O que parecia uma má notícia em Madri transformou-se de repente em uma oportunidade tática que pode mudar a cara do Clássico. A ausência de Vinicius Junior no confronto do Camp Nou, considerada um duro golpe, é a mesma que pode finalmente dar ao Real Madrid aquilo que lhe faltava há anos: um meio-campo criativo e equilibrado.
No famoso programa "El Larguero", da rádio espanhola "Cadena SER", ex-craques foram unânimes em afirmar que a ausência do brasileiro obrigará José Mourinho a abrir mão das contas defensivas e abrirá a porta para um trio dos sonhos comandado pelo turco Arda Güler.
A grande pergunta que se impõe nesta semana em Valdebebas: Endrick começará como titular no Camp Nou?
O jovem jogador foi o melhor em campo na partida contra a Roma e teve uma boa atuação diante do Sevilla, mas os analistas o veem como uma opção arriscada em um jogo dessa magnitude. Álvaro Benito, ex-jogador do Real Madrid, afirmou: "Na última partida ficou clara a sua pouca participação, e isso é natural, mas ele seria a opção ofensiva ideal".
E Benito tende a uma solução mais segura, que é escalar Arda Güler ou até mesmo Fede Valverde pela ponta direita, em vez de arriscar com Endrick.
O único consenso: Güler deve ser titular
Apesar de todas as divergências, há um ponto no qual todos concordaram: Arda Güler deve ser titular no Camp Nou.
Rafa Alkorta, ex-zagueiro do Real Madrid, diz: "É difícil não escalá-lo como titular". Alkorta aposta em um trio de meio-campo formado por Güler, Bellingham e Tchouaméni.
E acrescentou: "No segundo tempo o seu nível caiu um pouco, porque jogar nessa posição exige muita força física, e ele precisa começar a administrar a sua energia. Não se trata apenas de ir para frente, mas é preciso dar suporte ao jovem jogador turco quando ele atua perto do volante de contenção".
Concorda com ele Kiko Narváez, ex-atacante do Atlético, que considera que "é preciso dar suporte a ele, porque na verdade é quem faz a diferença com a bola".
Como a ausência de Vinicius muda tudo?
Aqui vem a análise mais importante revelada por Álvaro Benito, que explica o título "afeta tudo", quando esclareceu: "A falta de recomposição defensiva de Vinicius é um fator extremamente importante na escolha dos jogadores".
E prosseguiu: "Para dar cobertura pelas pontas, precisamos de Fede e Tchouaméni no meio, mas com um jogador que recompõe na defesa, podemos dispensar um jogador com menor capacidade ofensiva".
Em outras palavras, a ausência de Vinicius, que não defende, permite ao treinador jogar com um meio-campo mais criativo que inclui Güler, porque o novo ponta cumprirá a função defensiva que o brasileiro não exercia, e essa diferença sutil define tudo.
Valverde: o lateral que não quer ser lateral
Ao mesmo tempo, parece que Fede Valverde, que sempre relutou em jogar como lateral direito, será obrigado a desempenhar esse papel no Clássico depois de superar novamente Trent Alexander-Arnold e Dumfries diante do Sevilla.
Alkorta comentou: "Tenho dificuldade em acreditar que Mourinho ache que ele é um lateral melhor do que Trent ou Dumfries. Ele é um meio-campista pela direita completo e especial, mas tenho certeza de que ele não vai querer deixá-lo de fora".
Já Kiko considera que, se Valverde quisesse jogar como lateral pelos próximos cinco anos, seria o melhor lateral direito do mundo ao lado de Hakimi.
Barcelona entre o inferno de Paris e o Clássico
Do outro lado, o Barcelona chegará ao Clássico depois de uma batalha acirrada contra o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões.
José Mari Bakero, ex-craque do Barcelona, diz: "Se o time sofrer uma derrota esmagadora por 4 a 0 em Paris, o Clássico será muito difícil. São duas partidas importantes nas quais o Barcelona terá que provar o seu verdadeiro nível".
A boa notícia para os catalães é que Raphinha voltou com força diante do Betis, e Lamine Yamal está no auge do seu nível, mas, como conclui o analista Raúl Ruiz: "A defesa é o setor mais frágil".







