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Ederson academia Flamengo 14 04 2017Staff Images/ Flamengo

Ex-jogadores do Flamengo, Dener e Ederson acusam departamento médico do clube de erros

Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Flamengo, em 2016, o zagueiro Dener anunciou através de suas redes sociais que está pendurando as chuteiras aos 23 anos de idade. Ao comunicar que estava deixando os campos, porém, o ex-jogador fez duas críticas do departamento médico do clube carioca - e que foram endossadas pelo ex-meia Ederson. 

Segundo ele, uma cirurgia no joelho, feita em 2017 com aval do Fla, levaram aos demais problemas com lesões em sua carreira que o fizeram tomar a decisão pela aposentadoria do futebol. Na publicação, o ex-atleta relata que dizia aos profissionais médicos do clube que sentia frouxidão no joelho, mas que os mesmos diziam se tratar de algo 'normal'. 

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Cinco meses após a cirurgia, Dener sentia os mesmos problemas, chegou a ter uma entorse considerada leve, mas sentiu muitas dores. Depois de exames, os profissionais do Flamengo repetiram o discurso de normalidade. 

Dener chegou a ser emprestado pelo Figueirense, clube no qual começou a carreira. Por lá, ao realizar exames, foi constatado que o atleta estava sem o ligamento cruzado do joelho. 

Em entrevista ao jornal O Dia, Dener soltou o verbo contra o departamento médico do Flamengo. 

"No começo de 2018, me colocaram para treinar junto com o grupo, mesmo com aquele problema e incômodo, e eu a todo momento relatando. Fiz treinos no profissional. Fiz jogo amistoso no profissional sentindo bastante dores. Sentindo incômodo e frouxidão. Mas, como te falei, fiz exames e me passaram que estava tudo certo", conta.

"Como eu estava sem espaço e acabava o meu contrato, o Figueirense solicitou a minha volta. Cheguei ao Figueirense e foram me avaliar. Eu passei essa situação do meu joelho, observaram essa situação, acharam estranho e pediram um exame. E foi aí que veio a surpresa. Eu estava sem o cruzado, treinando há oito meses com o cruzado rompido, como se não tivesse feito a cirurgia. E depois, pegamos exames feitos em 2017, apontava que o cruzado estava mal visibilizado, onde qualquer médico ortopedista que pegasse para analisar, viria que precisaria de uma nova cirurgia. Isso não foi passado para mim na ocasião". 

Dener ainda revelou que ao voltar ao Flamengo, durante a pausa para a Copa do Mundo de 2018, ele chegou a ficar 20 dias sem assistência do departamento médico do clube. 

"Então, cheguei ao Figueirense, os médicos não me aceitaram, pois estavam com o ligamento rompido e estava treinando mesmo assim. Voltei ao Flamengo e conversaram comigo para não fazer uma nova cirurgia, pois falaram que eu estava treinando há muito tempo e eu iria acabar perdendo muito tempo. Eu pedi para fazer, e a cirurgia acabou sendo realizada", continuou o agora ex-atleta.

"Fiz o tratamento no clube, mas, mesmo assim, eu vinha apresentando falta de flexibilidade no joelho. Eu fiz essa segunda cirurgia na época da Copa do Mundo de 2018. Então o clube estava de recesso. Fizeram a cirurgia e me deixaram de 15 a 20 dias sem mexer o joelho, sem ter o fisioterapeuta para acompanhar. A princípio, iam me oferecer uma clínica de fisioterapia, mas dois dias antes da cirurgia me passaram que era para ficar de repouso em casa. Isso fez o meu joelho ficar duro. Muito duro. Isso causou uma fibrose muito forte. Isso foi descoberto alguns meses já no Figueirense treinando."

"Fiz uma nova cirurgia já no Figueirense, fiz uma limpeza, a fibrose já tinha pego a cartilagem também. Causou um problemão... meu ligamento cruzado, que tinha sido operado, já estava frouxo também. Eles tinham mexido no meu canto postoraletal. É muito chato eu falar isso, mas não posso deixar passar, pois acabou com a minha carreira". 

Ao ver o desabafo de Dener no Instagram, o meia Ederson, que chegou a ser camisa 10 do Flamengo entre 2015 a 2018, endossou o discurso contra o DM do Flamengo e comentou na postagem do ex-zagueiro. O ex-atleta afirmou que teve que encerrar a carreira por conta dos "incompetentes" - em outubro do último ano, ele entrou com um processo por danos morais com argumento da maneira com a qual o clube tratou sua lesão.

"Sofri com dores absurdas todos os dias durante meses, mas sofri ainda mais tendo que ouvir eles dizeram que não era nada, que eu tinha que treinar e superar a dor, que meu problema era na cabeça e etc. Chegaram até a me dar remédio de placebo, só faltaram dizer que eu estava louco. Enfim, sofri tanto e passei tanto nervoso que tive um câncer no testículo de tanta raiva que passei por lá. Tive que encerrar a minha carreira também por culpa daqueles incompetentes. Assim como nós outros tiveram outros que sofreram da mesma maneira". 

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa do Flamengo que afirmou que, "em príncipio", não vai se pronunciar. O caso ainda não foi debatido internamente. 

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