Apesar de ter voltado da Itália com uma derrota por 4 a 1 contra a Atalanta, no duelo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, o torcedor do Valencia não abandonou a equipe espanhola.
O apoio, contudo, não pôde ser possível dentro do estádio Mestalla, que recebeu o jogo de volta, nesta terça (10), de portas fechadas como medida de precaução em meio a epidemia do coronavírus Covid-19.
E foi em meio ao mar de cadeiras laranjas que uma presença, na de número 164 da fileira 15, na tribuna central, chamou a atenção. Um homem de óculos escuros, com o queixo para cima e um singelo sorriso voltou a ser notícia, mostrando que o ato de torcer pelo seu clube é um amor tão forte que consegue até mesmo vencer a barreira da morte.
Este homem é Vicente Navarro Aparício, que apesar de ter falecido em 2016 continua em seu lugar favorito: o estádio Mestalla. Torcedor-símbolo dos Ches, ele perdeu a visão em 1985, depois de ter descolado a retina, mas seguiu como presença certa em praticamente todos os jogos do clube em casa – assim como em alguns fora de seus domínios.
Nas cadeiras do estádio valenciano, comemorou e lamentou resultados ao lado de seu filho, que narrava para o pai os jogos em meio ao tempero dos cânticos entoados no Mestalla.
Em 2019, no seu ano de centenário, o Valencia resolveu homenagear Vicente Navarro com uma estátua de bronze. Lá, na cadeira 164 da fileira 15, ele segue com o sorriso imortalizado pelo ato de torcer pelo seu Valencia. Na vitória ou na derrota.





