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Cristiano Ronaldo knockouts 2:1Getty/GOAL
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Mourinho, Ten Hag e outros: crise de Jesus reabre o dossiê negro de Cristiano Ronaldo

A recente crise que envolveu Cristiano Ronaldo com a seleção de Portugal não foi um episódio isolado na trajetória de um dos maiores jogadores da história do futebol, mas sim a continuação de uma longa série de desentendimentos e tensões que o colocaram em choque com treinadores, dirigentes e companheiros ao longo de mais de 25 anos nos gramados.

O craque português, que liderou a seleção de seu país à conquista da Eurocopa em 2016 e foi campeão da Liga dos Campeões da Europa, além de ter vencido a Bola de Ouro cinco vezes ao longo de sua carreira nos clubes, deixou a concentração atual da seleção, abrindo espaço para questionamentos sobre seu futuro internacional, depois de ter marcado 146 gols com a camisa de Portugal, recorde no cenário das seleções nacionais masculinas.

Ronaldo, de 41 anos, afirmou que revelará "no momento certo" a verdade sobre os motivos que o levaram a deixar a concentração, isso depois de Jorge Jesus, treinador da seleção, ter enfatizado a inexistência de uma crise, admitindo porém ter cometido erros na forma como lidou com a situação do capitão da equipe durante o confronto com a Noruega, que terminou com a derrota de Portugal por 2 a 1 na Liga das Nações da Europa, sem que Ronaldo participasse da partida.

Até que Ronaldo revele sua versão completa, suas motivações permanecem em questão, e ainda é cedo para afirmar que este episódio representa o fim de sua carreira internacional. Ainda assim, o encerramento de sua trajetória com a seleção em meio a um desentendimento acalorado não seria algo totalmente surpreendente, tendo em vista um longo histórico de crises associadas ao seu nome.

Lidar com a queda de rendimento ou com a mudança de função dentro da equipe para um craque do porte de Ronaldo não é uma tarefa simples, e sua influência, tanto positiva quanto negativa, dentro da seleção portuguesa foi alvo de debate durante os três últimos grandes torneios, nos anos de 2022, 2024 e 2026.

À espera de que a situação de sua recente crise fique mais clara, repassamos os principais momentos que registraram desentendimentos entre Ronaldo e treinadores ou dirigentes ao longo de sua carreira, de acordo com reportagem publicada pela rede ESPN.

  • 2008: Cristiano Ronaldo se apoia nas declarações de Blatter para pressionar por sua saída

    O desejo de Cristiano Ronaldo de deixar o Manchester United e se transferir para o Real Madrid atingiu seu auge durante o verão de 2008, depois de ele se apoiar em declarações polêmicas feitas por Sepp Blatter, então presidente da Federação Internacional de Futebol, nas quais comparou o impedimento de um jogador de deixar seu clube por vontade de ir para outro lugar a algo semelhante à "escravidão moderna".

    Cristiano Ronaldo disse à televisão portuguesa: "Isso é verdade, concordo com o que disse o presidente da Fifa. Sei o que quero e o que desejo, e precisamos ver o que vai acontecer. Não sei onde começarei a próxima temporada".

    E apesar da vontade do jogador de partir após cinco anos de sucesso em Old Trafford, o Manchester United manteve sua posição, obrigando Cristiano Ronaldo a esperar mais uma temporada antes de realizar seu sonho de se transferir para o Real Madrid no verão de 2009.

  • 2008: Ronaldo deixa o campo de forma surpreendente

    Em dezembro de 2008, Ronaldo deixou o gramado de forma repentina durante o confronto entre Manchester United e Sunderland, que terminou com a vitória da sua equipe por 1 a 0, seguindo diretamente para o túnel que leva aos vestiários, o que deixou seu time jogando com dez jogadores e obrigou a comissão técnica a lidar com uma situação inesperada.

    Sir Alex Ferguson defendeu seu jogador, explicando que ele havia levado uma pancada na região do quadril e precisava receber tratamento imediatamente, não havendo necessidade de retornar ao banco de reservas.

    Mas o episódio refletiu um lado da personalidade de Ronaldo, que havia sido coroado com a primeira Bola de Ouro da sua carreira poucos dias antes, e começava a demonstrar seu descontentamento publicamente em algumas situações.

  • 2009: fúria em público após ser substituído no dérbi de Manchester

    A cena se repetiu em maio de 2009, quando Ferguson decidiu substituir Cristiano Ronaldo durante o confronto com o Manchester City, depois que o jogador marcou o gol que abriu o placar de falta aos 18 minutos, em uma partida que terminou com a vitória do United por 2 a 0.

    E quando o treinador decidiu tirá-lo aos 60 minutos e colocar Paul Scholes em seu lugar, os sinais de irritação ficaram evidentes em Cristiano Ronaldo, que passou vários minutos no banco de reservas balançando a cabeça em sinal de descontentamento.

    Aquele foi o último gol de Cristiano Ronaldo com a camisa do Manchester United antes de seu retorno ao clube 12 anos depois.

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  • 2012: "Estou triste", mensagem misteriosa de Madri

    Três anos após sua transferência para o Real Madrid, Ronaldo voltou a gerar polêmica em setembro de 2012, depois de marcar dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Granada pelo Campeonato Espanhol, mas não comemorou nenhum deles.

    Após a partida, o craque português afirmou: "Estou triste por uma questão profissional, e o clube sabe disso. É por esse motivo que não comemoro meus gols, porque não estou feliz. As pessoas aqui sabem o motivo".

    Ronaldo se recusou a dar mais explicações sobre suas declarações, e não surgiu nenhuma interpretação clara sobre o que ele quis dizer na época. Mais tarde, ele negou que o dinheiro fosse a causa do problema, antes de assinar um novo contrato com o clube um ano depois.

  • 2013: Mourinho ataca Ronaldo após o fim da relação entre os dois

    A relação entre Ronaldo e José Mourinho começou de forma positiva quando trabalharam juntos no Real Madrid, mas se deteriorou gradualmente até o fim da temporada 2012-2013, a última do treinador português no clube merengue.

    Segundo o relatório, uma discussão dentro do vestiário após o confronto contra o Valencia pela Copa do Rei da Espanha, em janeiro daquele ano, foi um dos sinais da deterioração da relação.

    Em junho, após a saída de Mourinho do Real Madrid e seu retorno ao Chelsea, ele afirmou durante sua participação no programa "Punto Pelota" que "Cristiano Ronaldo acha que sabe tudo", em um comentário que refletiu o tamanho da tensão entre as duas partes.

  • 2015: a preferência por Ancelotti em relação a Benítez

    A passagem de Rafael Benítez pelo Real Madrid durou apenas seis meses, depois de assumir o comando como substituto de Carlo Ancelotti em junho de 2015, antes de ser demitido em janeiro do ano seguinte.

    Durante esse período, surgiram especulações sobre a insatisfação de Cristiano Ronaldo com a abordagem tática do treinador espanhol, enquanto seus repetidos elogios a Ancelotti, a quem descreveu como uma pessoa maravilhosa e um treinador especial, não ajudaram a aliviar o clima.

    Ronaldo também expressou o desejo de voltar a trabalhar com o treinador italiano, a quem definiu ainda como um "grande urso", em um tom afetuoso, enquanto Benítez afirmou que sua relação com o craque português ainda estava em fase de adaptação mútua.

    Porém, não houve tempo suficiente para superar as divergências, já que Benítez deixou o cargo um mês depois dessas declarações.

  • 2021: o banco de reservas prepara o terreno para uma nova saída

    Após nove anos no Real Madrid e três temporadas com a Juventus, Cristiano Ronaldo parecia pronto para viver uma nova experiência durante o verão de 2021.

    O jogador ficou de fora do time titular da Juventus na estreia do Campeonato Italiano diante da Udinese, em partida que terminou empatada em 2 a 2, em meio a informações de que ele havia pedido para não começar como titular.

    O clube italiano havia inicialmente insistido na permanência de seu astro, enquanto Cristiano Ronaldo, dias antes, classificou como "desrespeitosas" as informações que o ligavam a um retorno ao Real Madrid.

    Mas, poucos dias depois, Cristiano Ronaldo voltou ao Manchester United no último dia da janela de transferências, após seu nome também ter sido associado a uma possível transferência para o vizinho Manchester City.

  • 2022: Rangnick testa a fúria de Cristiano Ronaldo por mudança tática

    Em janeiro de 2022, Ralf Rangnick, técnico interino do Manchester United, decidiu substituir Cristiano Ronaldo durante o confronto com o Brentford, no qual a equipe vencia por 2 a 0, com o objetivo de reforçar a defesa, colocar Harry Maguire em campo e passar a jogar com três zagueiros.

    Ronaldo não escondeu seu descontentamento com a decisão, chegando a jogar o casaco no chão ao deixar o campo, o que levou Rangnick a conversar com ele.

    O técnico descreveu a reação como "natural", acrescentando que disse a Ronaldo que ele poderia tomar a mesma decisão quando um dia se tornasse treinador.

    A partida terminou com a vitória do Manchester United por 3 a 1, resultado que respaldou o ponto de vista de Rangnick sobre sua decisão tática.

  • 2022: os rumores do atrito com Maguire

    Um mês depois, Rangnick foi obrigado a desmentir os relatos que falavam de um desentendimento entre Cristiano Ronaldo e Harry Maguire sobre a braçadeira de capitão do Manchester United, classificando-os como "um completo absurdo".

    Os relatos apontavam, na época, que Maguire se sentia ameaçado pela grande influência que Cristiano Ronaldo exercia dentro do vestiário, especialmente entre os jogadores mais jovens.

    No entanto, Rangnick enfatizou que não discutiu com nenhum jogador a possibilidade de trocar o capitão, confirmando a permanência de Maguire no cargo até o fim da temporada.

  • 2022: entrevista explosiva encerra a segunda passagem pelo Manchester United

    As divergências entre Cristiano Ronaldo e o Manchester United atingiram seu ápice no outono de 2022, depois que seu papel diminuiu sob o comando do novo técnico Erik ten Hag.

    Em outubro, Cristiano Ronaldo recusou-se a entrar como reserva diante do Tottenham e deixou o campo antes do fim da partida, após já ter adotado atitude semelhante durante um amistoso contra o Rayo Vallecano no período de pré-temporada.

    A longa entrevista que concedeu ao jornalista Piers Morgan colocou um ponto final efetivo em sua segunda passagem pelo clube.

    Cristiano Ronaldo criticou uma série de dirigentes dentro do Manchester United, afirmou que não respeitava Ten Hag e que se sentiu traído por altos dirigentes, além de ter indicado que não conhecia Rangnick antes de este assumir o cargo, considerando que o clube não havia feito nenhum progresso desde sua primeira passagem.

    Após a entrevista, as duas partes concordaram em encerrar a relação de forma amigável, e Cristiano Ronaldo deixou o clube inglês mais uma vez.

  • 2022: exclusão da escalação titular de Portugal e a fúria da família

    Durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar, Fernando Santos, então treinador de Portugal, tomou a decisão de tirar Cristiano Ronaldo da escalação titular para o confronto contra a Suíça nas oitavas de final.

    A resposta do substituto Gonçalo Ramos foi contundente, após ele marcar três gols na vitória por 6 a 1, dando ao treinador uma justificativa a mais para a sua decisão.

    Santos afirmou que sua escolha foi por motivos táticos, e não por causa da irritação de Ronaldo após ser substituído na última partida da fase de grupos, embora tenha admitido anteriormente que não gostou da reação de seu capitão.

    Diante dos relatos sobre uma possível escalada da crise antes do confronto com Marrocos nas quartas de final, a Federação Portuguesa emitiu um comunicado no qual negou que Ronaldo tivesse ameaçado deixar a seleção em algum momento.

    Mas a decisão de deixá-lo de fora não foi bem aceita por membros de sua família: Georgina Rodríguez lamentou que o melhor jogador do mundo não tivesse participado durante os 90 minutos, enquanto sua irmã Elma Aveiro classificou o fato de deixá-lo de fora como uma humilhação a um homem que deu muito à seleção.

  • 2026: saída da concentração abre a porta para o fim da carreira internacional

    A crise mais recente remonta a setembro de 2026, depois que Ronaldo deixou a concentração da seleção de Portugal após a tensão relacionada ao seu papel dentro do time e à sua ausência no confronto contra a Noruega, seguida pelas declarações de Jorge Jesus na coletiva de imprensa.

    Ronaldo disse que decidiu partir após a coletiva de imprensa do técnico e uma conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, afirmando que revelaria a verdade aos portugueses no momento oportuno.

    Ele também dirigiu uma mensagem aos companheiros, desejando-lhes boa sorte "sem exceção", em uma frase que levantou ainda mais questionamentos sobre a natureza do desentendimento.

    Apesar de os quatro anos anteriores terem registrado uma relativa calmaria em comparação com outros momentos de sua carreira, a situação de Ronaldo com a seleção de seu país voltou ao centro da polêmica. Ele seguiu marcando gols e conquistando títulos com o Al-Nassr, da Arábia Saudita, enquanto recebia claro apoio do ex-técnico Roberto Martínez durante dois grandes torneios, apesar das crescentes críticas sobre o seu papel.

    Já Jesus trabalhou anteriormente com Ronaldo no Al-Nassr, mas os últimos acontecimentos indicam que a relação entre os dois enfrenta um teste difícil.

    E a pergunta mais importante permanece: esta crise representa o fim de uma trajetória internacional que se estendeu por mais de duas décadas, ou Ronaldo voltará à seleção para encerrar o capítulo do desentendimento? A resposta ainda não está clara, mas a história do craque português revela que sua relação com os técnicos e as decisões técnicas foi, em diversos momentos, parte de sua trajetória dentro e fora de campo.