A segunda maior invencibilidade entre as Séries A e B do Campeonato Brasileiro, vencedor do estadual e em busca da consolidação de sua carreira como técnico. Comandante do CRB-AL, Léo Condé inicia a trajetória na Segunda Divisão, nesta sexta-feira (12), em busca da consagração.
Fã de Levir Culpi e Marcelo Oliveira, o treinador tem uma trajetória de bons trabalhos em clubes mais modestos e nas divisões de base de América-MG e Atlético-MG. Contudo, aparece como um nome promissor da nova geração de técnicos. Marcado sobretudo pelo vicecampeonato mineiro de 2015, ele elege a passagem pela Caldese como a melhor de sua curta carreira.
"No Sampaio Corrêa, foi um trabalho bacana, dá um âmbito nacional, com uma equipe maior. Esse trabalho da Caldense, eu tive a possibilidade de fazer uma pré-temporada de 60 dias e você chegar a uma final de Campeonato Mineiro liderando o torneio de ponta a ponta. É o trabalho que guardo com muito carinho e foi o que me abriu portas", disse à reportagem.
Em entrevista exclusiva à Goal, Léo Condé fala sobre o planejamento à frente do time alagoano, discorda das declarações concedidas por Renato Gaúcho sobre técnicos estudiosos e fala sobre o choque de gerações entre os técnicos do país. Confira, abaixo, os principais trechos da conversa com o comandante.
Inspirações
"No Campeonato Mineiro 2015, contra o Atlético do Levir Culpi, eu tive a oportunidade de acompanhar o trabalho do Levir Culpi. É um treinador que me deu noção de ambiente de comando de grupo, com boa qualidade de treino. O próprio Marcelo Oliveira trabalhou na base comigo. A gente sempre vai sugando um pouco de cada e formando a própria maneira de trabalhar. O Levir é um profissional que me identifiquei muito".
Renato Gaúcho e os técnicos estudiosos
"Eu fui ao curso da CBF nos últimos dois anos e praticamente todos os treinadores estão buscando se atualizar. Hoje, não é questão de ser boleiro ou ser estudioso. A gente tem que se atualizar sempre, senão sai do mercado. A gente respeita a opinião do Renato (Portaluppi), porque existem novos métodos. A gente vê um Tite, que ficou um ano fora fazendo coaching e está fazendo ótimo trabalho".
Choque de gerações de treinadores
"É algo que, de um modo geral, quem tem qualidade, vai trabalhar. Tem espaço para todo mundo. Depende do que o clube pensa na figura do treinador. Vejo naturalmente essa renovação. Quando o Luxemgurgo estava começando em 1991 no Bragantino e o Muricy no São Paulo eles estavam substituindo Enio Andrade, Lazaroni... Há treinadores antigos que são altamente preparados, como Levir Culpi, Luxemburgo... Vai chegar um momento em que a gente será substituído por outra geração. Na Europa, a gente pega treinadores que surgem mais jovens, como o Zidane, que é jovem, mas tem um José Mourinho. É uma troca normal. O Ranieri foi campeão na Inglaterra".
Planos para o futuro
"Sinceramente, sem demagogia nenhuma, meu pensamento é sempre no agora. Principalmente no Brasil. O Marcelo Oliveira foi bicampeão brasileiro com o Cruzeiro e, em três meses, já não servia mais... A gente sempre vai buscar algo melhor. Eu quero uma boa Série B, buscar o acesso e deixar as coisas acontecerem de forma natural. Chegar a uma Seleção, a um clube grande é algo natural".
Passagem pelo futebol de base
"Me deu uma possibilidade grande de fazer uma série de experiências. Na base, o objetivo maior não é resultado, mas, sim, a formação. Eu fui experimentando uma série de sistemas de jogo, até entendendo a questão de troca de atletas e direção. Me deu oportunidade de disputar competições estaduais, internacionais, nacionais. Foram cinco anos na Holanda, na Alemanha, na Itália. Você troca uma série de experiências e informações com outros profissionais. Depois tive a oportunidade de fazer isso em equipes do interior de Minas Gerais com uma cobrança menor".





