Luis Suárez sempre sonhou em jogar pelo Barcelona, seja pelos craques que o uruguaio admirava ou pelo fato de sua esposa morar na cidade condal. Por isso mesmo, quando soube que os dirigentes catalães faziam de tudo para tê-lo no Camp Nou o ‘Pistolero’ não segurou a emoção.
“Eu chorei. Estava na Copa do Mundo [de 2014, no Brasil]. Falavam de mim, mas até o Mundial eu não soube de nada do Barça”, revelou para o El Periódico. “Eu não podia acreditar. Começaram a falar para mim e eu não acreditava”, relatou.
O sonho de vestir a camisa blaugrana ficou maior quando sua então namorada – e atual esposa – deixou o Uruguai para morar na Catalunha. Mas engana-se quem acha que esse era o único motivo que fazia aquele jovem uruguaio sonhar em defender o Barça.

“Tem um jornalista uruguaio que me disse que nunca vai se esquecer de me ver, nos treinamentos do Nacional, com 16 anos e uma mochilinha com o escudo do Barça. Era a época de Ronaldinho, Samuel [Eto’o], Andrés [Iniesta] já estava lá, Deco... uma época impressionante”, relembrou. “Vir para o Barcelona era o meu sonho, eu tive propostas de outros times que nem quis escutar”.
No entanto, Suárez teve momentos tensos durante este período. Após a mordida dada em Chiellini, em partida contra a Itália, o uruguaio acreditou que a transferência havia caído por terra. Depois, o grande problema foi o período no qual teve que ficar longe dos gramados graças à punição pela dentada no italiano.
Getty Images“Eu não falei nada para a minha mulher, em um primeiro momento, porque sabia que ela poderia ficar nervosa. Eu comentei quando as coisas haviam avançado um pouco. E quando acabou o Mundial, fiquei muito assustado (...) Eu lembro do pouco que falei com Andoni [Zubizarreta, ex-goleiro e então dirigente do clube] e ficava chorando porque não acreditava que eles continuavam me querendo. O Barça foi um grande impulso para me recuperar”.
Getty“Às vezes eu vejo fotos e vídeos daqueles dias em que permaneci preso em um mini ginásio, de dez por dez, com Juanjo buscando lugares para correr sem que a imprensa descobrisse... passei mal. Delfina via o Barça jogar e me perguntava: ‘papai, porque você não está com eles?’ Eu expliquei para ela a situação, sem mentir, para que ela entendesse”.
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Por toda essa situação pouco comum, Suárez acabou não sendo apresentado como os outros grandes craques do futebol europeu: não teve estádio cheio, nem entrada triunfal. É lógico que ‘El Pistolero’ teria gostado da situação, mas também mostrou um certo alívio, revelando a sua ansiedade naquela época.
“Eu havia visto apresentações de outros jogadores com o estádio cheio... mas a verdade é que eu ficava inquieto com o momento em que te davam a bola, e você precisa dominá-la sem deixar ela cair (risos). Eu teria gostado de viver isso, mas já passou”.



