando que não o vê claramente superior a jogadores como Denzel Dumfries e Trent Alexander-Arnold nessa posição, e enfatizando que a avaliação da decisão de Mourinho permanece ligada à visão do treinador e às necessidades da equipe.
Entre opiniões favoráveis e contrárias, o desafio diante de Mourinho continua sendo extrair o máximo das qualidades de Valverde, seja mantendo-o no meio-campo ou utilizando-o pelo setor direito, considerando sua força física e sua capacidade de executar diferentes funções táticas, ainda que essa versatilidade não encerre a discussão sobre qual posição pode lhe garantir maior vantagem dentro de campo.





