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Identidade perdida: o Barcelona tem o lateral-direito mais estranho do mundo

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A posição de lateral-direito no Barcelona deixou de ser apenas uma casa fixa na escalação e se transformou em um espaço aberto a experiências e surpresas, depois que Hansi Flick recorreu a um grupo de jogadores que, por natureza, não pertencem a essa posição, em um cenário que reflete a situação excepcional vivida pelo clube catalão e levanta questões sobre quem ocupará esse posto no futuro.

No Barcelona, a posição de lateral-direito passou por jogadores de diferentes gerações, começando por Eusebio, Goikoetxea e Celades, até chegar a Luis Enrique, Gabri e Sergi Roberto. Mas o que acontece atualmente parece ainda mais estranho, pois já não se trata de uma troca de papéis entre jogadores, mas sim de testar atletas vindos de posições completamente distintas.

Segundo o jornal espanhol "As", Hansi Flick utilizou quatro jogadores diferentes na posição de lateral-direito ao longo das 15 partidas oficiais que o Barcelona disputou nesta temporada. Eric García foi a opção mais presente, depois de ocupar a posição em 7 jogos, contra 4 participações de Jules Koundé, duas de Xavi Espart e outras duas de Bryan Faríñas, que apareceu recentemente nesse posto.

O paradoxo é que esses quatro jogadores, com exceção de João Cancelo, que é um lateral-direito de origem e desempenha bem esse papel, nenhum deles se formou atuando nessa posição. Ainda assim, Flick encontrou neles soluções diferentes para lidar com as necessidades da equipe, a ponto de a posição de lateral-direito se tornar uma espécie de laboratório tático aberto dentro do clube catalão.

Koundé e Eric: zagueiros nas pontas

O caso de Jules Koundé parece ser um dos mais interessantes, pois o zagueiro francês não estava, no início, animado para jogar como lateral-direito. Sua transferência ao Barcelona esteve, inclusive, ligada a uma promessa de Xavi Hernández de lhe dar a oportunidade de jogar como zagueiro central, posição na qual havia brilhado anteriormente no Sevilla.

Thomas Tuchel, então técnico do Chelsea, queria contratá-lo, mas o via como um jogador adequado para ocupar a posição de lateral-direito, o que não condizia com as ambições de Koundé naquele momento. Com o passar dos anos, sua visão foi mudando gradualmente, até passar a reconhecer que a posição de lateral talvez seja a mais adequada às suas capacidades.

Já Eric García estava acostumado a transitar por mais de uma posição, mas se formou essencialmente como zagueiro central, posição na qual se sente mais à vontade. Mesmo assim, Flick conseguiu transformá-lo em sua primeira opção no flanco direito, depois de lhe deixar claro, no fim da temporada passada, que o via como um elemento importante nesse papel.

Espart e Faríñas: surpresas vindas do meio-campo

O caso de Xavi Espart e Bryan Faríñas é diferente, pois ambos têm uma origem ligada ao meio-campo, o que torna a presença deles na posição de lateral-direito ainda mais chamativa.

Desde o início, Flick demonstrou uma clara admiração por Espart, jogador que goza de grande estima dentro da comissão técnica, chegando a fazer uma comparação entre ele e Joshua Kimmich, ex-craque do Bayern de Munique.

Espart se destaca pela capacidade de controlar a bola e pela precisão de passe, além de possuir uma boa visão de jogo e uma leitura diferenciada dos espaços. E, embora sua origem como meio-campista lhe dê a capacidade de se adaptar a mais de um papel, ele mostrou indícios de possuir um potencial que lhe permite evoluir ainda mais nessa posição.

Já Faríñas teve sua aparição na posição de lateral-direito durante o confronto contra o Alavés como uma surpresa inesperada, mas a experiência alcançou um sucesso notável e convenceu Flick a repeti-la na partida da Liga dos Campeões da Europa diante do Aston Villa.

O mais interessante é que o técnico alemão não hesitou em recorrer ao jogador novamente, apesar da falta de laterais naturais e da disponibilidade de Baldé como opção no flanco esquerdo, o que reflete o tamanho da confiança que Faríñas conquistou após sua primeira aparição.

Quem vai decidir a disputa pela posição?

Diante desses dados, tornou-se difícil prever o jogador que vai conquistar a posição de forma permanente, embora Eric García, Koundé, Espart e Faríñas pareçam atualmente as opções mais evidentes à disposição de Flick.

Mas há um cenário ainda mais interessante que pode mudar os cálculos, que é o técnico alemão aproveitar o brilho repentino dos jovens jogadores na posição de lateral para devolver Eric García e Koundé à posição de zagueiro central, o que poderia dar ao Barcelona soluções adicionais no setor defensivo.

Quanto aos jogadores, a participação regular com a equipe principal continua sendo a prioridade, e por isso todos parecem dispostos a sacrificar suas posições preferidas, especialmente os jovens, que buscam aproveitar qualquer oportunidade para se afirmar e garantir um lugar permanente nos planos do treinador.

Um legado de experiências e a ausência de estabilidade

A estranheza na posição de lateral-direito não é algo novo para o Barcelona, pois o clube sofreu muito nessa posição desde a saída de Dani Alves, sem conseguir encontrar um substituto capaz de oferecer a mesma continuidade.

Os últimos anos viram experiências que não alcançaram o sucesso esperado, começando pela contratação de Douglas, passando por Aleix Vidal, Nélson Semedo e Sergiño Dest, até chegar a Óscar Mingueza, que não conseguiu firmar-se de forma permanente.

Em contrapartida, o Barcelona recorreu, em diferentes períodos, a soluções não convencionais, apoiando-se em jogadores que cumpriram bem a tarefa apesar de a posição não ser sua especialidade principal, como Eusebio e Celades, uma experiência que se estendeu posteriormente a Luis Enrique, Gabri e Sergi Roberto.

E agora, parece que o Barcelona dá continuidade a essa tradição, mas de forma mais diversificada, depois que a posição de lateral-direito passou a reunir zagueiros centrais, meio-campistas e jovens talentos, em uma formação cujos contornos são difíceis de prever de uma partida para a outra.

E, entre a ausência de um lateral especializado e a multiplicidade de soluções disponíveis, a posição de lateral-direito no Barcelona segue sendo uma das mais estranhas e polêmicas do futebol mundial.

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