Todos esperavam o Klopp "salvador" diante da Holanda, afinal ele é o treinador conhecido por suas marcas mágicas com o Borussia Dortmund e o Liverpool, mas o desempenho foi fraco e nada animador, como tem sido de costume em muitos jogos da seleção alemã ao longo da última década.
E embora seja cedo para emitir um veredicto sobre a era Klopp após sua primeira partida, o nível apresentado pela Mannschaft continuou a confirmar o que já estava confirmado: o futebol alemão enfrenta uma crise grave — e historicamente sem precedentes — na formação de talentos de peso.
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Klopp não se limitou simplesmente a recorrer aos mesmos nomes que os treinadores anteriores utilizaram; ele fez mudanças e abriu as portas para rostos novos, na tentativa de encontrar soluções inovadoras. Ainda assim, a seleção continuou a sofrer tanto na defesa quanto no ataque.
O sofrimento também ficou evidente no meio-campo, ao qual Kimmich retornou depois de um período atuando como lateral-direito, sob o comando do ex-treinador Julian Nagelsmann, mas ele fracassou, ao lado de Nmecha e Amiri, em controlar o meio de campo contra a Holanda, que lançou ataque após ataque até alcançar o empate (1 a 1), e por pouco não conquistou também a vitória, não fosse a sorte ter ajudado a Alemanha.
Não há melhor prova da fragilidade da seleção alemã do que as 9 defesas de seu goleiro, Marc-André ter Stegen, diante dos donos da casa. E os reservas não estiveram em melhor situação que os titulares; muito pelo contrário, o experiente Serge Gnabry teve o papel mais destacado no gol da Holanda, com seu passe errado que foi interceptado por Ruben van Bommel, antes de este servir Jakpo, autor do gol.
O dilema das academias
Esse início frustrante para a equipe de Klopp volta a lançar luz sobre a crise de falta de talentos no futebol alemão, pois enquanto França, Inglaterra e Espanha continuam a produzir estrelas geração após geração, as academias alemãs parecem estéreis nos últimos anos.
E mesmo Jamal Musiala e Florian Wirtz, considerados o futuro da Mannschaft, não apresentaram até agora o que se esperava deles; muito pelo contrário, a carreira do primeiro parece ameaçada por lesões sucessivas. Os números indicam que os clubes alemães passaram a ter mais propensão a comprar o jogador estrangeiro pronto, em vez de conceder aos formados nas academias oportunidades regulares no time principal.
No Campeonato Francês, os jogadores com 21 anos ou menos recebem cerca de 17% do total de minutos em campo, a maior porcentagem entre as grandes ligas europeias.
O Campeonato Alemão registrou um número semelhante na temporada 2017-2018, quando a fatia dos jogadores com menos de 22 anos chegou a 17,2% dos minutos. Mas a porcentagem caiu para apenas 9,6% na temporada 2024-2025, a menor em 17 temporadas.
O testemunho também veio, nesse sentido, de Marc Lenz, diretor-executivo do Campeonato Alemão, que considerou que o setor de base na Alemanha é "bom e com espaço para melhorar", mas destacou que apenas 9 clubes alemães estão entre as 100 melhores academias da Europa, e que o número de talentos na Bundesliga é "claramente menor" do que no exterior.
Esses dados deixam claro que a crise do futebol alemão não diz respeito a um ou outro treinador, e que, a menos que haja mudanças radicais no campo da formação de talentos, os anos de vacas magras da Mannschaft vão se prolongar, e nem Klopp nem qualquer outro será capaz de devolver a vida ao cadáver da seleção alemã.

