Você alguma vez imaginou um super-craque com características específicas de cada um dos grandes talentos do Barcelona da "Era Guardiola"? Dani Alves já. Ele próprio, aliás, tem uma contribuição significativa na montagem do "jogador perfeito".
"O cérebro do Xavi, o pé direito do Dani [risos], o pé esquerdo do Messi, a habilidade do Messi, o cabeceio do Puyol e o poder defensivo também do Puyol", elegeu o lateral-direito, em entrevista exclusiva à Goal, durante o pré-lançamento do documentário "Take The Ball, Pass The Ball", que conta a trajetória do Barça entre 2008 e 2012, uma verdadeira máquina que conquistou 14 títulos em 19 possíveis.
Dani chegou ao clube catalão exatamente na mesma temporada em que Guardiola assumiu o posto de treinador do time principal. Bastou apenas uma reunião para o brasileiro, hoje no PSG, notar que aquela equipe estava prestes a escrever um dos capítulos mais brilhantes da história do futebol.
"O Guardiola assumiu o time e, aos poucos, foi montando as peças. Então, na nossa primeira conversa, e acredito que não somente eu, mas como os outros jogadores, todos nós saímos dali pensando que algo incrível estaria para acontecer. A sinceridade, a transparência, o poder de convencimento dele...", explicou.
"Pode soar pretensioso, mas no momento que estávamos vivendo tudo aquilo, lembro de ter dito que as pessoas só dariam valor ao nosso time somente depois de passado alguns anos [risos]. Esse ano chegou agora, com muita gente dando valor a tudo o que fizemos. Fizemos parte de uma equipe que deixou um legado e muitos conceitos para o futebol", completou.
Campeão em 23 oportunidades com o Barcelona, tudo isso num período de oito temporadas, o veterano lateral de 35 anos sabe que teve papel importante entre os comandados por Guardiola. Ignorar tamanho reconhecimento seria passar o papel de falso.
"Eu, sem dúvida, tinha muita noção do que aquele time era para mim. Sempre percebi que alcançava coisas porque aquele time me proporcionava tudo aquilo. Hoje em dia sinto que as pessoas sentem um pouco de medo de falar algo do tipo "eu sei do meu poder, eu sei o que posso fazer, eu sei da minha importância"... Mas eu não tenho esse medo. Sei que aquele time fazia um bem para mim, mas eu também fazia um bem para ele em várias aspectos. Sei muito bem a minha importância dentro do futebol, e sei também quem eu era antes [do Barcelona]. Reconhecer os próprios conceitos, reconhecer quem você é, tudo isso te leva a um caminho de lealdade muito interessante. Às vezes a pessoa finge que não sabe quem é, finge que não conhece os próprios poderes... Encaro isso como falsa modéstia. Eu não tenho nada de falso [risos]", finalizou.

