Se há alguém que pode falar sobre como tudo muda rapidamente no futebol, esse alguém é Bara Sapoko Ndiaye. O jogador de 18 anos chegou praticamente do nada ao Bayern de Munique e convenceu os dirigentes do clube, que lhe deram um contrato permanente. Agora, porém, seu desenvolvimento estagnou, porque ele já não consegue mostrar do que é capaz.
Um retrato da situação atual: enquanto Sacha Boey, que havia sido descartado, entrou aos 77 minutos na goleada por 6 a 1 sobre o RB Leipzig no fim de semana e chegou a 13 minutos em campo em sua primeira atuação na temporada, o senegalês nem sequer estava entre os relacionados.
Em 3 de janeiro deste ano, o Bayern surpreendeu com o anúncio oficial do empréstimo do jovem pelo Gambinos Stars Africa, da Gâmbia. A princípio, não se esperava muito do meio-campista. Afinal, por causa do regulamento, ele só poderia atuar no time principal do técnico Vincent Kompany, sem a possibilidade de ganhar experiência nas categorias de base ou no segundo time do Bayern, na liga regional.
Segundo uma reportagem, foi Kompany quem defendeu a contratação de Ndiaye depois de se impressionar com ele no amistoso do Bayern contra o Grasshoppers. Para surpresa de muitos, o belga promoveu a estreia do jovem na Bundesliga já em abril e lhe deu quatro oportunidades até o fim da temporada.
"Quero jogar no mais alto nível e, um dia, também defender o Senegal", disse Ndiaye no início de maio à revista do Bayern, ao falar sobre a possibilidade de atuar pela seleção de seu país. E, mais uma vez, tudo aconteceu rapidamente: apenas quatro semanas depois, ele estreou em um amistoso contra os Estados Unidos. O fato de que, em seguida, vieram também a surpreendente convocação para a Copa do Mundo e uma participação na partida eliminatória contra a Bélgica, no torneio disputado na América do Norte, foi quase sensacional.
O contrato com que o Bayern de Munique recompensou Bara Sapoko Ndiaye
"A trajetória de Bara Ndiaye é absolutamente extraordinária. Para todos nós, é surpreendente e impressionante a rapidez com que tudo aconteceu para ele", disse Jochen Sauer, diretor de desenvolvimento do Bayern de Munique, em outubro, ao SPOX. Por isso, durante a pausa entre temporadas, o clube de Munique lhe deu um contrato válido até 2031 e pagou por sua contratação uma quantia que, segundo informações, ficou entre três e quatro milhões de euros.
Mas Bara Sapoko Ndiaye também já percebeu como as coisas podem, de repente, deixar de avançar tão rápido. O triste balanço até aqui nesta temporada: três minutos em campo no jogo da Copa da Alemanha em Osnabrück, quando o placar já estava em 4 a 1 e a partida estava decidida. Em duas ocasiões, ele sequer entrou na lista de relacionados de Kompany. Por que o jovem talento está tão atrás na disputa por espaço neste momento? Kompany ainda não deu uma resposta.
E parece pouco provável que o técnico volte a escalá-lo de repente nas próximas semanas, diante da sequência de jogos do Bayern contra Arsenal, Freiburg, Dortmund e Atlético de Madrid até o início de novembro. Depois dos empates com Augsburg e Viking Stavanger, que apontavam para uma pequena crise, e da goleada sobre o RB, Kompany precisa agora de uma atuação convincente também na Liga dos Campeões, contra o Arsenal. Poupar os titulares? Nem pensar.
IMAGODe qualquer forma, ainda não está claro se, além da bela história de sua ascensão meteórica, o adolescente já pode contribuir em campo para o Bayern de Munique. Nas duas vezes em que começou jogando na reta final da temporada passada, o Bayern foi para o intervalo perdendo por 3 a 0 em Mainz e por 2 a 1 em casa, contra o Heidenheim, lanterna da tabela.
"O teste mais difícil possível para um jogador jovem", disse Kompany sobre Ndiaye após o jogo em Mainz. O técnico não afirmou que ele não passou no teste, mas a evolução de seu tempo em campo nesta temporada aponta claramente nessa direção.
Qual será o futuro de Bara Sapoko Ndiaye?
Para se desenvolver, porém, Ndiaye precisa de minutos em alto nível, algo que não está conseguindo atualmente no Bayern de Munique. Um empréstimo no inverno seria, portanto, uma opção que os dirigentes podem e devem considerar.
A questão é se outro clube da Bundesliga vai contratá-lo por empréstimo ou se Ndiaye terá de dar um passo atrás em seu desenvolvimento para avançar a longo prazo. Afinal, jogar "no mais alto nível" é o único sonho que ele ainda não realizou aos 18 anos.



