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HD Coutinho NeymarGetty

Coutinhos e Neymares: exceções em um mercado com dois mundos distintos

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A janela de transferências de janeiro se encerrou na última quarta-feira (31) para os principais centros do futebol europeu, e dentre as negociações realizadas a maior de todas foi a de Philippe Coutinho, do Liverpool para o Barcelona, por € 160 milhões [R$ 606,97 mi].

O jogador brasileiro, que ainda é visto como símbolo do jogo bonito, é uma mercadoria bastante valorizada no exterior. Neymar e Coutinho foram os últimos exemplos, considerando o conjunto total da temporada 2017-18. E que exemplos! A dupla entrou no Top 3 das maiores transações da história, mas são exceções nos valores megalomaníacos pagos atualmente.

Em relatório completo, divulgado pela FIFA, sobre as movimentações de jogadores no ano de 2017, o Brasil aparece na liderança em números de brasileiros que se transferiram [tanto no mercado interno quanto externo]: um total de  1755 atletas, com 254 clubes do nosso país envolvidos. Mas os destinos mais comuns não são as consideradas cinco principais ligas domésticas do futebol europeu [Itália, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha].

Dentre os países da UEFA, Portugal é quem aparece como principal exportador do “pé de obra”: 213 transações. Os outros destinos mais comuns foram longe do centro principal do futebol: Japão [57] e Tailândia [44]. Embora a liga portuguesa tenha  grande tradição na Europa, a realidade do jogador brasileiro não é o glamour do chamado melhor futebol do mundo, das equipes que disputam os títulos europeus.

Philippe Coutinho Neymar
Exceções: na habilidade e oportunidade (Foto: Getty Images/Goal)

Mas não é algo que acontece apenas com brasileiros. A verdade óbvia, que muitas vezes nos esquecemos, é que o futebol é formado muito mais por humildes operários do esporte do que por ‘Neymares e Messis, Coutinho e Cristianos’. Na média de 2017, por exemplo, 66% das contratações foram feitas com jogadores livres de vínculos, e em 84% dos casos os clubes contratantes não pagaram valores de transferências.

Mais impressionante ainda: apenas 14% das transferências contaram com a participação de intermediários. Empresário é luxo de uma grande minoria, ao menos seguiu assim em 2017. O futebol pode chamar a atenção pelos grandes clubes e craques milionários, mas a realidade por trás do circo midiático é bem diferente para a grande maioria, que mesmo assim não abaixa a cabeça para driblar os desafios que aparecem no caminho dos sonhos de glórias e estabilidade financeira.

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