Em um lance que não durou mais do que frações de segundo, explodiu uma polêmica que abalou os alicerces do Campeonato Espanhol. Enquanto todos os olhares estavam voltados para a bola no Santiago Bernabéu, aconteceu nas sombras um incidente entre o turco Arda Güler e o zagueiro do Sevilla, que acendeu uma guerra de versões entre os dois clubes.
O Sevilla grita "agressão intencional com cotovelada no rosto", enquanto o Real Madrid responde "foi apenas um contato para se desvencilhar". E o único árbitro decisivo é uma imagem desbotada e distante, diante da qual o VAR nada pôde fazer. Então, onde foi parar a verdade em meio a 26 câmeras? Esse mistério foi decifrado por uma das lendas da direção televisiva na Espanha.
Em entrevista exclusiva ao programa "El Larguero", o veterano diretor Víctor Santamaría, com uma experiência que se estende por trinta anos registrando os grandes confrontos espanhóis, colocou os pingos nos is, afirmando que a ausência do lance decisivo não é uma conspiração, mas algo puramente lógico.
A bola é a estrela, o resto é figurante
Santamaría revelou um paradoxo chocante nos números da transmissão, dizendo que a conversa de alguns sobre o uso de 25 a 26 câmeras na partida do Bernabéu "o deixa surpreso", lembrando que na temporada passada se dependia de apenas 18 câmeras de alta definição efetivamente utilizáveis.
Mas o cerne do problema, segundo o especialista espanhol, não está no número, e sim na filosofia que rege o trabalho dos cinegrafistas.
Santamaría explicou: "O incidente aconteceu completamente longe da bola, e isso explica tudo. A regra de ouro na sala de direção é que 90% das câmeras seguem a bola aonde quer que ela vá. É muito fácil perder um movimento lateral como esse de um jogador correndo em velocidade máxima no meio de campo".
E acrescentou: "Na nossa época, tentamos inverter a equação e focar no que acontece longe da bola, porque sabíamos que estávamos perdendo muitos acontecimentos, mas a experiência não deu certo. Por isso, acho a inexistência de uma imagem clara algo totalmente natural".
As câmeras pequenas e a ilusão dos números
O ex-diretor apontou que a equipe de produção encarregada de fornecer as imagens para a tecnologia de vídeo distribui suas lentes conforme o cenário do jogo, esclarecendo: "A prioridade máxima é a bola. É verdade que, nos escanteios, direcionamos câmeras específicas para monitorar a confusão e os embates dentro da pequena área e negligenciamos a bola momentaneamente, mas em uma jogada aberta e rápida no meio de campo, ninguém espera uma cotovelada voadora".
Ele destacou que o número divulgado sobre a quantidade de câmeras pode ser enganoso e capcioso, dizendo: "Muitas delas são apenas câmeras pequenas e fixas atrás do gol, que praticamente não têm valor para captar um lance como esse em profundidade. A tendência geral de todos os operadores é perseguir a bola".
A prova foi escondida?
Sobre a teoria da conspiração que alguns propagam, de que existiria um lance claro que foi encoberto para proteger o craque do Real Madrid, a resposta de Santamaría foi categórica e taxativa, descrevendo a situação assim: "Esconder as imagens existentes? Isso é um grande mito e uma pura mentira".
E prosseguiu, explicando: "Primeiro, isso vai totalmente contra a ética da profissão. E segundo, e isso é o mais importante, o estádio não tem monopólio apenas das câmeras da empresa de produção oficial; existem câmeras de outros veículos de imprensa autorizados a estar presentes".
Concluiu suas declarações dizendo: "Se alguma delas tivesse captado a prova definitiva, ela teria vindo à tona imediatamente. É impossível esconder algo desse tamanho e dessa repercussão. Se houvesse uma prova clara, ela acabaria aparecendo no final. É assim que as coisas funcionam".





